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"Muita gente ainda mede masculinidade pelo corpo e pelos pelos", afirma Arthur O Urso
Reprodução/Instagram
Aos 38 anos, Arthur O Urso, natural de João Pessoa, afirma que a depilação íntima masculina ainda é um tabu e costuma ser associada, por muitas mulheres, a questionamentos sobre sexualidade, higiene e até virilidade. Segundo ele, o tema não gera apenas curiosidade, mas também julgamentos diretos, revelando como o corpo masculino segue preso a padrões rígidos de masculinidade.
Ao comentar o assunto, Arthur relata que já ouviu afirmações explícitas sobre o tema em conversas pessoais. “Eu já escutei mais de uma vez que homem heterossexual não se depila. Isso foi dito de forma direta, como se fosse uma regra”, afirmou. Para ele, esse tipo de fala expõe um conflito silencioso sobre como a masculinidade ainda é entendida.
Segundo o influenciador, a depilação íntima acaba funcionando como um marcador simbólico. “Quando o homem se depila, automaticamente surgem dúvidas: se ele é hétero, se ele é masculino o suficiente, se isso diz algo sobre a sexualidade dele. É um julgamento que vem antes de qualquer conversa”, disse.
Arthur afirma que esse tipo de reação costuma aparecer de maneira naturalizada, sem que quem fala perceba o preconceito embutido. “Às vezes vem como piada, às vezes como comentário solto, mas sempre carrega a ideia de que existe um jeito certo de ser homem”, explicou.
Para ele, o tabu em torno da depilação íntima masculina revela como a intimidade dos homens ainda é um território pouco permitido. “Falar de cuidados com o corpo, de estética ou de escolhas íntimas ainda incomoda. A depilação vira um problema porque toca diretamente na masculinidade tradicional que muita gente ainda defende”, conclui.
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