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Paixão do astro do Manchester City pelo alimento fez vendas dispararem no país; especialistas explicam os benefícios e os limites da cenoura
Reprodução Instagram / Pexels
Erling Haaland é conhecido pelos gols, pela força física e pela disciplina fora dos campos, mas um hábito aparentemente simples do atacante do Manchester City ganhou proporções inesperadas na Noruega: sua paixão por cenouras. As vendas do vegetal aumentaram cerca de 25% entre julho e meados de agosto, o equivalente a aproximadamente 500 toneladas adicionais, segundo a Bama, uma das principais distribuidoras de frutas e vegetais do país.
O fenômeno chegou a ser chamado de "Efeito Haaland" e até influenciou crianças, com pais relatando que os filhos passaram a pedir cenouras depois de verem o jogador consumindo o alimento. Haaland, inclusive, mantém parceria com a empresa e já apareceu em campanha comendo o vegetal.
Mas será que a cenoura realmente tem algum segredo capaz de explicar a saúde e o desempenho de um atleta de alto rendimento? Para a nutróloga Dra. Mariana Comério, o principal destaque está no betacaroteno, pigmento que dá a cor alaranjada ao alimento e pode ser convertido em vitamina A pelo organismo.
"A cenoura é rica em betacaroteno, que pode ser convertido pelo organismo em vitamina A. Por isso, é um alimento importante para a imunidade, visão, pele e mucosas. Também oferece antioxidantes, fibras e potássio. Dentro de uma alimentação equilibrada, contribui para a saúde e para um envelhecimento saudável", explica Mariana.
A especialista ressalta, porém, que o vegetal está longe de ser o responsável isolado pela performance de Haaland. A famosa relação entre cenoura e visão também tem fundamento, mas não significa que comer grandes quantidades fará alguém enxergar acima de sua capacidade normal.
"A deficiência de vitamina A pode prejudicar a visão noturna, e a cenoura ajuda a fornecer precursores dessa vitamina. Mas, em uma pessoa que já possui uma alimentação adequada e não apresenta deficiência, comer mais cenoura não vai fazer a visão ultrapassar sua capacidade normal", esclarece a nutricionista Thays Pomini, pós-graduada em Nutrição Estética e Esportiva.
Quando o assunto é esporte, a lógica é semelhante: "A cenoura não é um alimento primordial ou essencial especificamente para a performance física. O desempenho depende de um plano alimentar completo, com distribuição adequada de proteínas, carboidratos e gorduras, além da diversidade de nutrientes. Também entram nessa conta treinamento, sono, equilíbrio intestinal e gerenciamento do estresse. A cenoura é interessante, mas é mais uma peça dentro desse conjunto", ressalta Mariana.
A maneira de consumir o vegetal também pode fazer diferença. Haaland costuma aparecer comendo cenoura crua, mas não é preciso seguir exatamente o hábito do jogador para aproveitar seus nutrientes. "Cozinhar no vapor, assar ou refogar são boas opções. Ferver em muita água pode provocar a perda de parte do potássio e de nutrientes hidrossolúveis para o líquido. Ralar ou amassar também pode ajudar a disponibilizar os carotenoides", explica Thays.
Outra dica é combinar o alimento com uma fonte de gordura, como azeite, já que a vitamina A é lipossolúvel. No caso do suco, a recomendação é priorizar o alimento inteiro quando possível, porque a preparação pode reduzir a quantidade de fibras e facilitar o consumo de porções maiores.
Apesar da fama conquistada graças ao atacante, a cenoura também não precisa ser consumida sem limites. Segundo Thays, uma ingestão muito elevada e frequente de betacaroteno pode provocar carotenemia, deixando a pele temporariamente alaranjada, principalmente nas mãos e nos pés. A condição costuma ser benigna e desaparece com a redução do consumo.
Para os especialistas, portanto, o verdadeiro legado do "Efeito Haaland" está menos em transformar a cenoura em um superalimento e mais em incentivar o consumo de alimentos saudáveis. "É positivo quando um ídolo desperta interesse por um alimento saudável. Mas precisamos evitar a ideia de que existe um único alimento responsável pela saúde ou pela performance de alguém. O que faz diferença é o conjunto da alimentação, a variedade, a regularidade e o estilo de vida", finaliza Thays.
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