'O Homem que Queria Matar Hitler', de Fritz Lang, é relançado em DVD

Longa de 1941 marca a fase americana do mestre do expressionismo alemão

por Agência Estado 24/01/2013 16:08

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Divulgação
Walter Pidgeon interpreta assassino de Hitler em clássico de Fritz Lang (foto: Divulgação)
Suspense eletrizante. Foi como a revista 'Cahiers du Cinéma' definiu este 'O homem que queria matar Hitler', da fase norte-americana de Fritz Lang, o grande diretor de 'Metrópolis' e 'M: o vampiro de Dusseldorf', pérolas da ficção científica e do expressionismo alemão. Rodado em 1941, este 'O Homem que queria matar Hitler' e vários outros filmes faziam parte do esforço de guerra dos aliados contra o eixo. Produziam aquela plataforma ideológica que ajudaria a derrotar, no plano das ideias, os nazistas e seus aliados, a Itália e o Japão.

Como acontece com frequência com as obras de arte geradas "para uma causa" muitos dos filmes de esforço de guerra apresentam valor apenas documental. Expressam um momento histórico de convulsão e registram essa época. Não é o caso deste trabalho de Lang que, se não se situa entre as grandes obras do diretor, pode ainda ser visto com todo o prazer. Em que pese suas origens é entretenimento de primeira categoria.

A história é a de um caçador inglês, Alan Thorndike (Walter Pidgeon), acusado de tentar assassinar o Füher na Alemanha nazista, em 1939. Ele alega inocência. Na verdade estava postado sobre um monte, para atirar sobre Hitler, mas teve a mira encoberta por um soldado no último instante. Descoberto, alega que estava apenas se exercitando e não faria o disparo. Ninguém acredita. Querem arrancar-lhe a confissão que incriminaria a Inglaterra e forneceria o pretexto para a guerra. Tentam livrar-se dele, mas Alan escapa. Tem início uma perseguição feroz por parte dos nazistas.

O argumento do filme é estimulante, porém um tanto artificial embora bem imaginado. Lang é um mestre na criação de suspense, a cada cena. Dessa forma, esquecemos essa inverossimilhança de princípio e acabamos por embarcar na história. Lembra, de certa forma, o procedimento de Quentin Tarantino em 'Bastardos Inglórios', quando imagina um atentado que manda pelos ares todo o alto comando nazista, e Hitler no meio dele. Uma ficção histórica, nada mais nada menos, como esta imaginada por Lang.

Na verdade, o tema do filme responde a uma espécie de wishful thinking da consciência da época. O desejo de que Hitler e o perigo que representava simplesmente desaparecessem do mapa, e se extinguisse a ameaça à vida de todos e à sociedade civilizada. Como isso não acontecia na vida real, a ficção se incumbia de imaginá-lo.

Lang, que era um refugiado do nazismo, cumpria assim a missão "patriótica" ao imaginar o assassinato, mesmo que fracassado, do líder inimigo. E o fazia com os requintes do imenso talento cinematográfico que desenvolvera na Alemanha e levara para os Estados Unidos (depois de rápida passagem pela França), onde o usou em filmes como 'O diabo feito mulher' (com Marlene Dietrich) ou 'Os corruptos'. Fez com Brecht (outro refugiado) o notável 'Os carrascos também morrem'. São filmes extraordinários de um verdadeiro autor. 'O homem que quis matar Hitler' parece apenas um momento menor nessa obra. Mas, mesmo em seus momentos menores, autores como Fritz Lang têm seu interesse.

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