DreamWorks aposta em valores humanistas para atrair o público

Em 'A origem dos guardiões' Papai Noel e Coelho da Páscoa tomam o lugar dos super heróis

por Mariana Peixoto 24/11/2012 07:00

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DreamWorks/divulgação
(foto: DreamWorks/divulgação)

Depois de uma exibição especial para crianças de A origem dos guardiões, Peter Ramsey, o diretor da animação, ouviu a seguinte pergunta de um garoto: “Por que ninguém consegue ver Jack?”. A resposta veio rápida: “Ele não acreditava em si mesmo”. Quando deixava a sala de cinema, o diretor da escola onde o menino estuda, em Chicago, comentou com a equipe do longa: “Ele está no colégio há cinco anos. Foi a primeira vez que o ouvi falar.”

Esqueça referências da cultura pop ou personagens imbatíveis. A nova produção da DreamWorks apela para a ingenuidade, reunindo ícones do imaginário infantil para contar uma história de superação. Simplicidade disfarçada, diga-se de passagem, pois todo o poderio tecnológico e criativo de um dos estúdios mais importantes da animação atual (e muito dinheiro, pois US$ 20 milhões foram reservados apenas para esse filme) foi colocado à prova no longa-metragem.

Pode ser uma nova franquia, mas só as bilheterias dirão se Jack Frost vai conseguir se tornar o novo Shrek. A questão começa a ser respondida agora, pois o filme estreou quarta-feira (feriado de Ação de Graças) nos Estados Unidos. No Brasil, depois de uma série de pré-estreias (hoje e amanhã, em 12 salas apenas em Belo Horizonte), o longa entrará em cartaz na sexta-feira. 

Tais como super-heróis, mas com boas doses de humanidade, Papai Noel, Coelho da Páscoa, Fada do Dente e Sandman se unem para salvar a imaginação e a inocência das crianças. Quem se junta ao grupo de guardiões é Jack Frost – na cultura anglo-saxã, ele é responsável pelo clima gelado e, mesmo lá fora, é bem menos conhecido que outras figuras míticas. Deles, apenas Frost, personagem que começa a narrativa com sentimentos dúbios, não pode ser visto pelas crianças. Na aventura, a equipe combate o Breu, vilão tal e qual o Bicho-Papão.

O projeto, que vem sendo desenvolvido há cinco anos, nasceu a partir da série de livros de William Joyce, escritor, roteirista, produtor e diretor (foi o vencedor do Oscar de curta em animação deste ano por Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo). Além dele e do diretor Ramsey (o antigo pupilo de Steven Spielberg, Spike Jonge e David Fincher estreia na direção de longas), a equipe traz o mexicano Guillermo del Toro como produtor executivo e um elenco de estrelas para dublar os personagens: Alex Baldwin (Noel), Jude Law (Breu), Chris Pine (Jack Frost), Isla Fisher (Fada do Dente) e Hugh Jackson (Coelho da Páscoa). 

Infelizmente, poucas cópias no original chegarão ao mercado brasileiro (que tem Thiago Fragoso como Frost e Isabelle Drummond como a Fada). Uma pena perder o sotaque russo que Baldwin imprimiu ao Papai Noel. “O processo de dublagem é mais semelhante a fazer teatro do que cinema, propriamente. No live action, você filma direto. Mudar algo depois de filmado é muito caro. Animação, por sua vez, é como fazer uma peça. Você cria o personagem (no caso, a voz), faz tudo bem exagerado e depois vai tirando os excessos. E pode mudar tudo no meio. No caso do Papai Noel, o segredo foi encontrar o tom certo. Numa cena, ele é um cara poderoso; em outra, quase infantil”, comenta Baldwin.

Enche os olhos a sutileza com que o 3D foi levado para a narrativa. As cenas na neve, com flocos chegando ao espectador, refletem bem o lirismo que o filme quer passar. Inegavelmente, trata-se de um produto para o público infantil, mas Ramsey acredita no poderio do imaginário da infância. “A origem dos guardiões têm um quê de nostalgia. O adolescente ou adulto já experimentou aqueles sentimentos antes. A ideia geral é continuar acreditando em alguma coisa. Se formos analisar pelo lado do entretenimento, o que tentamos fazer foi criar um grupo de heróis que tenha algo a dizer nos dias de hoje”, conclui Ramsey. 

A repórter viajou a convite da Paramount

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