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Atriz de Mulheres Apaixonadas revelou como funciona a disputa por personagens e afirmou que muitos artistas precisam pedir para serem lembrados
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Vanessa Gerbelli, que conquistou o público ao interpretar Fernanda em Mulheres Apaixonadas (2003), abriu o jogo sobre o afastamento das novelas e revelou detalhes dos bastidores da televisão. Aos 51 anos, a atriz afirmou que costuma ser questionada sobre o motivo de não estar mais nos folhetins, mas explicou que nunca decidiu abandonar a carreira.
“As pessoas têm me perguntado muito: ‘Por que você não está mais fazendo novelas? Você faz falta nas novelas’, como se eu tivesse decidido parar de fazer novela e de trabalhar”, começou.
Vanessa destacou que considera um privilégio continuar sendo lembrada por personagens que interpretou há anos, mas explicou que o público nem sempre conhece a realidade enfrentada pelos artistas na busca por novos trabalhos.
Segundo Vanessa, atores precisam constantemente buscar oportunidades e convencer diretores, autores e executivos de que são a escolha certa para determinado papel.
“Mas o que as pessoas nem desconfiam é que atores, quase todos, passaram e passam pelo processo de pedir trabalho. Vocês sabem disso? Se não é diretamente, é por intermédio de um agente”, explicou.
Ela contou que, muitas vezes, o artista se identifica com determinado personagem, mas precisa disputar a vaga com diversos outros profissionais.
“Porque há um papel num filme ou novela, por exemplo, e
você fala: ‘Putz, eu tenho a cara dessa personagem, eu poderia fazer.’ Só que muitos outros atores têm a mesma convicção. E aí você precisa convencer o autor, o diretor, sobretudo os executivos que você é a melhor escolha para o papel. E isso é insano, porque é uma concorrência imensa. E muitos artistas desistem de atuar em cinema ou TV por causa disso”, comentou.
A atriz também afirmou que essa dinâmica acaba contribuindo para a formação de grupos dentro do meio artístico. Vanessa usou o termo “panelinhas” para descrever relações construídas entre profissionais em busca de oportunidades.
“Enfim, quem pode mais chora menos, né? Vira-se amigo de infância de quem se quer obter um favor. E forma-se uma rede de pessoas que se relacionam nessa esfera de influência, turmas se formam nesses moldes e se mantêm assim.”
Vanessa ainda admitiu que sempre teve desconforto com a necessidade de pedir para ser lembrada por produtores e diretores.
“Então essa dinâmica de pedir para ser lembrada sempre me deixou muito desconfortável. Os produtores trabalham com tanta gente que às vezes é preciso ser lembrado de que você existe, né? E é por isso que a gente precisa fazer testes, precisa estar em evidência de alguma forma”, continuou.
Diante das dificuldades para manter uma carreira constante na televisão e no cinema, Vanessa passou a investir também em outras áreas artísticas.
“Eu tenho o meu trabalho de pintura, eu escrevo, eu tento produzir o que eu escrevo. Não é nem de longe o que se imagina de uma vida de celebridade. Porque na vida cotidiana a gente está assim como vocês: vivendo altos e baixos, vivendo dores e delícias”, encerrou.