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Globo paga elenco de A Viagem após 30 anos; entenda quanto e como

Elenco da trama de 1994 recebe pagamentos reajustados e enfrenta desafios com streaming e legislação defasada

 A Viagem Reprodução: Globo
Com essa nova reprise, o elenco da trama recebeu uma remuneração pelo trabalho feito há mais de 30 anos
Redação Entretenimento clock 03/08/2025 07:00
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A novela A Viagem, exibida originalmente em 1994 pela Globo, voltou ao ar recentemente no programa Vale a Pena Ver de Novo. Com essa nova reprise, o elenco da trama recebeu uma remuneração pelo trabalho feito há mais de 30 anos, o que gera curiosidade sobre como funciona o pagamento dos atores nessas situações.

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Renato Rabelo, que interpretou Padilha em "A Viagem", explica que os atores recebem 10% do valor que ganharam durante a novela, reajustados anualmente pela inflação. 

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Segundo ele, esse valor costuma ser próximo ao salário que receberam na época, considerando que os contratos duravam cerca de 10 meses. O ator evita detalhar valores, pois a transição econômica do Brasil naquela época torna a conta complexa.

Embora não exista uma lei que obriga emissoras a pagar pelos direitos de reprises, é prática comum que canais definam um valor para os atores quando decidem exibir novamente uma novela. A advogada Yasmin Arrighi, especialista em propriedade intelectual, aponta que a legislação brasileira é defasada nesse ponto, diferente do que ocorre com músicas, por exemplo.

Além das reprises na TV aberta, os atores também recebem por exibições em canais fechados e vendas para outros países, mas esses valores são menores. Com o avanço das plataformas de streaming, um novo desafio surgiu. 

Embora a Globo pague pela exibição das novelas antigas no Globoplay, os valores são considerados baixos. Contratos antigos até previam futuras mídias, mas essa cláusula pode ser contestada judicialmente, segundo a advogada Ana Flávia Corrêa.

A chegada dos streamings trouxe mudanças na forma de contratação. Agora, muitos contratos são fechados sob o modelo norte-americano, onde a produtora tem liberdade para comercializar a obra sem a participação do ator nos lucros. Essa situação reflete a competitividade do mercado brasileiro.

Para garantir melhores direitos aos atores, Ana Flávia defende a atualização da legislação, citando o projeto de lei 4968/2024, que busca assegurar a remuneração pelos direitos autorais na reprodução de obras em streaming e outras mídias.

 

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