Em 'Terapia de risco', Soderbergh cria suspense com doses de psicologia e política

Rooney Mara é Emily Taylor, jovem atormentada que procura tratamento psiquiátrico

por Carolina Braga 17/05/2013 08:00

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Diamond Filmes/Divulgação
(foto: Diamond Filmes/Divulgação)
O diretor Steven Soderbergh elencou tantos temas para 'Terapia de risco' que logo nos primeiros 20 minutos de projeção tem-se a impressão de que, no final das contas, ele não conseguirá chegar a lugar algum. Sabe aquela ameaça de que o filme não vai dar em nada? Mas à medida que o longa avança, a inegável boa forma criativa do cineasta salta aos olhos e, por fim, ainda há espaço para surpresas na produção que trata de vários assuntos tão espinhosos quanto atuais.

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Em 'Terapia de risco', Emily Taylor (vivida por Rooney Mara de 'Millenium – os homens que não amavam as mulheres' e' A rede social') é uma jovem em tratamento psiquiátrico. Depois de esperar quatro anos pela saída do marido da cadeia, cai em tristeza profunda e tenta o suicídio. É quando conhece dr. Banks (Jude Law). Médico ambicioso, colaborador bem remunerado para testes de medicamentos, é ele quem prescreve à paciente droga que interfere diretamente – e tragicamente – no comportamento da garota. Até aqui, ainda com um cadenciado ritmo de suspense, tudo leva a crer se tratar de um filme sobre o drama que os transtornos de comportamento envolvem. Mas não é só isso.

'Terapia de risco' é um retrato pessimista da sociedade atual. O filme que começa sugerindo tratar da conflituosa relação entre terapeuta e paciente também é um thriller de denúncia sobre a perigosa interferência da indústria farmacêutica no controle da depressão. Mais que falar do que significa um tratamento com essas características, o roteiro elaborado por Scott Z. Burns ('Contágio' e 'O ultimato Bourne') diagnostica operações inescrupulosas e ambição como males do sistema que visa o lucro acima de tudo.

Seja em projetos altamente comerciais, como é o caso da franquia 'Onze homens e um segredo', quanto nas produções consideradas mais alternativas como 'Solaris', o diretor Soderbergh sempre demonstrou talento para os thrillers. Em 'Terapia de risco' não é diferente. O tempo todo o espectador se pergunta: será isso mesmo? E sempre haverá algo a ser descoberto.

Não existem papéis fixos de mocinhos e bandidos em 'Terapia de risco'. Nas atuações, Rooney Mara, capta e transmite muito bem a dualidade de Emily, aparentemente frágil. Jude Law também é convincente no jogo do “salve-se quem puder” proposto, ao disfarçar e logo revelar a ambiguidade de seu personagem. Quem destoa é Catherine Zeta-Jones. Como congelou o carão do mal, talvez até sem querer ela dá pistas de que a também terapeuta Victoria Siebert não é boa bisca. Uma pena.

'Terapia de risco' foi exibido na última edição do Festival de Berlim. Steven Soderbergh chegou a dizer que o longa seria a despedida dele da carreira de diretor. Não foi. O próximo filme, 'Behind the candelabra' com Matt Damon e Michael Douglas, estreia terça-feira dentro da competição pela Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Assista ao trailer do filme:

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