O monge propõe temas polêmicos, mas não consegue manter o clima de mistério

Vincent Cassel interpreta o monge capuchinho que vive nas redondezas de Madri no início do século 17

por Mariana Peixoto 26/10/2012 07:00

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Califórnia Filmes/Divulgação
(foto: Califórnia Filmes/Divulgação)
 

 

Uma noviça que tem um terrível segredo revelado é abandonada à própria sorte numa cela. Uma garota com uma fé impressionante acaba despertando a paixão em um jovem. E um rapaz que teve seu rosto destruído num incêndio e vive atrás de uma máscara é enviado para viver num mosteiro. Os três personagens acabam sendo determinantes para que Ambrosio, personagem-título de O monge, teste sua própria virtude. Veja mais fotosdo filme Confira os horários das sessões

 

Vincent Cassel interpreta o monge capuchinho que vive nas redondezas de Madri no início do século 17. Abandonado ainda bebê em frente a um mosteiro, é criado sob o rigor da Igreja Católica da época. Sem quaisquer vínculos com os pais, ele carrega como identidade uma marca de nascença, que muitos creditaram, quando de seu nascimento, a uma relação com o demônio. Mas, contrariando a tudo e a todos, Ambrosio cresce e de destaca no mosteiro como um pregador firme em seus ideais e com fé inabalável. Acaba por levar pequenas multidões das redondezas para suas pregações.

 

Adaptado do conto homônimo de Matthew G. Lewis, O monge tem direção do alemão Dominik Moll. Em discussão, temas caros e muito presentes em obras que tratam de instituições religiosas, como castidade, vocação, crueldade, incesto, exorcismo. No início da narrativa, um homem, em confissão a Ambrosio, admite a violação constante da jovem sobrinha. O silêncio com que o confessor recebe as notícias é seguido de um questionamento: estaria ele acima dos outros ou seria também um pecador?

 

A partir disso, e do aparecimento das personagens citadas acima, o cenário está montado para o velho embate entre bem (a virtude) e mal (a tentação carnal). Há uma tentativa de criar suspense, graças à luz (ou melhor, à ausência dela), à trilha sonora bastante e ao ambiente do monastério com tons lúgubres. No entanto, isso não impede que a narrativa esbarre em situações fáceis. Momentos de tensão são facilmente resolvidos, por exemplo.

 

Cassel, por seu lado, consegue o tom certo ao personagem dúbio, por meio da voz e da postura. Isso, contudo, não consegue evitar as situações clichê. Um espectador um pouco mais atento vai descobrir o fim da história ainda no meio da narrativa. O que é um anticlimax para um filme que se propõe a, além de discutir temas polêmicos, fazê-lo com uma aura de mistério. Assista ao trailer do filme:



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