'Amor': indicada ao Oscar, história de casal idoso chega aos cinemas em BH

Produção é favorita ao prêmio da Academia em língua estrangeira e concorre ainda a melhor filme

por Carolina Braga 18/01/2013 07:30

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Imovision/Divulgação
A atriz francesa Emmanuelle Riva concorre ao Oscar por sua interpretação de Anne (foto: Imovision/Divulgação)
O diretor Michael Haneke deve ter inúmeros talentos. Um deles, no entanto, diz respeito diretamente a quem se aventura a ver seus filmes. O cineasta nascido na Alemanha e naturalizado austríaco é mestre em roubar nossas palavras e nos preencher de sensações, muitas delas conflitantes. Basta lembrar de Cachê (2005) ou Professora de piano (2001), para citar somente dois da extensa filmografia. A experiência diante do novo longa dele é igualmente profunda, reflexiva. Amor é arrebatador.

Desde a apresentação no Festival de Cannes, o vencedor da Palma de Ouro construiu invejável carreira internacional, que culminou, agora, com a vitória do Globo de Ouro de filme em língua estrangeira, além das cinco indicações ao Oscar (filme, diretor, atriz, roteiro e, novamente, produção em língua estrangeira). Para alcançar tal feito com o novo trabalho, Haneke não altera a fórmula que o faz um dos grandes de sua geração. Continua sendo cru. No entanto, desta vez, há uma dose maior de delicadeza na maneira como constrói a trama.

É a história de Anne (Emmanuelle Riva) e Georges (Jean-Louis Trintignant), casal octogenário que se faz companhia em um apartamento de classe média em Paris. A única filha (Isabelle Huppert) vive no estrangeiro com o marido e faz rápidas visitas a eles. Os pais têm uma vida aparentemente normal. Vão a concertos juntos, conversam sobre o passado, enfim, envelhecem como um casal de namorados. A crueldade da existência é que nem sempre esse processo é equilibrado. No caso de Anne e Georges, é ela quem dá os primeiros sinais de que está no fim. À ele caberá amá-la, o que não é nada simples. E nem sempre lindo como comédias românticas costumam mostrar.

Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant nos oferecem momentos belíssimos de interpretação. Há muita entrega, seja física ou emocional. Eles são precisos nos diálogos, nos silêncios tão providenciais quanto qualquer fala corriqueira. A participação de Isabelle Huppert é importante como contraponto. É na fragilidade superficial da filha, no apego e no modo como ela entende o amor que Haneke destila sua crítica. A sociedade contemporânea parece ter uma visão muito diferente do que de fato seja amar alguém.

Em um dos diálogos do longa, quando a filha conta para o pai uma traição do marido, ele pergunta se existe amor entre eles. “Acho que sim”, ela responde. Georges não perde seu tempo em questionar. Ele sabe muito bem o quanto os modos de amar podem ser diferentes e particulares.

Os planos do filme são predominantemente fixos. É como se a obra nos convidasse a contemplar a intimidade daquela relação. A beleza de Amor é justamente o mergulho que o filme propõe na essência desse sentimento. Afinal, o que significa amar alguém? Qual o peso e a responsabilidade que esse sentimento carrega? Aliás, haverá responsabilidade no amor? Michael Haneke não é nada lírico ao falar sobre isso. É objetivo, claro e, por isso, tão maduro e verdadeiro.

Assista o trailer de 'Amor':
 

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