'Marmita de casal': o que é e por que o termo virou tendência nas redes
Dados mostram como comportamento, relacionamentos e percepção de risco influenciam a decisão de usar ou não o preservativo
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A camisinha continua sendo um dos principais métodos de prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), mas pesquisas realizadas nos últimos anos indicam uma mudança no comportamento de parte da população, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. O cenário, porém, não pode ser resumido à ideia de que uma geração inteira deixou de usar preservativos: os hábitos variam conforme idade, tipo de relacionamento, informação, acesso à saúde e percepção de risco.
No Brasil, levantamentos apontam redução na frequência do uso do preservativo em determinados grupos. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, mostraram que, entre pessoas com 18 anos ou mais, 22,8% relataram usar camisinha em todas as relações sexuais nos 12 meses anteriores à pesquisa, enquanto 59% disseram não ter usado nenhuma vez nesse período.
Entre adolescentes, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) também identificou desafios relacionados à prevenção. Na edição de 2019, 59,1% dos estudantes que já haviam iniciado a vida sexual disseram ter usado preservativo na última relação. Já dados divulgados pelo IBGE na PeNSE 2024 indicaram que o uso de camisinha na primeira relação sexual ainda é uma questão relevante entre adolescentes.
A camisinha perdeu espaço para outros métodos?
Um dos fatores apontados por especialistas é que parte das pessoas associa prevenção principalmente ao controle da gravidez, e não às infecções sexualmente transmissíveis.
Métodos contraceptivos hormonais, como pílulas e implantes, podem reduzir o medo de uma gravidez não planejada, mas não oferecem proteção contra ISTs. Por isso, profissionais de saúde reforçam que as estratégias têm objetivos diferentes e podem ser combinadas.
Confiança no parceiro influencia decisão
A percepção de segurança dentro de um relacionamento também aparece entre os motivos para deixar de usar preservativo.
Dados da PNS indicaram que a confiança no parceiro foi apontada como o principal motivo para a ausência do uso de camisinha entre pessoas que não utilizaram o método ou usaram apenas algumas vezes.
Esse comportamento não está necessariamente relacionado apenas à idade. A decisão de abandonar o preservativo pode ocorrer em relacionamentos considerados estáveis, quando o casal passa a associar confiança emocional à ausência de risco.
Desconforto e falta de hábito também entram na discussão
Outro fator frequentemente citado em pesquisas e campanhas de saúde é a percepção de desconforto ou dificuldade de incorporar o preservativo à rotina sexual.
Especialistas destacam que questões como tamanho inadequado, falta de orientação sobre uso correto e ausência de diálogo entre parceiros podem influenciar a adesão.
Redes sociais mudaram a conversa sobre sexo?
A internet também transformou a forma como jovens buscam informações sobre sexualidade. Ao mesmo tempo em que ampliou o acesso a conteúdos educativos, também facilitou a circulação de informações incorretas sobre prevenção.
Para profissionais da área de saúde, a educação sexual continua sendo uma ferramenta importante para ajudar pessoas a tomar decisões mais conscientes sobre proteção, consentimento e cuidados com o próprio corpo.
O desafio continua sendo reduzir a falsa sensação de segurança
Mesmo com avanços no diagnóstico e tratamento das ISTs, especialistas alertam que muitas infecções podem não apresentar sintomas no início, o que aumenta a importância da prevenção.
O preservativo segue como uma ferramenta acessível para reduzir o risco de transmissão de diversas ISTs. A discussão atual, portanto, não é apenas sobre uma geração usar ou não camisinha, mas sobre como diferentes grupos entendem os riscos e fazem escolhas relacionadas à saúde sexual.
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