Filme de Selton Mello rodado em Minas Gerais, O palhaço vai brigar por vaga no Oscar

Equipe comemora a escolha para disputa da estatueta dourada

por Sérgio Rodrigo Reis 21/09/2012 09:11

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

 (Imagem Filmes/divulgação)
Paulo José e Selton Mello são os protagonistas do filme O palhaço, lançado em 2011 no Brasil (foto: (Imagem Filmes/divulgação))
O Ministério da Cultura escolheu O palhaço, dirigido e protagonizado por Selton Mello, para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira no ano que vem. O longa foi selecionado entre 16 inscritos. Na tarde desta quinta-feira, a equipe de O palhaço se reuniu na casa do ator e diretor Selton Mello. “Está uma loucura aqui”, contou ele, ainda meio confuso com tanta repercussão. “A disputa foi tão forte que não colocávamos fé. Mas esse filme se comunicou, conseguiu chegar ao coração do público e fez essa história. Agora é só trabalhar”, afirmou ele. Mesmo ciente de que o caminho até o Oscar é longo, árduo e difícil, o sentimento é de dever cumprido. “Estou feliz e emocionado demais. O palhaço é uma ode à minha profissão, um filme sonhador que faz sonhar quem dele se aproxima. É uma honra enorme representar o Brasil na corrida pelo Oscar”, afirmou Selton. O filme tem DNA mineiro. Selton nasceu em Passos e rodou as cenas no interior do estado. A produtora Vânia Catani é de Montes Claros. O elenco conta com dois conterrâneos da dupla: a atriz Teuda Bara, do Grupo Galpão, e Moacyr Franco, natural de Ituiutaba. Logo que a notícia se espalhou nas redes sociais, a primeira reação da produtora Vânia Catani foi de descrédito. Depois, enquanto a confirmação pipocava na internet, ela parou, respirou e resolveu caminhar. “Fiquei umas três horas andando pela trilha Bem-Te-Vi, perto do Pão de Açúcar”, conta. Quando chegou em casa, a ficha caiu, depois dos telefonemas dos colegas. “Estavam todos loucos”, resume. “Nos últimos dias, o tempo todo foi de frio na barriga”, confessa. Vânia sabia que a disputa seria difícil. “Em momento algum tínhamos conforto. Os concorrentes eram fortes. Imagine uma produtora do porte da minha Bananeira Filmes disputando com a O2, do Fernando Meirelles, um diretor com livre trânsito internacional... Se a comissão fosse racional, optaria por um filme como o dele, o Xingu”. Para a alegria de Vânia, houve outros requisitos além do pragmatismo. “Não houve consenso, levaram horas para escolher”, informa. Teuda Bara vibrou ao saber da indicação. “Amei fazer esse filme. O Selton foi uma gracinha. Enviou o roteiro com um bilhetinho: ‘Teuda, escrevi a dona Zaira para você’. Não queira saber a beleza que é trabalhar com Paulo José”, derrete-se. Para ela, o longa é um retrato fiel da realidade do circo. “Ele tem uma ingenuidade para tratar do circo, cuja linguagem é universal. Fico feliz com essa escolha. Vida longa a O palhaço!”. Romântico Moacyr Franco, que fez o papel de um divertido delegado, ficou superemocionado com a notícia. “Estou contente é pelo Selton. Ele apostou num filme romântico no momento em que todos investiam em produções violentas”, ressalta. Para o ator, a disputa, mesmo sendo difícil, pode ter resultado positivo. Como é precavido, ele já cuida de garantir sua vaga na festa norte-americana. “Estou tentando falar com o o Selton para ver se piso naquele tapete vermelho”, diverte-se. Ser indicado à disputa do Oscar é um longo processo. Até chegar à estatueta, o longa precisará convencer os integrantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. “É uma guerra, mas só vamos pensar nela depois. Hoje vamos comemorar. Agora não é uma luta só nossa. Virou uma questão de Estado. Procuraremos o ministério e a Ancine. Vamos nos unir”, concluiu Vânia Catani.
(Imagem Filmes/divulgação)
Teuda Bara, atriz do Grupo Galpão, ganhou papel especial no longa (foto: (Imagem Filmes/divulgação))
INTOCÁVEIS
O filme de Selton Mello terá um concorrente de peso, se for selecionado para o Oscar. O blockbuster francês Intocáveis, comédia dirigida por Eric Toledano e Olivier Nakache, foi selecionado na terça-feira pelo Centro Nacional do Cinema e da Imagem Animada (CNC) para representar a França. A lista dos filmes que concorrerão ao Oscar 2013 será anunciada em 10 de janeiro – a premiação está marcada para 24 de fevereiro. Em 2003, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, disputou quatro estatuetas – fotografia, diretor, edição e roteiro –, mas não levou nenhuma delas. A última participação brasileira na disputa de melhor filme estrangeiro foi em 1999, quando Central do Brasil, de Walter Salles, perdeu para o italiano A vida é bela, de Roberto Benigni. Também concorreram a esse prêmio O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto (em 1998), O quatrilho, de Fábio Barreto (1996), e O pagador de promessas, de Anselmo Duarte (1963). (Colaborou Carolina Braga).

 

Minas na tela O palhaço foi rodado em Minas Gerais – nos municípios de Santa Rita de Ibitipoca, Bom Jesus do Vermelho, Conceição do Ibitipoca e Lima Duarte –, além de Paulínia, em São Paulo. O filme é homenagem de Selton Mello a Passos, no Sudoeste mineiro, onde ele nasceu, em 1972. “Foi uma forma de colocar o nome dela em um lugar que vai ficar para sempre”, declarou o ator e diretor, quando o longa foi lançado.  Valdemar (Paulo José) e o filho, Benjamin (Selton Mello), formam a dupla de palhaços Puro Sangue e Pangaré. Eles comandam o decadente Circo Esperança, que percorre o interior de Minas Gerais. 



VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE CINEMA