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Berta Loran: último adeus tem cerimônia realizada com ritual inusitado

Último adeus a atriz aconteceu na Sociedade Religiosa Israelita Chevra Kadisha, na Praça da Bandeira, zona norte do Rio de Janeiro

atriz em novela Reprodução TV Globo
Ritual inusitado marca último adeus a Berta Loran em cerimônia emocionante
Redação Entretenimento clock 30/09/2025 10:56
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A manhã desta terça-feira (30) foi de despedida para Berta Loran, atriz e comediante que marcou gerações com seu humor. A cerimônia aconteceu na Sociedade Religiosa Israelita Chevra Kadisha, na Praça da Bandeira, zona norte do Rio de Janeiro.

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Berta faleceu no último domingo (28), aos 99 anos, após passar dez dias internada em um hospital da zona sul carioca.

O adeus à artista seguiu os costumes do judaísmo, religião da qual fazia parte. O corpo foi preparado por voluntários da própria Chevra Kadisha, tradicional grupo que cuida dos rituais de passagem.
 
Envolta em mortalhas brancas e simples, sem símbolos de riqueza ou status social, Berta foi colocada em um caixão de madeira biodegradável, sem enfeites - como manda a tradição.

Por volta das 10h, o velório foi encerrado e o corpo seguiu para o sepultamento no Cemitério Israelita de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O enterro ocorreu às 11h, com o caixão colocado diretamente em contato com a terra, segundo os preceitos judaicos. A lápide, como de costume, leva inscrições em hebraico com o nome da atriz, data de nascimento e falecimento.

A trajetória de Berta Loran atravessa quase um século de história. Nascida em Varsóvia, na Polônia, ela chegou ao Brasil com apenas 11 anos, em 1937, ao lado da família, fugindo da ameaça nazista que já se instaurava na Europa. Seu nome de batismo era Basza Ajs, mas, ao ser matriculada em uma escola brasileira, foi orientada a adotar um nome mais comum no país para evitar bullying dos colegas.

O sobrenome artístico "Loran" surgiu já nos tempos de teatro de revista, em 1952. Por ser loira, recebeu a sugestão de uma amiga de adotar um nome que soasse mais elegante e fosse fácil de pronunciar. "Quando fazia teatro de revista, observei que as pessoas não sabiam falar o meu nome. Aí, uma amiga sugeriu Loran, já que eu era loira", contou em entrevista à revista Quem.

A paixão pela arte começou cedo. Aos 11 anos, Berta descobriu o encanto do cinema e, aos 15, fez sua estreia nos palcos ao lado do pai, em uma companhia de teatro judaica. Desde então, construiu uma carreira sólida, marcada por personagens cômicas e carismáticas, como a portuguesa Manuela d'Além-Mar, na "Escolinha do Professor Raimundo" (Globo, 1990), e Aurélia, em "Planeta dos Homens" (Globo, 1976).

Na teledramaturgia, Berta brilhou em novelas como Guerra dos Sexos (1983), Amor com Amor se Paga (1984), Torre de Babel (1998), Cama de Gato (2009), Ti Ti Ti (2010) e Cordel Encantado (2011). Sua última aparição na TV foi uma participação especial em A Dona do Pedaço, em 2019.

Também no cinema, a atriz deixou sua marca. Em 2021, participou das filmagens de Juntos e Enrolados, comédia estrelada por Cacau Protásio e lançada em 2022. No currículo, ainda constam produções como Jovens Polacas (2020), Até que a Sorte nos Separe 2 (2013) e Polaroides Urbanas (2006).

Berta Loran se despede deixando um legado de humor, coragem e resistência. Uma artista que, mesmo após quase um século de vida, seguiu ativa, encantando plateias e reafirmando, com sua trajetória, o poder transformador da arte.
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