Começa em Belo Horizonte a sétima edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul

Programação tem 37 filmes, com exibição gratuita, no Cine Humberto Mauro

por Ailton Magioli 13/11/2012 08:51

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Mostra Cinema e Direitos Humanos/Divulgação
O filme Elvis & Madona, de Marcelo Laffitte, amplia o conceito de direitos humanos além dos temas políticos e de violência policial, com foco na questão de gênero (foto: Mostra Cinema e Direitos Humanos/Divulgação)
 

Ainda que haja tanta coisa urgente para ser resolvida – desigualdade, racismo, preconceito etc. –, a realização da 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul em 26 capitais brasileiras, incluindo Belo Horizonte, e no Distrito Federal, é importantíssima para Marcelo Laffitte. Fluminense de Volta Redonda (RJ), o diretor penou para conseguir recursos para rodar Elvis & Madona, que só chegaram via concurso destinado a obras de baixo orçamento do Ministério da Cultura (MinC). Leia também:

 

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São Gonçalo do Rio Abaixo ganha festival de cinema Exposição de filmes e vídeos no Palácio das Artes reúne obras do Instituto Itaú Cultural Por mais de uma década, o projeto do longa sobre a questão de gênero, que relata a relação de um travesti e uma lésbica, foi visto como “filme de veado” por potenciais patrocinadores. “O cinema podia estar sendo usado para apontar novas formas de sociedade”, reivindica Marcelo Laffitte, para quem o que é visto nas telas brasileiras, atualmente, não passa da reprodução da estética holywoodiana. A Mostra Cinema e Direitos Humanos que estreia hoje, no Cine Humberto Mauro, do Palácio das Artes, vai exibir 37 filmes, representando oito países da América do Sul, incluindo títulos inéditos por aqui. O grande homenageado do ano é o paulistano Eduardo Coutinho, de 79 anos. Um dos mais importantes documentaristas em atividade, o diretor terá Cabra marcado para morrer (1984), Santo forte (1999) e O fio da memória (1991) exibidos na mostra. Recém-anistiado “post mortem” pelo governo brasileiro, o ex-guerrilheiro Carlos Marighella é tema de documentário da diretora Isa Grinspum Ferraz. Já Helvécio Ratton comparece com o elogiado Batismo de sangue. Depois de estrear com exibições simultâneas em quatro capitais, a Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul passou para oito, estendendo-se a 26 capitais e ao DF a partir do ano passado. “Este ano, ela ainda se desdobra em ações junto a escolas e espaços públicos”, comemora o curador Francisco César Filho, à frente da promoção desde a terceira edição. Ao longo dos anos, o evento foi se tornando importante para produtores e distribuidores cinematográficos do Brasil e da América do Sul. “Se antes tínhamos dificuldades de convencê-los a participar da mostra, hoje nós somos procurados”, comemora o curador. Além da ampliação da percepção do próprio público do que são os direitos humanos – não apenas questões políticas e policiais, mas também as de meio ambiente, educação, alimentação e tantas mais passaram a integrar o rol do setor –, os cinemas brasileiro e sul-americano também passaram a se dedicar mais à temática, de acordo com Francisco César Filho, trazendo dados da sociedade na qual ele é produzido. “Isso acaba distinguindo o nosso cinema do que é feito no mundo inteiro”, acredita o curador da mostra.

Mostra Cinema e Direitos Humanos/Divulgação
Eduardo Coutinho é homenageado e terá três filmes exibidos: Cabra marcado para morrer, Santo forte e O fio da memória (foto: Mostra Cinema e Direitos Humanos/Divulgação)

Inéditos Títulos que ainda não estrearam no circuito comercial brasileiro, como os longas-metragens Hoje, de Tata Amaral, e O dia que durou 21 anos, de Camilo Tavares, estão na programação. O primeiro aborda reflexos atuais de fatos ocorridos durante a ditadura militar e reúne no elenco Denise Fraga e o ator uruguaio Cesar Troncoso. Trata-se do vencedor do Festival de Brasília, no qual levou os prêmios de melhor filme e de melhor atriz, entre outros. Já O dia que durou 21 anos revela documentos secretos que confirmam articulações de governos norte-americanos para a derrubada do presidente João Goulart, seguida do golpe que resultou na ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Também inédito por aqui, o colombiano Chocó, de Johnny Hendrix Hinestroza, foi originalmente lançado no Festival de Berlim deste ano, transformando-se em sucesso imediato de público em seu país de origem, onde meio milhão de pessoas assistiram ao filme. Na tela, problemas como desemprego, desalojamento e violência doméstica. Indicado oficial do Uruguai ao Oscar de melhor filme estrangeiro, A demora, de Rodrigo Plá, apresenta o drama de uma mulher que acaba tomando atitude drástica depois de não conseguir internar o pai em um asilo. Campeão de bilheteria no Equador, o documentário Com o meu coração em Yambo, de Maria Fernanda Restrepo, também faz pré-estreia brasileira via mostra, narrando a trajetória de uma família que, ao fugir da Colômbia, acaba com dois de seus filhos sequestrados e desaparecidos no Equador. 7ª MOSTRA CINEMA E DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA DO SUL Até domingo, no Cine Humberto Mauro, Av. Afonso Pena, 1.537, Centro. Entrada franca, mediante distribuição de senhas para os 136 lugares meia hora antes da exibição. Informações: (31) 3236-7400. >> PROGRAMAÇÃO TERÇA-FEIRA 15h – Sessão de audiodescrição fechada – Extremos, de João Freire (Brasil, 24min, 2011, doc.) e À margem da imagem, de Evaldo Mocarzel (Brasil, 72min, 2003, doc.). Classificação indicativa: 10 anos 17h – Sessão de audiodescrição fechada – Santo forte, de Eduardo Coutinho (Brasil, 80min, 1999, doc.). 12 anos 19h30 – Sessão de abertura – A fábrica, de Aly Muritiba (Brasil, 16min, 2011, fic.) e Hoje, de Tata Amaral (Brasil, 87min, 2011, fic.). 14 anos QUARTA-FEIRA 15h – Uma, duas semanas, de Fernanda Teixeira (Brasil, 17min, 2012, fic.) e A demora, de Rodrigo Plá (Uruguai/França/México, 84min, 2012, fic). 10 anos 17h – Estruturas metálicas, de Cristian Vidal L. (Chile, 47min, doc.) e Saia se puder, de Mariano Luque (Argentina, 66min, 2012, fic. ). 12 anos 19h – Elvis & Madona, de Marcelo Laffitte, Brasil, 105min, 2010, fic.). 12 anos 21h – Com o meu coração em Yambo, de Maria Fernanda Restrepo (Equador, 137min, 2011, doc.). 10 anos QUINTA-FEIRA 15h – Olho de boi, de Diego Lisboa (Brasil, 19min, 2011, fic.), Funeral à cigana, de Fernando Honesko (Brasil, 15min, 2012, fic.) e Carne e osso, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros (Brasil, 52min, 2011, doc.). 12 anos 19h30 – Justiça, de Andrea Ruffini (Bolívia/Itália, 34 min, 2010, doc.) e Último chá, de David Kullock (Brasil, 97min, 2012, fic.). 12 anos 21h30 – Cabra marcado para morrer, de Eduardo Coutinho (Brasil, 119min, 1984, doc.). 12 anos SEXTA-FEIRA 15h – Virou o jogo: A história das pintadas, de Marcelo Villanova (Brasil, 15min, 2012, doc.) e Chocó, de Johnny Hendrix Hinestroza (Colômbia, 80min, 2012, fic.). 16 anos 17h – O garoto que mente, de Marité Ugás (Venezuela, 99min, 2011, fic.). 12 anos 19h – Menino do cinco, de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira (Brasil, 20min, 2012, fic.), Maria da Penha: um caso de litígio internacional (foto), de Felipe Diniz (Brasil, 13min, 2011, doc.) e Silêncio das inocentes, de Ique Gazzola (Brasil, 52min, 2010, doc.). 12 anos 21h – Batismo de sangue, de Helvécio Ratton (Brasil, 110min, 2006, fic.). 14 anos SÁBADO

 

14h – Disque quilombola, de David Reeks (Brasil, 14min, 2012, doc.), Vestido de Laerte, de Claudia Priscilla, Pedro Marques (Brasil, 13min, 2012, fic.), A galinha que burlou o sistema, de Quico Meirelles (Brasil, 15min, 2012, doc./fic.) e O veneno está na mesa, de Silvio Tendler (Brasil, 50min, 2011, doc.). 10 anos 16h – Porcos raivosos (foto), de Isabel Penoni e Leonardo Sette (Brasil, 10min, 2012, fic.), O cadeado, de Leon Sampaio (Brasil, 12min, 2012, fic.) e Dez vezes venceremos, de Cristian Jure (Argentina, 75min, 2011, doc.). 16 anos 18h – Juanita, de Andrea Ferraz (Brasil, 8min, 2011, doc.) e O dia que durou 21 anos, de Camilo Tavares (Brasil, 77min, 2012, doc.). 10 anos 20h – A fábrica, de Aly Muritiba (Brasil, 16min, 2011, fic.) e Hoje, de Tata Amaral (Brasil, 87min, 2011, fic.). 14 anos DOMINGO 16h – O fio da memória, de Eduardo Coutinho (Brasil, 115min, 1991, doc.). Livre 18h – Cachoeira, de Sérgio Andrade (Brasil, 14min, 2010, fic.), Paralelo 10, de Silvio Da-Rin (Brasil, 87min, 2011, doc.). 16 anos 20h – Marighella, de Isa Grinspum Ferraz (Brasil, 100mi, 2012, doc.). 10 anos



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