Bloco de carnaval de BH faz homenagem a Beth Carvalho

Me beija que eu sou pagodeiro lança canção dedicada à madrinha do samba, que faleceu em 2019. Ouça a música.

Márcia Maria Cruz 14/02/2020 15:48
Pedro Gontijo/Divulgação
Este ano será o sétimo desfile do bloco Me beija que sou pagodeiro no carnaval de rua de BH (foto: Pedro Gontijo/Divulgação)

"Minha madrinha, por favor me beija". Com esse verso, um dos blocos responsáveis pela renovação do carnaval de rua de BH pede licença para se apresentar na folia. No domingo (16), o Me beija que eu sou pagodeiro completa o sétimo ano na avenida com uma homenagem à madrinha do samba, Beth Carvalho, intérprete de canções memoráveis. Beth Carvalho faleceu em 2019, aos 72 anos. A previsão é que 40 mil foliões acompanhem o cortejo.

Com composição de Matheus Brant e Lucas Fainblat, a música "Me beija, Beth" faz referência à frequentadora assídua do Cacique de Ramos, tradicional roda de samba do Rio de Janeiro. Foi ela que apresentou à música brasileira nomes como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Xande de Pilares, Jorge Aragão, Almir Guineto e o grupo Fundo de Quintal.

A exemplo da madrinha Beth, o Me beija mantém a tradição, chamando todos para a festa. Todo mundo pode chegar. Antes de iniciar o cortejo, os músicos fazem uma roda de pagode aberta. "Desde do primeiro ano, preservamos um momento que para nós é muito caro. Na concentração, fazemos a roda de pagode. Todo mundo participa. Quem quiser, pode chegar e tocar. A gente fica tocando por duas horas até a bateria se formar para o bloco sair", diz Matheus.

O bloco, além de interpretar sucessos do pagode dos anos 1990, tem composições próprias. Outro exemplo é a música e o clipe "Eu vou", com as imagem do cortejo de 2019. O clipe contou com atores e atrizes que contaram a narrativa ao longo do cortejo. Os cantores são Andrezza Duarte e Leonardo Brasilino.

O Me beija segue o DNA do carnaval belo-horizontino de ocupação do espaço público. No primeiro ano em que saiu, no Gutierrez (2014), enfrentou resistência de quem não queria naquela região uma música de origem popular. "Temos uma contribuição estética, podemos dizer. Levantamos a bandeira do pagode. Havia  preconceito no bairro, gente que não queria que o bloco saísse lá, por causa da música”, afirma.

Ano após ano, o bloco defende o estandarte da convivência plural. "Levamos para lá um bloco de rua, como pessoas que livremente expressam a cultura delas na rua, sem abadá ou corda, com um ritmo que não é bem-vindo a uma dita elite cultural."


De olho na previsão meteorológica, Matheus acredita que o bloco não terá problema com a chuva no domingo, mas, caso chova, ele ressalta que a região não corre risco de alagamentos. O bloco fará mais outra homenagem à Beth. O bloco desfila na Avenida Amazonas e, quando chegar na esquina com a Avenida do Contorno, fará uma roda de samba para cantar sucessos da madrinha e também a composição feita para ela. O momento terá a participação da cantora Aline Calixto, afilhada de Beth. O momento foi idealizado com o músico Marcelo Veronez, que também participa. 
Matheus Brant afirma que, no sétimo ano, o Me beija guarda a essência da folia belo-horizontina, que se renovou com o desejo de ocupar os espaços da cidade, seguindo a lógica de outros movimentos, como o Occupy Wall Street, o 15M e as jornadas de junho em 2013, numa mobilização contra o decreto do então prefeito Marcio Lacerda, que proibia atividades na Praça da Estação.

"É muito enriquecedor participar desse movimento e contribuir com minhas músicas e atuação. Foi uma mudança várias dimensões na cidade não só cultura, política e social Um momento político bem único, espero que não se perca no carnaval de Belo Horizonte”, diz.