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Relatório do UNAIDS aponta riscos de retrocessos no combate ao vírus, mas destaca que avanços no tratamento e na prevenção transformaram o cenário global
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O mundo avançou de forma significativa no combate ao HIV nas últimas décadas, com redução de novas infecções e mortes relacionadas à AIDS. No entanto, um novo alerta do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) aponta que esse progresso pode ser ameaçado caso haja interrupções nos investimentos em prevenção, diagnóstico e tratamento.
O Relatório Global sobre AIDS 2025, chamado "AIDS, Crise e o Poder de Transformar", afirma que uma crise de financiamento coloca em risco conquistas alcançadas ao longo de anos de políticas públicas. Segundo a entidade, a resposta global ao HIV entrou em um momento de pressão, principalmente pela redução de recursos destinados a programas de saúde em países mais dependentes de ajuda internacional.
O documento, porém, não afirma que a epidemia já esteja em uma nova fase de crescimento mundial. O alerta é de que, sem manutenção das estratégias de prevenção e cuidado, países podem enfrentar dificuldades para controlar a transmissão do vírus e manter o acesso aos serviços essenciais.
Quais avanços foram alcançados contra o HIV?
Desde 2010, o número global de novas infecções por HIV caiu, assim como as mortes relacionadas à AIDS. O UNAIDS aponta que as novas infecções diminuíram cerca de 40% no período, enquanto as mortes relacionadas à AIDS tiveram redução de 56%.
Esse avanço foi impulsionado por uma combinação de fatores, como a ampliação do diagnóstico, o acesso aos medicamentos antirretrovirais e estratégias de prevenção, incluindo o uso de preservativos e a profilaxia pré-exposição (PrEP), medicamento que reduz o risco de infecção pelo HIV.
Mesmo com a melhora dos indicadores, o vírus continua sendo um desafio de saúde pública. Em 2024, o UNAIDS estimou cerca de 1,3 milhão de novas infecções por HIV no mundo, número considerado ainda distante das metas globais de controle da epidemia.
Por que o UNAIDS fala em risco de retrocesso?
O principal ponto de preocupação apresentado pelo relatório é a possibilidade de enfraquecimento dos programas de combate ao HIV.
Segundo o organismo internacional, muitos países de baixa e média renda dependem de financiamento externo para manter ações de prevenção, distribuição de medicamentos, testagem e acompanhamento de pessoas vivendo com HIV. A redução desses recursos pode afetar diretamente a continuidade desses serviços.
O UNAIDS estima que, caso haja uma perda permanente de financiamento e os programas não sejam mantidos, o impacto poderia representar milhões de novas infecções e mortes relacionadas à AIDS adicionais até 2029.
Tratamento mudou a relação com o HIV
Um dos principais avanços no enfrentamento do vírus foi a evolução dos tratamentos. Atualmente, pessoas vivendo com HIV que fazem acompanhamento adequado e utilizam medicamentos antirretrovirais podem ter qualidade e expectativa de vida próximas às de pessoas sem o vírus.
Além disso, quando uma pessoa em tratamento mantém a carga viral indetectável, ela não transmite o HIV por via sexual. O conceito é conhecido como "indetectável = intransmissível" (I=I) e é considerado um dos marcos da resposta moderna à epidemia.
Prevenção continua sendo uma das principais ferramentas
Apesar dos avanços médicos, especialistas reforçam que a prevenção permanece essencial. Ela envolve diferentes estratégias, como uso de preservativos, realização de testes, acesso à PrEP e acompanhamento regular de saúde.
A abordagem atual é chamada de prevenção combinada, porque reúne diferentes métodos que podem ser utilizados de acordo com a realidade e as necessidades de cada pessoa.
O que significa o alerta para a população?
O alerta do UNAIDS não representa que o mundo esteja diante de uma nova epidemia de HIV nos mesmos moldes das décadas passadas. A mensagem principal é que os avanços conquistados dependem da continuidade das políticas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
Para especialistas, manter informação, acesso aos serviços de saúde e combate ao estigma são fatores fundamentais para evitar retrocessos e seguir reduzindo o impacto do HIV no mundo.
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