Mark Wahlberg, Ted e Mila Kunis: um triângulo amoroso que tinha tudo para não dar certo

Comédia cínica com toques de romantismo e fantasia até que é engraçadinha

por Carolina Braga 21/09/2012 09:46

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Universal Pictures/Divulgação
(foto: Universal Pictures/Divulgação)
 
Quando você pensa que vai assistir a um filme sobre um urso de pelúcia que fala e, por isso, há 27 anos é o melhor amigo de um marmanjão de 35, tudo leva a crer que se trata de mais uma comédia boba. Felizmente, o caminho é outro. Porém, vale dizer, é uma diversão sem grandes exigências intelectuais. 
Ted é uma comédia bastante cínica, movida a altas doses de ironia e críticas aos clichês pop – inclusive cinematográficos – dos anos 1980. Tudo começa com a câmera que parte do infinito até chegar à branca paisagem nevada de Boston, em 1985. Em tom quase onírico, o narrador dá a chave do que veremos a seguir. A história um tanto absurda de um garoto sem amigos que, ao ganhar um urso de pelúcia no Natal, expressa sempre o mesmo desejo nas noites com estrelas cadentes: que bom seria se Ted tivesse vida. 
Dirigido pelo estreante em longas-metragens Seth MacFarlane e protagonizado por Mark Wahlberg (O vencedor) e Mila Kunis (Cisne negro), o filme, ainda que disfarçadamente, diz muito sobre uma geração que se recusa a amadurecer. Na medida em que o rapaz cresce jurando fidelidade à amizade a um ser de pelúcia, tal apego o impede de virar homem de verdade. 
Funcionário medíocre de uma locadora de veículos John Bennett (Wahlberg) bem que tenta, mas não consegue abandonar comportamento adolescente. Sempre acompanhado do fiel escudeiro, John passa as tardes bebendo, se drogando e – não apenas assistindo – idolatrando Flash Gordon, Guerra nas estrelas e outros heróis da época. Tantas referências dizem, ainda que de maneira subentendida, o quão paradas no tempo aquelas figuras estão. 
Ted se tornou um urso de comportamento tosco, com ótimas tiradas. Por ser o único ser de pelúcia falante, vira celebridade em Nova York. A forma irônica como aborda não apenas a sua condição singular, mas tudo o que o ronda, é o que gera a graça. Dá para acreditar, por exemplo, que um urso de brinquedo teve tórridas noites de amor com a cantora Norah Jones? De tão absurdo, fica engraçado. O contraponto da história está na postura da namorada de John, Lori Collins (Mila Kunis). É ela quem coloca o rapaz na parede com o dramático “ou ele ou eu”.
O filme usa a técnica do live-action, ou seja, mistura cenas reais com animação para dar vida ao urso. No que se refere às atuações, Mark, Mila e até mesmo Norah Jones, em participação especial, não oferecem nada demais. Até Sam Jones, o eterno Flash Gordon, bate cartão em pequenas aparições hilárias. Ted, que inclusive é interpretado pelo diretor do filme, é quem dá o show. Ele é uma figura de comportamento tão autêntico e bizarro que convence. 
Ainda que não tenha grandes surpresas ou reviravoltas, é interessante como o roteiro brinca com a mistura de gêneros. Ted, o filme, é fantástico na medida em que faz acreditar em um urso de brinquedo que tem vida; é romântico quando tem um casal definindo os rumos da relação; é suspense quando envolve até um improvável sequestro; é ação com muitas cenas de aventura; e, por fim, é comédia porque faz rir de tudo isso. Confira o trailer do filme:


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