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Cantora já falou sobre a fama de 'brigona'; psiquiatras explicam a diferença entre assertividade, arrogância e dificuldade de lidar com frustrações
Reprodução Instagram
Anitta nunca construiu a imagem de quem faz questão de agradar todo mundo. Exigente no trabalho, direta nas entrevistas e conhecida por acompanhar de perto diferentes decisões da própria carreira, a cantora já falou abertamente sobre sua fama de “brigona”. Mais recentemente, também afirmou não ter “noia” de agradar o público.
Mas quando uma personalidade forte deixa de ser assertividade e passa a ser considerada “difícil de lidar”?
Para o Dr. Ciro Jorge, especialista em saúde mental e psiquiatria, é preciso tomar cuidado para não transformar características de personalidade em diagnóstico.
“Ser exigente, falar de maneira direta, estabelecer limites ou querer controlar aspectos importantes do próprio trabalho não significa, por si só, que alguém tenha um problema psicológico. O que precisa ser observado é como esse comportamento aparece nas relações. Existe espaço para ouvir o outro, reconhecer erros, negociar e lidar com frustrações ou todos ao redor precisam constantemente se adaptar àquela pessoa?”, explica.
A discussão ganha outra camada quando envolve mulheres bem-sucedidas. Comportamentos associados a liderança, ambição e firmeza podem ser percebidos de maneiras diferentes dependendo de quem os manifesta.
Para a psiquiatra e pesquisadora Dra. Camilla Nicolucci, o rótulo de “difícil” também pode esconder expectativas sociais sobre como uma mulher deveria se comportar.
“É importante separar uma pessoa realmente agressiva ou inflexível de uma mulher simplesmente assertiva. Existe uma expectativa cultural de que mulheres sejam mais conciliadoras, acolhedoras e disponíveis. Quando uma mulher estabelece limites, discorda ou ocupa uma posição de comando com firmeza, isso pode causar desconforto e ser interpretado como arrogância ou dificuldade de convivência”, afirma.
Anitta já mostrou publicamente que essa personalidade também tem um custo. No documentário Larissa: O Outro Lado de Anitta, a cantora fala sobre a diferença entre a persona poderosa que construiu e Larissa, sua dimensão mais íntima, chegando a relatar a dificuldade de “desligar” essa personagem.
“Todos nós assumimos papéis diferentes dependendo do ambiente. O problema surge quando determinado modo de funcionamento se torna tão rígido que a pessoa não consegue abandoná-lo nem em espaços seguros. Estar permanentemente em estado de defesa, controle ou cobrança pode gerar desgaste emocional e afetar os vínculos”, explica Ciro.
Para Camilla, talvez a pergunta mais interessante não seja se Anitta é ou não uma pessoa difícil, algo impossível de determinar à distância.
“Uma personalidade forte não precisa ser suavizada para caber na expectativa dos outros. O ponto saudável está em conseguir ser firme sem perder empatia, estabelecer limites sem desrespeitar e reconhecer quando determinada forma de reagir começa a provocar sofrimento para si ou para quem está ao redor”, conclui.
No fim, entre ser chamada de poderosa e de difícil existe uma fronteira bastante subjetiva. E, especialmente quando a pessoa em questão é uma mulher que construiu a própria carreira dizendo o que quer, talvez valha perguntar também quem decidiu onde termina a firmeza e começa o excesso.
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