Morre, aos 52 anos, filho de Chico Anysio; família se despede nas redes
Em vídeo, a jornalista classifica a operação como "desastrosa" e questiona mortes em comunidades periféricas
Reprodução Instagram
A jornalista Rachel Sheherazade voltou a chamar atenção nas redes sociais ao divulgar um vídeo em que faz duras críticas à operação policial realizada nesta segunda-feira (28/10) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. O episódio deixou 64 mortos e foi qualificado por ela como "desastrosa" e "sangrenta", além de configurar, em suas palavras, uma "execução sumária" de moradores periféricos.
No vídeo, Rachel questiona a celebração de parte da população diante do resultado da ação. "A polícia entrou para cumprir 100 mandados de prisão, não para cometer 60 execuções", afirma, lembrando que a morte dos envolvidos não pode ser tratada como algo automático. Ela cobra do Estado o cumprimento das leis e dos direitos humanos: "Onde está escrito na lei brasileira que o Estado tem o direito de matar pessoas?"
A apresentadora também critica o que chama de desejo de violência de uma parcela da sociedade, que acredita que "um favelado a mais na cova" representa mais segurança para o país. "Essas pessoas não têm nome, não têm rosto, e principalmente, não têm dinheiro. São favelados, pretos, pardos, desafortunados. Morrendo muitos, ainda assim, não farão falta. Assim pensam alguns", denuncia.
Sheherazade amplia o debate sobre desigualdade no combate ao crime, apontando que os criminosos de alta periculosidade vivem sob proteção e conforto. "Os maiores e mais poderosos criminosos andam de jatinho, vivem em condomínios de mansões e apertam as mãos de gente graúda de Brasília. Por que o governo não faz operações nesses lugares?", questiona, sugerindo que ações contra o crime são seletivas e voltadas apenas para chamar atenção da mídia.
Ao final, a jornalista ressalta que os próprios policiais também são vítimas do sistema que combate as favelas. "O policial aprende a odiar a favela de onde veio e não o sistema que aprisiona ele e o traficante na mesma pobreza. Ele é o bucha de canhão. No fim das contas, o gatilho quem puxa é o policial, mas a culpa da chacina é de quem manda matar", conclui.