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Meta sofre condenação histórica de US$ 25 bilhões por enganar usuários

Justiça do Novo México responsabiliza empresa por violações de privacidade ligadas ao caso Cambridge Analytica, que expôs dados de milhões de usuários

Meta Bloomberg
Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, enfrenta condenação bilionária nos Estados Unidos
Redação Entretenimento clock 22/10/2026 10:20
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A Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, foi condenada a pagar US$ 25 bilhões por violações relacionadas à privacidade dos usuários. A decisão foi anunciada pelo juiz Francis J. Mathew, do Tribunal Distrital Estadual de Santa Fé, no Novo México, e representa uma das maiores penalidades já impostas a uma gigante da tecnologia. O processo foi aberto em 2021, após o estado acusar a companhia de fornecer informações enganosas sobre a proteção dos dados pessoais.

 

A ação está ligada ao escândalo da Cambridge Analytica, revelado em 2018, quando veio à tona que dados de aproximadamente 87 milhões de usuários do Facebook haviam sido obtidos e utilizados indevidamente pela consultoria britânica. As informações serviram para construir perfis de eleitores e direcionar estratégias de publicidade política. O episódio foi associado às campanhas presidenciais de Donald Trump e ao referendo do Brexit, ambos realizados em 2016, provocando críticas internacionais e ampliando a pressão por regras mais rígidas de proteção de dados.

 

No mês anterior à sentença, um júri do Novo México concluiu que a Meta havia cometido 43 milhões de violações das leis estaduais de defesa do consumidor. Cada infração poderia gerar uma multa de até US$ 5 mil. A empresa também enfrenta outras ações relacionadas à segurança de crianças e adolescentes, ao uso de dados pessoais e aos possíveis efeitos das redes sociais sobre os usuários.

 

Em processos anteriores no mesmo estado, a companhia foi condenada a pagar US$ 567 milhões em indenizações, em agosto, além de uma multa de US$ 375 milhões aplicada em março. Para Vincent Joralemon, especialista em direito e tecnologia da Universidade da Califórnia em Berkeley, as normas de proteção ao consumidor podem se tornar ferramentas decisivas para responsabilizar empresas digitais. — A conclusão que se tira disso é que as leis de proteção ao consumidor serão o caminho para responsabilizar as empresas de tecnologia — afirmou.

 

Em agosto, a Meta fechou um acordo com 47 estados norte-americanos, o Distrito de Colúmbia e territórios dos Estados Unidos, comprometendo-se a pagar até US$ 17,1 bilhões e a implementar mudanças em seus produtos. O entendimento também prevê US$ 459 milhões para encerrar processos semelhantes relacionados à privacidade no caso Cambridge Analytica.

 

As revelações sobre o uso de informações pessoais abalaram a confiança no Facebook e levaram o presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, a prestar depoimento ao Congresso dos Estados Unidos. Procurada para comentar a nova condenação, a Meta não respondeu imediatamente.

 

As críticas à empresa também envolvem a moderação de conteúdo político no Brasil. Na terça-feira, o Oversight Board, comitê independente que analisa decisões da Meta, apontou problemas de transparência nos procedimentos relacionados à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

 

O órgão citou "falhas recorrentes" na moderação eleitoral e afirmou que problemas envolvendo a produção e a divulgação de conteúdos de contas relacionadas a Lula deveriam ter sido encaminhados a revisores especializados. A avaliação aumenta a pressão para que a companhia esclareça seus critérios de moderação em períodos eleitorais.

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