Sucesso dos anos 1970, a atriz holandesa Sylvia Kristel morreu em Amsterdã, vítima de um AVC

Musa é onhecida no mundo todo por sua atuação no filme erótico Emmanuelle

19/10/2012 08:37

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AFP
Foto de setembro de 2000, em Amsterdã, cidade que escolheu para viver depois de morar na Califórnia (foto: AFP)
A atriz holandesa Sylvia Kristel, mais conhecida por sua atuação em filmes "pornô suaves" dos anos 1970, morreu enquanto dormia, na noite de quarta para quinta-feira, em Amsterdã, Holanda, aos 60 anos. Ao longo de 30 anos de carreira, ela estrelou mais de 50 filmes internacionais. Porém, foi alçada à fama aos 22 anos com Emmanuelle, em 1974, história erótica ambientada em Bangcoc, Tailândia, sobre uma dona de casa entediada, seu marido, e muitos amantes. Dirigido por Just Jaeckin, o filme francês teve orçamento de US$ 500 mil e arrecadou US$ 100 milhões. Em alguns países, como França e Japão, permaneceu mais de uma década em cartaz. Depois disso, ela trabalhou com diretores como Alain Robbe-Grillet, Claude Chabrol e Roger Vadim. Filmes posteriores incluem The nude bomb (1980) e Private lessons (1981). Também estrelou a versão cinematográfica de 1991 do romance de D. H. Lawrence O amante de lady Chatterley. “Sylvia Kristel foi conhecida por seu trabalho erótico, mas podia fazer muito mais do que isso", disse a sua agente, Marieke Verharen. "Ela é a atriz holandesa mais famosa que existiu," completou. Antes de adoecer recentemente, ela se preparava para um papel em uma produção teatral de Amsterdã da peça Garotas do calendário, de Tim Firth. Sua última atuação no cinema foi em uma produção para a TV italiana, em 2010, sobre o trio de cantoras holandesas que eram populares no período entre guerras na Itália. A atriz deixa o filho Arthur, nascido em 1975, fruto de seu relacionamento com o romancista belga Hugo Claus. Nascida em Utrecht, em 28 de setembro de 1952, Sylvia Kristel foi colocada por seus pais, aos 11 anos, em um pensionato religioso, onde se destacava nos estudos. Mas ela ficou mais conhecida por sua beleza, ganhando o concurso Miss TV Europa em 1973. A jovem de olhar ingênuo e de silhueta perfeita ganhou notoriedade pelo papel principal no filme erótico, dirigido pelo fotógrafo Just Jaeckin. Imagem Emmanuelle foi o maior sucesso francês de 1974. Sylvia Kristel tentou se afastar depois da imagem de atriz de filmes porno soft para trabalhar com grandes nomes do cinema. Tanto assim que atuou em filmes franceses como Un linceul n’a pas de poches, de Jean-Pierre Mocky, e A mulher fiel, de Roger Vadim. Mas, entre essas participações, ela teve de honrar seus contratos e gravou uma primeira sequência de Emmanuelle (A antivirgem). Em 1976, ela participou de O gângster, de Francis Girod, contracenando com Gérard Depardieu, e de Alice ou la dernière fugue, de Claude Chabrol. Mas sua imagem de atriz sensual passou a acompanhá-la e ela se limitou a papéis menores ou em filmes ligeiramente libertinos. Em 1981, Kristel reencontra Just Jaeckin em O amante de lady Chatterley e, depois, atuou em Mata Hari, Casanova e Hot blood, assim como em outras sequências da série Emmanuelle, como "atriz convidada". A partir dos anos 1990, sua carreira perdeu a intensidade, em consequência de seus problemas com álcool e drogas. Ela confessou ter feito escolhas erradas nos anos 1980, atuando em filmes apenas para satisfazer seu vício em cocaína. A atriz relatou problemas financeiros que enfrentou, a saúde cada vez mais debilitada e a série de divórcios em sua autobiografia Nue (Nua), de 2006. Mesmo assim, ela ainda atuava em diversos filmes holandeses e em pequenas produções europeias. Kristel chegou a ser bem-sucedida com suas pinturas e desenhos. Também ilustrou textos de Claus e do francês Roland Topor. Ela vivia em Amsterdã, depois de ter morado por muito tempo na Califórnia (EUA). Ingênua Para o cineasta Just Jaeckin, Kristel nunca aprendeu a viver com a fama e virou prisioneira das fantasias e dos desejos das quase 350 milhões de pessoas que assistiram o filme nos primeiros anos após o lançamento. O diretor prestou homenagem à sua musa, a quem classificou de "mulher maravilhosa", que foi suplantada pelo sucesso de seu filme. "Infelizmente, eu estava esperando por isso, mas também estou aliviado porque ela não tem mais que sofrer", declarou, insistindo que "Sylvia era uma mulher maravilhosa, muito pura, muito ingênua: a força de Emmanuelle foi muito difícil para ela". Um fenômeno social Emmanuelle foi uma espécie de fenômeno que seduziu uma geração. Um dos maiores sucessos cinematográficos de 1974, foi visto no cinema por 50 milhões de espectadores do mundo inteiro, e até 350 milhões se forem consideradas outras mídias. "Esse filme abriu as válvulas", afirmam os produtores, num momento em que, na década de 1970, muitos países estavam ansiosos para virar as costas para um forte moralismo. Em Atenas, Grécia; Caracas, Venezuela, e em outras capitais, houve tumultos durante as exibições. Pela primeira vez, casais fizeram filas para ver um filme erótico, que muitos chegaram ao limite de considerar um filme de arte experimental. Em Paris, o cinema Champs-Elysées acabaria exibindo o filme por incríveis 553 semanas. O filme foi adaptado de best-seller erótico de mesmo nome escrito por Emmanuelle Arsan, em 1959. O produtor Yves Rousset-Rouard, ansioso para entregar o projeto para um jovem diretor, abordou o talentoso fotógrafo Just Jaeckin, entusiasmado em filmar um longa-metragem. Foi também o longa que marcou a estreia da francesa Christine Boisson no cinema. Ela aparece no papel de Marie-Ange, uma menina bastante atrevida. O francês Alain Cuny concordou em participar do filme na condição de que seu nome passasse despercebido nos créditos. Mas, com a explosão e o sucesso do filme, o ator acabou protestando porque seu nome não estava em destaque. Durante sua passagem pela comissão de censura, em 1974, o filme foi obrigado sofrer certos cortes. Mas, com a morte do presidente francês Georges Pompidou, um novo secretário de Estado da Cultura, Michel Guy, foi nomeado e permitiu que o filme chegasse na íntegra aos cinemas. Na estreia do filme, Sylvia Kristel foi, entre outros insultos, tratada como vadia e submetida a todos os tipos de rumores, como a história de que mantinha um romance com o presidente Valéry Giscard d’Estaing. "É mentira. Além disso, eu era 100% Mitterrand", protestou a atriz. Saiba mais a doença Sylvia Kristel havia sido internada em julho, em um hospital de Amsterdã, depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). A atriz fazia tratamento contra um câncer de garganta há 10 anos, mas precisou interromper o processo pouco antes da internação, devido a seu estado delicado. Ela estava sendo submetida a tratamento contra metástase no fígado.

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