reprodução Instagram Roberta Rodrigues faz revelação delicada sobre abuso na infância e repercute
Redação Entretenimento
21/01/2026 11:38
[ALERTA: este texto aborda temas como estupro, violência doméstica e violência contra a mulher, podendo ser gatilho para algumas pessoas. Caso você se identifique ou conheça alguém que esteja passando por essa situação, denuncie. Disque 180.]
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Exibido no domingo (18), o episódio do De Repente 30+ apresentou a segunda parte da conversa entre
Roberta Rodrigues, de 43 anos, e
Helga Nemeczyk, de 45, sobre saúde mental, tendo como foco os abusos sofridos na infância. Foi nesse contexto que Roberta decidiu falar publicamente,
pela primeira vez, sobre a violência que viveu quando criança, após ouvir o depoimento de Helga no encerramento da edição anterior.
Na condução do programa, a apresentadora Marcela Monteiro retomou o encontro e destacou o valor da escuta e do compartilhamento de experiências. "Essas duas mulheres descobriram que falar salva, que compartilhar cura, e resolveram fazer isso aqui no nosso De Repente 30 ", afirmou ao explicar a continuidade da entrevista.
Durante o relato, Roberta contou que a memória do abuso permaneceu reprimida por décadas e só veio à tona na vida adulta. "Eu também fui abusada quando era criança. E é engraçado que a minha mente só me fez lembrar disso eu já com 30 e poucos anos na pandemia. Lembro que meu pai ou minha mãe ligou, sei lá, e falou alguma coisa assim: 'Fulano morreu'. Lembro que foi aí que entendi porque eu não gostava daquele amigo do meu pai, porque que eu sempre agredia ele (...) Veio tudo na minha mente, eu tinha apagado", disse a atriz.
Com o resgate dessas lembranças, atitudes da infância que antes pareciam apenas sinais de nervosismo passaram a ganhar um novo significado. Roberta explicou ainda que a experiência influencia diretamente a maneira como cria a filha: ela evita que a menina durma fora de casa, inclusive na residência de amigos, e faz questão de conversar desde cedo sobre limites e autonomia - cuidados que reconhece também trabalhar em terapia.
Já Helga relatou uma vivência distinta com o trauma, marcada pela lembrança constante. "Tem gente que apaga e tem gente que não esquece. Eu nunca esqueci", declarou. Segundo a atriz, por muitos anos ela acreditou ser responsável pelo abuso sofrido. "Eu sempre achei que a culpa fosse minha, mas eu era uma criança", afirmou. Foi apenas após os 30 anos, quando passou a enfrentar crises de pânico e ansiedade, que percebeu os impactos de ter escondido essas experiências "para debaixo do tapete".
Ao final, a conversa abordou o silêncio que ainda envolve esse tipo de violência. Roberta destacou a dificuldade enfrentada por quem decide falar. "Se você fala, ninguém acredita", disse. Marcela Monteiro reforçou que o tabu contribui para que muitas mulheres atravessem anos de sofrimento sozinhas, até encontrarem um espaço seguro para dividir suas histórias e compreender que se trata de um problema coletivo.