'Marmita de casal': o que é e por que o termo virou tendência nas redes
Conhecido como psyllium, o ingrediente rico em fibras pode ajudar no funcionamento intestinal e ganhou espaço na rotina de saúde
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Nas redes sociais, não faltam vídeos que descrevem o psyllium como um alimento capaz de "limpar o intestino como um aspirador de pó". A comparação chama atenção, mas exagera o que a ciência realmente sabe sobre essa fibra natural.
Extraído da casca das sementes da planta Plantago ovata, o psyllium tem se popularizado por ajudar no funcionamento intestinal, aumentar a saciedade e contribuir para o controle da glicemia e do colesterol quando associado a uma alimentação equilibrada. Versátil, ele pode ser incluído em preparações como iogurtes, vitaminas, mingaus e panquecas, tornando-se uma opção prática para começar o dia com mais fibras.
O principal diferencial do psyllium está na sua capacidade de absorver grandes quantidades de água. Ao entrar em contato com os líquidos, a fibra forma um gel que aumenta o volume das fezes e facilita o trânsito intestinal. Esse mecanismo explica por que o ingrediente costuma ser recomendado para pessoas com prisão de ventre, além de também poder auxiliar em alguns casos de diarreia, sempre com orientação de um profissional de saúde. Ao contrário do que sugerem publicações virais, porém, ele não "raspa" ou "aspira" o intestino nem remove supostas toxinas acumuladas.
Outro motivo para o sucesso do psyllium é a versatilidade. Por ter sabor neutro, ele pode ser misturado a frutas, smoothies, aveia, leite, kefir ou receitas de pães e bolos, aumentando o teor de fibras da refeição sem alterar significativamente o sabor. Consumido no café da manhã, também pode favorecer a sensação de saciedade ao longo das primeiras horas do dia, o que ajuda algumas pessoas a controlar melhor a fome entre as refeições.
Além dos benefícios para o intestino, estudos apontam que o consumo regular de fibras solúveis, como o psyllium, pode colaborar para a redução dos níveis de colesterol LDL e para um melhor controle da glicemia, especialmente quando faz parte de uma dieta equilibrada e de um estilo de vida saudável. Ainda assim, o ingrediente não substitui medicamentos nem produz resultados isoladamente.
Apesar da fama de "superfibra", o psyllium exige alguns cuidados. Como absorve muita água, ele deve ser consumido sempre com boa hidratação. Caso contrário, pode provocar desconforto intestinal e até piorar a constipação. A quantidade ideal varia de acordo com as necessidades de cada pessoa, por isso o uso frequente deve ser orientado por um médico ou nutricionista, principalmente para quem faz uso contínuo de medicamentos ou tem doenças gastrointestinais.
No fim das contas, o psyllium não faz uma "faxina" no organismo, como sugerem algumas publicações, mas pode, sim, ser um aliado da saúde intestinal quando consumido corretamente. O segredo está menos em buscar soluções milagrosas e mais em manter uma alimentação rica em fibras, ingerir água regularmente e adotar hábitos saudáveis no dia a dia.