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Viih Tube vai sair das redes sociais: como saber se a internet faz mal?

Influenciadora deixará as redes em novembro de 2026; especialista aponta sinais de desgaste emocional causado pela internet

Viih Tube vai sair das redes sociais: como saber se é hora de se desconectar

Reprodução Instagram
Viih Tube anuncia saída das redes sociais e reacende debate sobre saúde mental
Redação Entretenimento clock 11/10/2026 07:00
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A decisão de Viih Tube de deixar definitivamente as redes sociais reacendeu uma discussão cada vez mais presente na rotina de quem vive conectado: até que ponto a internet contribui para o bem-estar e quando passa a representar uma fonte de desgaste emocional?

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A influenciadora anunciou que pretende encerrar seus perfis pessoais em 30 de novembro de 2026. Segundo ela, a decisão vinha sendo planejada há meses e está relacionada à sensação de que a internet perdeu o sentido em sua vida. Apesar de deixar de produzir conteúdo em seus perfis pessoais, Viih Tube pretende continuar ligada ao universo digital por meio de um projeto voltado para pessoas que desejam trabalhar como influenciadoras. 

 

Para a médica especialista em saúde mental Mariellen Freitas, a experiência chama atenção para uma questão que ultrapassa a realidade dos influenciadores: a necessidade de estabelecer limites na relação com o ambiente digital.

 

“As redes sociais não são, por si só, vilãs. Elas podem promover conexão, informação, pertencimento e até oportunidades profissionais. O problema aparece quando a pessoa começa a sentir que precisa estar constantemente disponível, produzir, acompanhar o que os outros estão fazendo ou receber aprovação para se sentir bem. Nesse momento, é importante observar o impacto que essa dinâmica está provocando na saúde mental”, explica.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que os ambientes digitais podem trazer benefícios, mas também apresentam riscos para a saúde mental, especialmente quando existe uso excessivo, exposição a conteúdos prejudiciais, comportamentos de dependência, cyberbullying e isolamento. A relação entre uso da tecnologia e saúde mental também pode ser bidirecional: dificuldades emocionais podem aumentar o uso das telas, enquanto determinadas experiências digitais podem agravar problemas já existentes. 

 

Um dos mecanismos que merece atenção é a comparação. Nas redes, o usuário costuma ter contato com recortes cuidadosamente selecionados da vida de outras pessoas, viagens, relacionamentos, conquistas profissionais, aparência e momentos de felicidade.

 

Para a especialista, essa comparação pode se tornar prejudicial quando a pessoa passa a medir a própria vida a partir de uma realidade que não conhece por completo.

 

“Existe uma diferença importante entre se inspirar em alguém e usar a vida daquela pessoa como régua para avaliar a própria existência. Quando alguém começa a pensar que todo mundo está evoluindo, viajando, trabalhando, ganhando dinheiro ou tendo uma vida perfeita enquanto ela está ficando para trás, pode surgir uma sensação permanente de inadequação. A comparação deixa de ser pontual e passa a interferir na autoestima”, afirma Mariellen.

 

Outro ponto de atenção é a dependência da validação digital. Curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações podem funcionar como recompensas imediatas, fazendo com que algumas pessoas associem desempenho nas redes à própria autoestima.

 

“Quando a pessoa começa a vincular o próprio valor à quantidade de curtidas, visualizações ou comentários que recebe, existe um sinal de alerta. Um conteúdo que performou mal não significa que a pessoa fracassou, assim como um conteúdo viral não determina o valor de quem o produziu. É fundamental separar identidade e autoestima dos resultados obtidos nas plataformas”, explica a médica.

 

No caso dos influenciadores, essa relação pode ser ainda mais complexa, já que a presença digital muitas vezes está diretamente ligada ao trabalho e à renda. A necessidade de produzir constantemente, acompanhar tendências, lidar com críticas e permanecer relevante pode transformar a conexão em uma espécie de obrigação permanente.

 

Embora a decisão de se afastar completamente possa fazer sentido para algumas pessoas, a especialista ressalta que cuidar da saúde mental não significa necessariamente excluir todos os aplicativos.

 

“Para algumas pessoas, reduzir drasticamente o uso ou até sair das redes pode ser uma escolha saudável. Para outras, o caminho pode estar em estabelecer horários, silenciar determinados perfis, deixar de acompanhar conteúdos que provocam sofrimento e criar períodos do dia sem celular. O mais importante é entender qual é a função que aquela rede está ocupando na vida daquela pessoa e se ela está trazendo mais benefícios ou mais sofrimento”, orienta.

 

Entre os sinais de que a relação com as redes merece atenção estão a necessidade constante de checar notificações, dificuldade de ficar longe do celular, irritação quando não consegue acessar as plataformas, comparação excessiva, perda de concentração, alteração do sono e sensação de ansiedade relacionada à necessidade de acompanhar ou produzir conteúdo.

 

“O sinal mais importante talvez seja perceber se você ainda escolhe entrar nas redes ou se sente que precisa entrar. Quando existe a sensação de obrigação, ansiedade ou culpa por estar desconectado, vale parar e observar essa relação. Desconectar-se também pode ser uma forma de autocuidado”, finaliza Mariellen. 

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