Blocos assinam carta contestando ação policial em cortejo no Barreiro

Segundo a publicação, duas pessoas teriam sido detidas indevidamente no bloco Filhos de Tcha Tcha, que desfilou pelo Vale das Ocupações do Barreiro. PM diz que não recebeu nenhum documento formal

por Lucas Soares* 14/02/2018 20:50
Reprodução/Facebook
Bloco Filhos de Tcha Tcha desfilou na segunda-feira no Vale das Ocupações, no Barreiro (foto: Reprodução/Facebook)
Um dia após o término oficial do carnaval cantado como o maior da capital mineira até hoje, com expectativa inicial, ainda não contabilizada, de 3,6 milhões de foliões, grupos que tocam na folia da cidade assinaram uma denúncia de violência policial e uso de força indevida por parte da corporação em alguns momentos. No documento, publicado pela página Carnaval de rua BH, o grupo publicou a "Carta aberta à Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) contra a repressão ao carnaval de BH". A PMMG informou que não recebeu nenhum documento formal sobre o caso. Por outro lado, constatou a redução de 40% nos crimes na capital e de 30% nos roubos de celulares, o carro-chefe nesse tipo de evento, em relação à folia do ano passado.



Segundo a publicação, duas pessoas teriam sido detidas indevidamente no bloco Filhos de Tcha Tcha, que desfilou pelo Vale das Ocupações do Barreiro – que abrange as ocupações Eliana Silva, Irmã Dorothy, Camilo Torres e Paulo Freire – na noite de segunda-feira e liberadas na madrugada de terça. Segundo a publicação, policiais militares agiram de forma violenta contra os foliões e moradores da região.

De acordo com o Filhos de Tcha Tcha, os policiais militares dispararam tiros de balas de borracha, deram pancadas de cassetetes, soltaram jatos de spray de pimenta e lançaram bombas de efeito moral. "Foi lindo, até a PM massacrar", disse a nota. Em entrevista ao Estado de Minas, o tenente-coronel comandante do 41º Batalhão da Polícia Militar, Sílvio Mendes, o problema com representantes do bloco começou depois de foliões não respeitarem o horário de término do cortejo, previsto para as 20h.

A publicação ainda acusou a PM de prender uma jovem por usar um boné com símbolo da maconha no Centro de BH e de constranger e ameaçar um rapaz por tocar reggae no Bairro Nazaré. Além disso, os blocos ainda denunciam dispersão violenta no Pisa na Fulô, no Carlos Prates, e na Praça da Liberdade durante o carnaval.

De acordo com o major Flávio Santiago, da Polícia Militar, o texto publicado na rede social não chegou formalmente à corporação, e a polícia também é contra a repressão. "Para a PMMG, toda e qualquer manifestação é importante e a gente reafirma o compromisso de ser cada vez mais próxima da sociedade e com o que é previsto constitucionalmente", disse o major. “As pessoas estão elogiando a atuação da polícia durante a festa na cidade", disse.

Alguns dos blocos que assinaram a carta foram o Então, Brilha! e Alô, Abacaxi. "O Brilha é contra a repressão feita em blocos e festas. Como foi, por exemplo, no Filhos de Tcha Tcha e no Palco Guaicurus, durante um show do artista Marcelo Veronez", disse um dos organizadores do bloco, Jasão. Já o Alô, Abacaxi acrescentou: "Precisamos conversar sobre a repressão policial, o carnaval é uma festa popular e é inadmissível que a alegria seja transformada em medo por culpa da polícia".

*Sob supervisão da subeditora Rachel Botelho

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