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Tony Bellotto revela por que prefere conviver com câncer a lutar contra ele

Em entrevista, guitarrista dos Titãs fala sobre diagnóstico, recuperação, retorno aos palcos e a maneira como encara a doença

Tony Bellotto revela como lidou com o diagnóstico de câncer e retomou a rotina
Divulgação TV Globo/YouTube
Tony Bellotto fala sobre câncer e revela como escolheu conviver com a doença
Redação Entretenimento clock 08/10/2026 14:36
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O diagnóstico de um câncer costuma reorganizar prioridades e mudar a maneira como uma pessoa olha para o próprio cotidiano. Para Tony Bellotto, porém, a descoberta de um tumor no pâncreas não fez com que a doença passasse a ocupar o centro de sua vida. Em entrevista ao programa “Que Dia”, comandado pelo jornalista Matheus Leitão, o guitarrista dos Titãs contou como atravessou o período entre a descoberta, a cirurgia e a retomada da rotina, sempre tentando preservar aquilo que considera essencial: continuar trabalhando, tocando e vivendo.

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“Foi muito difícil receber o diagnóstico de um câncer difícil de tratar, com uma taxa de mortalidade muito grande, o câncer de pâncreas. Mas, quando soube, brotou uma força interna que eu nem sabia que tinha”, afirmou.

 

Casado com a atriz Malu Mader, Bellotto disse que a notícia não o levou a buscar explicações religiosas para o que estava acontecendo. Ateu, ele prefere enxergar a doença como uma possibilidade que faz parte da própria condição humana. A partir daí, concentrou-se no que poderia fazer diante da situação.

 

“Sou ateu. Não considero que meu câncer seja fruto de nada além do fato de estar vivo e de que isso acontece com pessoas vivas. Pensei: ‘O que posso fazer? Minha ideia é continuar vivo, e vivo de verdade, fazendo as coisas de que gosto, tocando, trabalhando o máximo possível’”, contou.

 

A possibilidade de cirurgia trouxe uma perspectiva concreta de tratamento. Segundo o músico, a médica explicou que o tumor ainda apresentava condições para ser retirado. Ele passou pelo procedimento e enfrentou uma recuperação que descreve como difícil e trabalhosa.

 

Depois desse período, voltou gradualmente às atividades que já faziam parte de sua rotina. A retomada, no entanto, não significa que tenha deixado o assunto para trás. Bellotto continua em acompanhamento e evita falar em cura definitiva.

 

“Voltei às minhas funções normais, mas continuo em acompanhamento, porque é um câncer muito insidioso, traiçoeiro. Não digo que estou curado, que me livrei dele. Estou convivendo com esse câncer”, afirmou.

 

A maneira como escolhe falar sobre a doença também revela uma postura menos convencional diante do tratamento. Bellotto diz não se identificar com a ideia de estar em uma batalha contra o câncer. Em vez disso, prefere pensar em uma convivência possível com a condição.

 

“Sou pacifista: não luto contra meu câncer, negocio uma convivência pacífica. Isso já vai ser bastante”, disse.

 

Viver sem transformar a doença no centro de tudo

 

A relação com a própria finitude também aparece na forma como Bellotto descreve o período atual. Otimista por natureza, ele afirma que os tratamentos têm apresentado resultados positivos e recorre a referências que o acompanham desde a juventude para lidar com momentos de dificuldade.

 

Na adolescência, o músico se interessou pelo zen-budismo e pela literatura da geração beat. Embora não tenha adotado uma religião, encontrou nesses estudos uma perspectiva que continua fazendo sentido para o cotidiano.

 

“Não tenho religião, não acredito em Deus, mas sinto no zen uma sabedoria humana que podemos empregar na vida prática: lidar sem tanta dramaticidade com os problemas, viver um dia de cada vez. Enquanto está legal, vamos em frente”, afirmou.

 

A recuperação também trouxe mudanças físicas. Bellotto conta que perdeu bastante peso após a cirurgia e agora tenta recuperar a massa perdida. Aos poucos, retomou atividades físicas e segue conciliando os cuidados com uma agenda que inclui shows e trabalho de criação.

 

“Estou muito bem, fazendo shows, escrevendo. Tento engordar, porque perdi muitos quilos na cirurgia. Estou feliz de levar minha vida, convivendo com essa doença difícil sem deixar que vire uma tristeza ou uma preocupação exagerada”, contou.

 

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