reprodução TV Globo/Instagram Família de Eliza Samúdio pede prisão de Bruno após descumprimento da Justiça
Redação Entretenimento
17/03/2026 11:57
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No texto enviado ao portal g1, as duas solicitam que a Vara de Execução Penal apure uma série de possíveis irregularidades, incluindo deslocamentos realizados por Bruno nos últimos anos. Elas também pedem uma atuação mais firme do Ministério Público diante do que classificam como sucessivas violações das regras do livramento condicional.
Em um dos trechos mais contundentes da carta, mãe e madrinha defendem responsabilização rigorosa. "Pedimos, ainda, que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada violação cometida. E pedimos que o Estado brasileiro reconheça que, ao tratar um feminicida com tamanha leniência, envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que o crime compensa, a de que a vida de mulheres como Eliza não vale nada", afirmam.
Livramento condicional revogado
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o ex-goleiro teve o livramento condicional revogado após descumprir medidas impostas pela Vara de Execuções Penais, o que levou à expedição de um mandado de prisão. Como ele não se apresentou às autoridades, passou a ser considerado foragido.
"O goleiro Bruno não se apresentou diante da revogação. A defesa do goleiro entrou com recurso e a VEP encaminhou para manifestação do MP. Enquanto, não houver outra decisão em relação à revogação do livramento condicional , o goleiro Bruno será considerado foragido."
Ao longo da carta, Sônia e Maria do Carmo descrevem um cenário marcado por dor, indignação e sensação de impunidade. Para elas, o sistema de Justiça falha ao não garantir o cumprimento integral da pena.
As familiares destacam ainda que, apesar da condenação em 2013 a mais de 20 anos de prisão por crimes como feminicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver, Bruno teria descumprido reiteradamente as exigências legais. Desde 2023, segundo o relato, ele não era localizado para cumprir obrigações básicas, como manter endereço atualizado e comparecer regularmente à Justiça.
Viagens causam revolta em familiares
Outro ponto levantado envolve viagens realizadas para estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Acre, mesmo com restrições judiciais em vigor. A ida ao Acre, em fevereiro deste ano, foi citada como especialmente revoltante, já que o ex-goleiro teria participado de uma partida de futebol pelo time Vasco-AC sem autorização.
Pelas regras do regime, ele não poderia deixar o estado do Rio de Janeiro, o que, para a família, representa uma afronta, sobretudo porque o corpo de Eliza nunca foi encontrado, impedindo até hoje um sepultamento.
Em outro trecho, as autoras reforçam o sofrimento contínuo diante da exposição do caso. "Dor sem reparação", definem, ao afirmar que, enquanto o ex-jogador segue aparecendo em público, a família permanece lidando com o luto e a ausência de respostas.
Elas também criticam a postura de Bruno em relação ao filho, alegando que ele teria negado a paternidade por anos e, mais recentemente, deixado de contribuir financeiramente com a criação do menino.
No apelo final, a carta solicita medidas concretas das autoridades, como a investigação das viagens, maior rigor do Ministério Público, cumprimento integral da pena e responsabilização por descumprimentos. As familiares ressaltam que não buscam vingança, mas justiça, e garantem que continuarão denunciando o caso.
Disque Denúncia
Atualmente, o Disque Denúncia mantém um alerta solicitando informações sobre o paradeiro do ex-goleiro. Conforme o Tribunal de Justiça, o mandado de prisão foi expedido no dia 5 de março, após a constatação de que ele descumpriu as condições do benefício. Mesmo assim, ele não se apresentou para retornar ao regime semiaberto.
O caso, que chocou o país, segue sem a localização do corpo da vítima e permanece como um dos episódios mais marcantes da crônica policial brasileira.