Malditos cartunistas conta a história de artistas que divertem os brasileiros desde os anos 1960

Esses filósofos do cotidiano registram a história do país

por Walter Sebastião 11/11/2012 08:49

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MATIAS MAXX/DIVULGACAO
Daniel Garcia e Daniel Paiva dirigiram o filme que dá voz e rosto a profissionais adorados pelo público (foto: MATIAS MAXX/DIVULGACAO)
Desenhistas de humor são artistas onipresentes em nosso cotidiano, têm milhares de fãs e estão nas páginas mais importantes (inclusive editoriais) de jornais e revistas. Entretanto, mal se conhece o rosto deles. Muitas vezes, nem sequer se sabe o nome do autor daqueles traços. Essa turma ganha seu primeiro retrato no filme Malditos cartunistas, de Daniel Paiva e Daniel Garcia, que estreia hoje – com festa – em BH. A sessão está marcada para as 18h30, no espaço cultural CCCP. Quarta-feira, o documentário será exibido na Mostra de São Gonçalo do Rio Abaixo. Em dezembro, chega a Itabira.

O filme oferece um panorama do cartum nacional desde a década de 1960, com direito a pequenas animações. Criadores notáveis enchem a tela: Ziraldo, Angeli, Nani, Jaguar, Mauricio de Sousa, Lourenço Mutarelli, Laerte, Reinaldo, Adão Iturrusgarai, Allan Sieber, André Dahmer, Arnaldo Branco, Caco Galhardo, Chiquinha, Danilo, Fábio Zimbres, Fernando Gonsales, Guazzelli, Leonardo, Marcatti, Márcio Baraldi, Ota, Reinaldo, Schiavon e Spacca.

O documentário traz material raro: uma das últimas entrevistas de Glauco (1957-2010), o criador de Geraldão. “Gênio dos quadrinhos brasileiros, ele influenciou Angeli e Laerte, que influenciaram todo mundo em atividade atualmente. A entrevista é uma preciosidade”, avisa o diretor Daniel Paiva.

Danieis Entretenimento/Divulgação
ANgeli é um dos personagens do documentário (foto: Danieis Entretenimento/Divulgação)
Cartunistas são tão “anônimos” que os cineastas só conheceram o rosto de alguns deles por causa do filme. “Eles são reclusos, na deles”, conta Daniel Paiva. “E todos meio malucos”, acrescenta. Mas a maluquice de um é diferente da do outro, observa. Esses artistas costumam trabalhar sozinhos em casa ou no imóvel ao lado de sua residência. Eles estão na mídia por suas criações – e não como famosos.

“Conhecemos as opiniões e a visão de mundo deles pelos desenhos. Cartunista é um filósofo do dia a dia. Em uma das mãos ele tem a verdade; na outra, bosta. Está sempre pronto para avacalhar tudo”, garante Paiva.

Figuraça

O projeto inicial da dupla de diretores era fazer um perfil dos humoristas. “Mas cartunista não tem perfil, é figuraça”, observa Daniel Garcia. A turma tem rotina pesada e ganha pouco. “Ninguém é abastado”, garante o cineasta. Muitas vezes, esses profissionais são obrigados a fazer vários trabalhos ao mesmo tempo.

Tradicional no Brasil, a atividade é pouco valorizada. Os “Daniéis” avisam: há vários novos artistas talentosos no país, movidos pelas possibilidades de criação e distribuição oferecidas pelo computador. A informática, aliás, facilitou a vida desse pessoal.

Encrenca

Malditos cartunistas é o primeiro filme brasileiro a dar voz – e cara – a esses artistas. Conversas descontraídas com momentos hilariantes revelam o universo pessoal e artístico de gente que brinca com encrencas e, às vezes, paga preço alto por isso.

“Os depoimentos contam um pouco da história de nosso país”, resume Daniel Paiva. Isso é: da repressão do governo militar ao Pasquim à “censura” contemporânea do politicamente correto. “O Brasil faz piada com tudo. Não é para nos levar a sério”, recomenda Daniel Garcia. Hoje à noite, no CCPP, os dois diretores farão discotecagem na festa de lançamento do documentário.

Malditos cartunistas foi exibido em diversos festivais de cinema. Ganhou o prêmio do júri popular no Rio de Janeiro e de melhor documentário em Petrópolis. Vem sendo apresentado em eventos como salões de humor, mostras de quadrinhos e feiras de literatura.

Faça você mesmo

Daniel Paiva garante: todo mundo pode fazer cartum. É fundamental ter uma boa ideia, mas não é preciso saber desenhar. Basta pegar uma foto na internet e acrescentar o texto dentro do balão. Crie um blog, faça um post, e, em pouco tempo, alguém vai conferir o seu trabalho. Essa dica vem dos editores da revista Tarja Preta. Entretanto, algo é fundamental: “Personalidade, verve”, ensina Daniel Paiva. “O trabalho fica bom quando é instigante, mas o essencial é ser divertido”, aconselha Daniel Garcia. Blogs de humor são a onda do momento. Duvida? Confira na internet: há dezenas deles e vários atraem milhões de acessos.

FESTIVAL


Malditos cartunistas será exibido quarta-feira, no Cine São Gonçalo, durante o Festival de São Gonçalo do Rio Abaixo, cidade da Região Central que fica a 85 quilômetros de Belo Horizonte. De terça-feira a domingo que vem, serão exibidos 22 curtas e longas-metragens, com entrada franca.

A programação inclui shows e peças de teatro. O público poderá conferir os filmes Rio, de Carlos Saldanha; Corda bamba, de Eduardo Goldenstein; Eu e meu guarda chuva, de Toni Vanzolini; À beira do caminho, de Breno Silveira; e Xingu, de Cao Hamburguer. Informações: (31) 3833-5115.

Série na TV

Malditos cartunistas tem 93 minutos retirados de 60 horas de filmagem. Desse material veio a série televisiva batizada com o nome do documentário, exibida pelo Canal Brasil, às quartas-feiras, às 18h45. Daniel Paiva conta que a primeira versão do filme tinha 150 minutos. Ele, Daniel Garcia e Matias Maxx são editores da revista Tarja Preta, criada em 2004. Cansado de ver HQs pelo computador, o trio resolveu criar um produto em papel.

MALDITOS CARTUNISTAS

Filme dee Daniel Paiva e Daniel Garcia. Neste domingo, às 18h30, será exibido no CCCP, Rua Levindo Lopes, 358, Savassi, (31) 3582-5628. Às 20h, festa com o DJ Daniel Juca e o projeto de live p.a. Tarja Preta Sound System, com Daniel Paiva no trompete. R$ 15

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