Festival de Cinema de Brasília teve festa pernambucana

Diretor mineiro levou troféu de documentário com Otto

por Fernanda Machado 25/09/2012 11:41

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Valter Campanato/ABr
(foto: Valter Campanato/ABr)

Os diretores Marcelo Gomes e Marcelo Lordello fizeram uma festa pernambucana na noite de premiação do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, dividindo o principal prêmio das mostras competitivas - melhor longa-metragem de ficção. Minas Gerais também ganhou destaque, com o prêmio de melhor longa-metragem documentário entregue a Otto, de Cao Guimarães.

Era Uma Vez Eu, Verônica, de Marcelo Gomes, apresentou o universo particular de uma médica recém-formada que vive uma crise existencial, revelando questionamentos universais sobre o cotidiano em uma cidade grande (Recife).

Eles Voltam, de Marcelo Lordello, retrata problemas sociais cotidianos ao longo da história de uma menina de 12 anos, vivida pela atriz Maria Luiza Tavares, e seu irmão mais velho, que vivem experiências e aventuras no retorno para casa, depois de serem deixados na estrada por seus pais, durante uma viagem em família.

Para Gomes, o empate reforça a força do cinema pernambucano. “Acho que tem uma garra muito grande e o desejo de fazer cinema, uma vontade de refletir sobre o que é viver fora do eixo Rio-São Paulo. O Brasil não é uma Via Dutra. É mais do que isso”, avaliou. Gomes, que elenca a garra e o diálogo entre os cineastas pernambucanos e a lei de fomento estadual como ingredientes do sucesso, acrescentou que os diretores e produtores entram, a partir de agora, em nova fase.

“Temos que atingir as salas do Brasil todo. Esse é o grande desafio. Acho que tantos os distribuidores quanto os exibidores têm de acreditar no nosso cinema e o governo fomentar a ida às salas de exibição no Brasil inteiro. A gente precisa formar plateias porque o nosso cinema é o espelho da nossa cultura, nossa identidade. Este país só vai reconhecer sua cultura fortemente quando tiver um cinema forte e que combata o Batman. Espero que Verônica tire o Batman de cartaz”, disse, aos risos.

O filme de Marcelo Gomes também foi vencedor do prêmio de júri popular, como melhor longa-metragem de ficção, e recebeu as premiações oficiais de melhor roteiro, melhor fotografia, melhor trilha sonora e melhor ator coadjuvante pela atuação de W.J. Solha. Era Uma Vez Eu, Verônica também foi vencedor do Prêmio Vagalume, de cinema para cegos.

Valter Campanato/ABr
Marcelo Gomes (esq.) e o xará, Marcelo Lordello, dividiram o prêmio principal (foto: Valter Campanato/ABr)
Lordello comemorou a vitória com a certeza de ter conseguido registrar o alerta para questões sociais que o filme aborda, como as desigualdades presentes no país. “Acho que estamos mandando o recado. É meu primeiro longa e vamos continuar a fazer cinema que quer tocar as pessoas e seguir arriscando”. Eles Voltam também foi vencedor do prêmio da crítica, como melhor longa-metragem geral. As atrizes Elayne de Moura e Maria Luiza Tavares receberam o prêmio de melhor atriz coadjuvante e melhor atriz.

Otto
A premiação de longas-metragens documentários apresentados durante o 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro revelou a divisão do júri oficial entre duas produções. O vencedor do principal prêmio da noite, Otto, escolhido como melhor longa-metragem documentário, ainda levou mais três troféus para o cinema mineiro. As conquistas contemplaram a trilha sonora, a fotografia e o som da trama que, em 70 minutos, mostrou a declaração de amor do diretor Cao Guimarães à mulher e ao filho. O documentário retrata o processo de gravidez e de nascimento do filho em tom de celebração à vida.

Na mesma disputa, Elena, uma produção mista realizada em São Paulo e Minas Gerais, também levou quatro prêmios, incluindo o de júri popular. “Me surpreendeu muito ganhar o júri popular. Mas eu tinha esperança de que isso pudesse acontecer, porque as poucas pessoas que tinham visto o filme antes se emocionaram”, disse a diretora Petra Costa.
O filme de Petra conta a trajetória da própria diretora e sua mãe, que tentam reencontrar a irmã Elena em Nova York. Em um período em que o cinema brasileiro perdeu força, Elena, que sonhava em ser atriz de cinema, deixa a família no Brasil em busca do sonho, mas enfrenta dificuldades e acaba se matando.

A diretora, que ainda não tem um distribuidor para colocar a trama em circuito nacional, confessou que espera que a premiação do Festival de Brasília abra portas inclusive para festivais internacionais. “O filme está começando a carreira agora”.

A Mão Que Afaga
A cineasta paulista Gabriela Amaral Almeida foi premiada por seis vezes, com seu curta-metragem de ficção A Mão Que Afaga. Em pouco menos de 20 minutos, a produção conta o desafio vivido por uma mãe que planeja o aniversário de 9 anos do único filho. A diretora disse que terá pouco tempo para celebrar a vitória, já que está  preparando o primeiro longa-metragem de sua carreira. A produção, em fase de captação de recursos e aprimoramento de roteiro, terá como título Semente e conta a história de uma menina que tenta trazer a mãe morta de volta à vida.

Na categoria de curta-metragem documentário, a gaúcha Liliana Sulzbach dominou a festa com três premiações. Com A Cidade, a diretora levou para o Rio Grande do Sul as estatuetas de melhor direção, melhor fotografia e melhor som. O prêmio de melhor curta-metragem documentário foi entregue aos diretores paulistas Thiago Mendonça e Rafael Terpins pelo filme A Guerra dos Gibis, que retratou o ínico da produção de quadrinhos eróticos no país, em plena ditadura militar.

Recordes
No total, foram inscritos mais de 600 filmes, recorde nos últimos 45 anos de festival. Quase 25 mil pessoas passaram pelas exibições, segundo cálculos da organização do evento. Pelas contas da organização do festival, nas 12 sessões das mostras competitivas, pelo menos 12 mil pessoas acompanharam as exibições.

Com informações da Agência Brasil

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