reprodução TV Globo Berta Loran: os traumas e desafios que marcaram a vida da atriz antes da morte
Redação Entretenimento
29/09/2025 11:45
A trajetória de vida da atriz
Berta Loran, que faleceu aos 99 anos no último domingo (28), foi marcada por amores conturbados e decisões difíceis. Em seu primeiro casamento com o também ator Saul Handfuss, 31 anos mais velho, ela enfrentou dificuldades financeiras extremas e passou por dois abortos traumáticos.
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"Antigamente, eles enfiavam uma gilete na gente. Não sei como não morri", revelou em uma entrevista à "Quem", em 2011.
Anos mais tarde, já em um segundo relacionamento, Berta uniu-se ao comerciante Júlio Jacoba, com quem permaneceu por 22 anos. No entanto, segundo a própria atriz, a estabilidade emocional durou menos do que o tempo registrado em papel.
"Depois, comecei a fazer teatro, comerciais e televisão. Ele não tinha mulher [em casa] e foi procurar fora, é claro. Tinha razão", declarou, ao comentar o desgaste da relação que, para ela, só foi feliz nos primeiros oito anos.
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Apesar das decepções no campo afetivo, Berta sempre manteve o foco em sua carreira artística. "Minha profissão esteve à frente de tudo, inclusive dos dois maridos que tive", afirmou. Ela relembrou o casamento com Handfuss de maneira crítica:
"Um era um grande ator. Tinha 20 anos e ele, 51. Não gostava dele. Era pobre e depois ainda descobri que era viciado em jogo. Nunca me deu nada, nem de comer. Mas queria ser uma atriz como ele, então, quando disse que queria casar comigo, falei: 'Negócio fechado'. Foi um péssimo negócio. Vivi 11 anos com ele e me desquitei em 1961".
O relacionamento com o primeiro marido deixou marcas profundas, como descreveu em uma das falas mais duras da entrevista. "Ele era um velho, um merda! Paixão eu tinha pelo teatro. E quando não tem o que comer é pior ainda. Morávamos numa pensão e só tinha o almoço. O dinheiro do jantar ele perdia todo no jogo, nos cavalinhos", desabafou, revelando o cenário de privações que enfrentou no início da carreira.
A união com Júlio Jacoba começou quando Berta tinha 37 anos. Ambos com a mesma idade, viveram uma relação inicialmente feliz, até que o sucesso profissional da atriz trouxe desequilíbrio ao casamento.
"Ele era um negociante judeu. Nos primeiros oito anos fui muito feliz. Depois, comecei a fazer teatro, comerciais e televisão. Ele não tinha mulher e foi procurar fora, é claro. Tinha razão", comentou com franqueza.
A maternidade, por sua vez, nunca fez parte de sua história. Um reflexo direto das complicações vividas em sua juventude. "Não pude ter filhos. Fiz dois abortos do velho [o primeiro marido]. Depois, fui a um grande médico e ele disse que eu não tinha mais útero, que teria que arrancar tudo", contou Berta.
Mesmo diante de tanta dor, ela revelou que não havia espaço para lamentações. "Na época, não tive tempo para sentir dor", disse, lembrando que estava em cartaz no musical Vencer na Vida Sem Fazer Força - um de seus maiores sucessos nos palcos.