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Método contraceptivo de longa duração ainda gera dúvidas sobre idade, fertilidade, hormônios e possibilidade de engravidar após a retirada
Reprodução/Instagram
O DIU está entre os métodos contraceptivos mais procurados por mulheres que desejam evitar uma gravidez sem precisar se lembrar diariamente da contracepção. Entre as famosas que já falaram publicamente sobre o uso do dispositivo estão Virginia Fonseca e Larissa Manoela, o que também ajuda a colocar o método em evidência e desperta dúvidas entre o público.
Mas será que existe idade certa para colocar o DIU? Quem nunca teve filhos pode usar? O dispositivo pode atrapalhar uma gravidez no futuro? Para esclarecer essas e outras questões, a ginecologista Dra. Giovana Brunet explica os principais mitos e verdades sobre os contraceptivos de longa duração.
Mito: existe uma idade mínima para colocar o DIU
Não existe uma idade única que determine quando uma mulher pode utilizar o dispositivo. A indicação depende da avaliação médica e das características de cada paciente.
“Não existe uma idade universalmente indicada para a colocação do DIU. O método pode ser considerado em diferentes fases da vida reprodutiva, desde que não existam contraindicações. A avaliação deve levar em conta o histórico de saúde, o padrão menstrual, a presença de cólicas ou fluxo aumentado, além dos objetivos contraceptivos e do planejamento reprodutivo da mulher.”
Mito: quem nunca teve filhos não pode usar DIU
O fato de uma mulher nunca ter engravidado não impede, por si só, a utilização do método. A indicação deve ser individualizada e discutida durante a consulta ginecológica.
“Essa é uma dúvida muito comum, mas não é correto afirmar que o DIU seja exclusivo para mulheres que já tiveram filhos. Pacientes que nunca engravidaram também podem ser candidatas ao método. É necessário avaliar cada caso, explicar como funciona o procedimento, os possíveis efeitos e escolher o dispositivo mais adequado para aquela paciente.”
Mito: o DIU pode deixar a mulher infértil
O DIU é um método contraceptivo reversível. Isso significa que seu efeito contraceptivo está relacionado ao período em que o dispositivo permanece inserido e, após a retirada, a mulher pode voltar a tentar engravidar.
“O DIU não provoca infertilidade permanente. Depois da retirada, a mulher pode retomar seus planos de gravidez. Se houver dificuldade para engravidar posteriormente, é importante investigar outras possíveis causas, como idade, alterações na ovulação, endometriose, problemas nas trompas ou fatores relacionados ao parceiro. O uso anterior do DIU, isoladamente, não significa que a mulher terá dificuldade para engravidar.”
Verdade: existem diferentes tipos de DIU
Atualmente, existem principalmente os DIUs de cobre e os hormonais. Eles apresentam características diferentes e podem ser indicados de acordo com o perfil da paciente.
“O DIU de cobre não contém hormônios e pode ser uma opção para quem deseja evitar métodos hormonais. Em algumas mulheres, porém, pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas. Já o DIU hormonal libera um progestagênio diretamente no útero e costuma reduzir o sangramento. A escolha deve considerar os sintomas menstruais, o histórico clínico e as preferências da paciente.”
Mito: todo DIU causa muita cólica e sangramento
Os efeitos podem variar de acordo com o tipo de dispositivo e com a resposta de cada organismo. Enquanto algumas mulheres apresentam mudanças no padrão menstrual, outras têm pouca alteração.
“Não podemos colocar todos os DIUs na mesma categoria. O comportamento menstrual pode ser diferente dependendo do modelo utilizado. O DIU de cobre pode aumentar o fluxo e as cólicas em algumas pacientes, enquanto os hormonais geralmente apresentam um efeito contrário, com redução do sangramento. Por isso, conhecer o perfil da mulher antes da escolha é tão importante.”
Verdade: o DIU é um método de longa duração
Uma das principais características do dispositivo é justamente sua duração prolongada, permitindo que a mulher mantenha a contracepção sem precisar lembrar diariamente de tomar um medicamento.
“Os métodos contraceptivos de longa duração representam uma evolução importante porque reduzem a dependência da rotina diária. Depois da colocação, a mulher não precisa administrar o método todos os dias, o que contribui para uma alta eficácia. Ainda assim, a escolha deve ser individualizada e acompanhada por um profissional de saúde.”
Mito: colocar DIU significa que a mulher não poderá engravidar por anos
O dispositivo pode permanecer por um período prolongado, mas é reversível. Caso a mulher decida engravidar antes do prazo previsto, o DIU pode ser retirado pelo profissional de saúde.
“Uma das grandes vantagens do DIU é justamente a possibilidade de reversão. A mulher não precisa permanecer com o dispositivo durante todo o período de duração previsto. Se decidir engravidar, pode conversar com o ginecologista e realizar a retirada. O método oferece proteção prolongada, mas não elimina a autonomia da paciente sobre seus planos reprodutivos.”
Verdade: a escolha do contraceptivo deve ser individualizada
Não existe um método contraceptivo considerado ideal para todas as mulheres. Além do DIU, há opções como o implante hormonal, conhecido como Implanon, pílulas, preservativos e outros métodos.
“Uma mulher com fluxo menstrual intenso pode ter uma indicação diferente daquela que busca apenas uma contracepção de longa duração. Também precisamos considerar idade, histórico de saúde, medicamentos, sintomas menstruais e desejo de engravidar no futuro. O papel do ginecologista é apresentar as possibilidades e construir uma decisão compartilhada com a paciente.”
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