Espaços alternativos apostam no interesse público por novos estilos de cinema

por Walter Sebastião 15/11/2012 07:00

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Maria Tereza Correia/EM/D.A Press
"O desejo é que uma pessoa chegue e entre, independentemente de ter referência sobre o filme, certa de que vai ver algo bom", diz o programador do Centro Cultural Centoequatro, Daniel Queiroz. (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)

Existe um circuito de cinema em Belo Horizonte que anda seduzindo o público. Pequenas salas, abrigadas em centros culturais, dedicadas à exibição de filmes que cultivam valores artísticos.
Muitos deles são obras premiadas, com boas críticas e repercussão ampla, mas que não são lançadas na rede das grandes salas de shopping. Um pouco pelo perfil dos filmes – geralmente, obras esteticamente diferentes, seja na forma ou no conteúdo –, vários locais realizam também trabalho de formação de público. Depois do choque com o fechamento de duas casas reconhecidas do setor (o Cineclube Savassi e o Usina), começam a surgir outros endereços, que se somam aos já tradicionais Belas Artes e Cine Humberto Mauro. 

“Queremos ser sala inserida no circuito exibidor da cidade”, avisa Daniel Queiroz, de 38 anos, programador da sala de cinema do Centro Cultural Centoequatro. O projeto é trabalhar com lançamentos de filmes selecionados pela qualidade. “O desejo é que uma pessoa chegue e entre, independentemente de ter referência sobre o filme, certa de que vai ver algo bom”, explica. “As pessoas assistem a filmes diferentes e ficam encantadas, descobrem que nem todo filme que não é de Hollywood é chato”, observa, contando que o local vai privilegiar a diversidade. É sala também diferente na organização do espaço interno. A primeira fileira é de pufs, para que se possa ver o filme deitado. O público pode entrar com cerveja e comida, mas tendo o cuidado de não incomodar os outros frequentadores. “É sala liberal”, brinca o programador.

O Sesc Palladium anda feliz da vida com o bom resultado trazido pela mostra dedicada ao diretor francês Jacques Tati, que levou ao local muita gente – e não só de aficionados pelo cinema. “Queremos a mesma movimentação o tempo todo”, conta Milena Pedrosa, gerente do Sesc. A decisão de ter no local uma sala de cinema, além de remeter ao projeto de investir em todas as artes, evoca o fato de o local ter sido originalmente ocupado pelo Cine Palladium. A programação, de acordo com a gerente, se volta para obras relevantes, que contribuem para o aprimoramento do olhar do público. “Quanto mais consistente ficar o circuito das pequenas salas, mais o público vai prestigiar”, avalia Milena. A sala recebeu o nome de José Tavares de Barros, em homenagem ao professor de cinema da UFMG, responsável por despertar paixão pela sétima arte em várias gerações de cinéfilos de Belo Horizonte.

No bar

Leandro Couri/EM/D.A Press
"Venham conhecer o que se faz de bom no Brasil. Há desde comédias com atores globais até produção artística de excelente qualidade", convida a curadora de audiovisual do bar e cinema CCCP, Júlia Nogueira. (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Existe em Belo Horizonte um bar-cinema ou vice-versa. É o Cult Club Cine Pub (CCCP). O local exibe filmes aos domingos, às 18h30. Já mostrou curtas e está começando a exibir longas. “Vimos os cinemas de rua acabando, virando igrejas e estacionamentos, até ficar só o Belas Artes. Está surgindo um novo circuito”, observa Júlia Nogueira, curadora de audiovisual do CCCP, considerando que o fato indica que há público interessado no cinema alternativo e independente. Para que a empreitada seja vitoriosa, pondera Júlia, há desafios: existência de produção mais forte dos independentes e espaço para os filmes. “E conquistar o público”, acrescenta.
“Venham conhecer o que se faz de bom no Brasil. Há desde comédias com atores globais até produção artística de excelente qualidade”, garante.

“Vamos intensificar a programação”, anuncia Marta Guerra, diretora do Centro de Cultura Belo Horizonte (CCBH). O projeto prevê aumento do número de sessões e quadro de horários, mostra de filmes articulada com eventos em diversas áreas, programação de sessões comentadas. “O cinema ajuda na compreensão do cultura contemporânea, sintetiza aspectos dela, faz com que a pessoa se veja no contexto”, observa. 

Ser espaço dedicado à arte contemporânea é o que faz com que o Oi Futuro também cultive o cinema de arte. “É a nossa linguagem”, afirma Sérgio Vaz, coordenador do local, enfatizando opção por estéticas inovadoras. Depois de mostras dedicadas a novos diretores, ele anuncia, para janeiro, evento dedicado ao cineasta Jean-Luc Godard, considerado o inventor do cinema contemporâneo.

OUTRO OHAR

l CentoeQuatro
Praça Rui Barbosa, 104, Centro, (31) 3222-6457. Criado em 2012. Sala com 80 lugares. Geralmente, são três sessões, a primeira às 17h, de terça a domingo. 
l R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

l Cult Club Cine Pub (CCCP)
Rua Levindo Lopes, 358, Savassi, (31) 3582-5628. Criado em 2012. Sala para 70 pessoas. Sessões aos domingos, às 18h30. 
l Entrada franca.

l Sesc Palladium
Av. Augusto de Lima, 420, Centro, (31) 3279-1500 e 3214-5350. Criado em 2011. Sala com 82 lugares. Sessões de quinta a domingo, a partir das 19h, e aos sábados e domingos a partir das 17h. l Entrada franca.

l Cineclube Oi Futuro
Avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras, (31) 3229-3131. Criado em 2011. Sala com 38 lugares. Sessão infantil às 16h e para adultos às 19h. 
l Entrada franca.

l Centro de Cultura 
Belo Horizonte
Rua da Bahia, 1.149, Centro, (31) 3277-4384. Curtas-metragens às quartas-feiras, às 12h30; mostras, com quatro ou cinco filmes, uma vez por mês, às 19h. 
l Entrada franca.

l Belas Artes
Rua Gonçalves Dias, 1.581, Lourdes, (31) 3252-7232. Sessões a partir das 14h30 até 21h30. 
l Ingressos de R$ 12 a R$ 16. 

l Sala Humberto Mauro
Av. Afonso Pena, 1.537, Centro 
(31) 3236-7400, no Palácio das Artes. Sessões todos os dias, geralmente a partir das 17h. 
l Entrada franca, com retirada dos ingressos com 30 minutos de antecedência.

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