Oscar confirma Ang Lee como um dos cineastas estrangeiros mais poderosos

Ele conquistou o prêmio de Melhor diretor por 'As aventuras de Pi'

por Ricardo Daehn 26/02/2013 15:16

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Ang é o estrangeiro com maior número de indicações (10) para uma fita de origem não inglesa (foto: AFP PHOTO)
O caso da dissociação entre o Oscar de filme e de direção, em bom hiato na cerimônia, não causa surpresa, mesmo porque Ben Affleck (do vitorioso 'Argo') estava fora da competição. Sobrou então para o taiwanês Ang Lee (de 'As aventuras de Pi'), que foi para um bicampeonato, sete anos depois de vencer por 'O segredo de Brokeback mountain'.

 

Voltando à matriz da serenidade, num assunto espinhoso — a exemplo do que fez com a atração entre dois cowboys, ícones da cultura norte-americana —, Lee optou pelo mesmo tom, ao fazer interseção entre crenças cristãs, muçulmanas e outras linhas de espiritualidade. “Esse filme é realmente internacional”, disse na ocasião de agradecimento à Academia. Já, nos bastidores da festa, ele complementou: “A gramática do cinema está muito estabelecida nos Estados Unidos. Aqui há sofisticação, e o cinema, pra mim, é basicamente visão e som, além da capacidade de superação”.

Não que tivesse tanto a debelar, em termos de barreira para política de boa vizinhança junto aos mais de seis mil votantes do prêmio. A carreira dele, que beira os 60 anos, é feita de ótimo currículo no Oscar. Ang é o estrangeiro com maior número de indicações (10) para uma fita de origem não inglesa, com o ganhador de melhor filme estrangeiro 'O tigre e o dragão' (2001). Além disso, tem longo histórico na premiação, com duas indicações consecutivas de melhor filme estrangeiro, com 'O banquete de casamento' (1994) e 'Comer beber viver'. Além disso, com 'Razão e sensibilidade' (1997), baseado em livro de Jane Austin, concorreu a sete categorias, incluindo melhor filme.

Na mescla de valores religiosos e filosóficos, 'As aventuras de Pi' — em meio a filmes violentos como 'Django livre', 'A hora mais escura' e 'Argo' (cheio de tensão psicológica) — conseguiu o feito de ótima performance: levou também prêmios de trilha sonora, direção de fotografia e efeitos visuais. Baseado em escritos de Yann Martel, com formação francófona, a produção teve locações em Taiwan, na Índia e no Canadá. O caráter de fusão cultural foi igualmente comentado pelo diretor, nos bastidores. “É como se uma cultura estivesse de um lado do cérebro e a outra, no oposto. Você pode usar os dois lados, e isso é uma vantagem”, explicou.

 

Assista ao trailer de 'As aventuras de Pi':

 

 

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