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Deputado e produtora são investigados em ação que apura possível desvio de emendas parlamentares destinadas a empresas ligadas à produção de 'Dark Horse'
Reprodução Instagram
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) é um dos alvos da operação "Make Up", deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) nesta quinta-feira (10). A ação investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. O parlamentar é investigado no contexto dos repasses relacionados ao filme "Dark Horse", que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro e ainda não foi lançado.
Além de Mario Frias, a produtora Karina Gama também é alvo da operação. Duas entidades ligadas a ela, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), também são alvo das buscas. Segundo a PF, uma organização criminosa teria direcionado verbas transferidas a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação de que os serviços contratados tenham sido realizados. A corporação afirma ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre companhias relacionadas ao suposto esquema.
O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o inquérito que tramitava em São Paulo ser levado à Corte. Não há mandados de prisão na operação desta quinta, apenas medidas de busca e apreensão. Entre os crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos relacionados a licitações.
As suspeitas envolvendo o financiamento de "Dark Horse" também aparecem em outra investigação no STF, conduzida pelo ministro André Mendonça. O inquérito apura repasses realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro, além do caminho percorrido pelos recursos.
Em maio, uma reportagem revelou mensagens e um áudio nos quais o senador cobrava dinheiro de Vorcaro para bancar a produção. Segundo a publicação, o ex-dono do Banco Master teria repassado ao menos R$ 61 milhões em 2025, com parte dos valores destinada a um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Na quarta-feira (9), André Mendonça homologou a delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro". Dono da Entre Investimentos, ele relatou ter realizado sete transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, entre janeiro e setembro de 2025. As operações somaram US$ 12,333 milhões, equivalentes a cerca de R$ 62,8 milhões na cotação de setembro daquele ano.
A PF agora apura se todo o montante foi efetivamente empregado na produção de "Dark Horse", como sustentam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte dos recursos teria sido utilizada para outras finalidades.
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