Bloco Magnólia traz o melhor do jazz para o Carnaval de Belo Horizonte

Neste ano, o bloco migrou da tradicional, e estreita, rua Magnólia para a Avenida Américo Vespúcio

Ver galeria . 30 Fotos Foliões se divertem na passagem do bloco Magnólia pela Avenida Américo Vespúcio, no CaiçaraGladyston Rodrigues/EM/DAPress
Foliões se divertem na passagem do bloco Magnólia pela Avenida Américo Vespúcio, no Caiçara (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DAPress )
Ninguém ficou parado durante o desfile do bloco Magnólia, na tarde desta terça-feira, em Belo Horizonte. Moradores da Região Noroeste aproveitaram a passagem do cortejo para dançar e interagir com os foliões das varandas de seus apartamentos. Os dançarinos do bloco eram um espetáculo à parte, e, com passos ritmados, mostraram que carnaval não é feito só de samba no pé. 

O bloco Magnólia é formado por 30 instrumentistas, a maior parte de sopros, e uma compacta percussão que se assemelha a uma bateria desmembrada. O nome vem da Rua Magnólia, no bairro Caiçara, frequentada por vários dos integrantes. Mas a rua ficou pequena para o sucesso do bloco. Em 2014, a média de público era de 300 pessoas. Ano passado, o número subiu para 12 mil foliões. Neste ano, pela primeira vez desde a fundação, o bloco Magnólia levou o som do jazz para outro endereço, a Avenida Américo Vespúcio, também no Caiçara.

O coordenador do bloco, Flávio Teixeira, disse que, com a mudança de local  "a gente perde na tradição, mas ganha em conforto, espaço e segurança." Ano passado, foram 12 mil pessoas assistir ao grupo na estreita Rua Magnólia. Neste ano, a estimativa é de até 15 mil.

É o sexto ano em que o Magnólia traz para o carnaval de BH o repertório de jazz no estilo Second Line, referência aos cortejos de Nova Orleans (EUA), o conhecido Mardi Gras. 

POLÍTICO 

Repetindo o feito nos desfiles do Tchanzinho Zona Norte e Então Brilha, entre outros, foliões do Magnólia entoaram xingamentos contra o presidente Jair Bolsonaro. "Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*", gritaram. Um dos integrantes interrompeu o coro para sugerir a mudança para "Ele não", ressaltando o cuidado entre os carnavalescos para expressões que possam ferir a população LGBT.

Houve chamamento para o desfile de 2019 com objetivo de convocar mulheres a participar da sua composição. "Neste ano, contamos com três musicistas e ainda tivemos a oportunidade de abrir uma oficina de sopro para que mais mulheres integrem o bloco no ano que vem", conta Flávio Teixeira, um dos fundadores.
 
*Estagiária sob supervisão do editor Benny Cohen