Rango y Rolé 2026 programa mais de 10 horas de atrações gratuitas no Parque Municipal Américo Renné Giannetti

DATA

  • 26/09/2026 à 26/09/2026
  • Hora início: 10:00
  • Hora fim: 20:30

LOCAL / INFO

PREÇOS

  • Entrada Franca

Rango y Rolé ocupa o Parque Municipal com música, comida, circo

Com entrada gratuita, a 2ª edição do festival acontece dia 26 de setembro, com apresentações de Zelu Braga, Claudia Manzo, Augusta Barna, Sarah Sampp, Havayanas Usadas, Roda de Samba do Gugu, além de DJs, Circo Gamarra, gastronomia e uma provocação sobre os futuros da cultura

Há algo de profundamente brasileiro em passar o dia inteiro em uma praça comendo, bebendo, ouvindo música e encontrando gente.

Não deveria ser revolucionário. Mas, em tempos de cidades cada vez mais apressadas, cercadas e privatizadas, talvez seja.

No dia 26 de setembro, sábado, a partir das 10h, o Festival Rango y Rolé volta a Belo Horizonte para sua segunda edição e ocupa um dos lugares mais simbólicos da cidade: o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no coração da capital mineira. A entrada é gratuita.

Durante todo o dia, o parque se transforma em território de comida de rua, música, circo, brincadeira, encontros e conversas. Uma espécie de cidade temporária dentro da cidade, onde cabem artistas, cozinheiros, crianças, DJs, catadores, famílias, produtores culturais, foliões e quem simplesmente resolveu sair de casa sem saber exatamente o que encontraria.

E talvez essa seja uma das melhores maneiras de entender o Rango y Rolé.

O festival não pretende ser apenas um lugar onde coisas acontecem. Ele parte de uma ideia mais simples e mais ambiciosa: a cultura também acontece quando as pessoas ocupam juntas um espaço público.

&ldquoExiste uma obsessão contemporânea em transformar todo evento em uma experiência extraordinária. A gente está interessado também no extraordinário que existe nas coisas simples: comer bem, ouvir música, encontrar alguém, sentar no parque, ver uma criança brincando, descobrir um artista. O Rango y Rolé nasce desse desejo de devolver a festa para a cidade e a cidade para as pessoas&rdquo, afirma Diego Rezende, um dos realizadores do festival.

Um palco que diz muito sobre a cidade

A programação musical ajuda a explicar o espírito do festival. Em vez de procurar uma única linguagem, o Rango y Rolé coloca diferentes gerações, estéticas e territórios musicais para dividir o mesmo dia.

Quem abre esse mapa é Zelu Braga, cantor, compositor, produtor e integrante fundador da Graveola, uma das bandas independentes mais representativas da geração que ajudou a projetar a nova música mineira para além das montanhas.

Dono de timbre e presença singulares, Zelu construiu uma trajetória que não cabe apenas atrás do microfone. Sua discografia o encontra como compositor, produtor, cantor e instrumentista, enquanto, com a Graveola, percorreu cidades brasileiras e palcos internacionais.

No Rango y Rolé, Zelu apresenta um momento novo dessa história. O artista está em fase de pré-lançamento de Presente, seu novo EP solo, e leva ao Parque Municipal um concerto acompanhado por Paulo César Guimarães, na guitarra, Pedro Carceroni, no baixo, e Almin Bah, na bateria e percussão.

&ldquoUm festival é também uma oportunidade de colocar artistas e públicos diferentes em contato. Gente que talvez nunca estivesse na mesma playlist passa a dividir o mesmo parque, o mesmo palco e o mesmo dia. Essa mistura é parte fundamental do que queremos construir&rdquo, afirma Zelu Braga, que, além de artista, integra a realização do festival.

A temperatura sobe alguns graus com Claudia Manzo. Chilena radicada no Brasil, cantora, compositora e musicista, Claudia construiu uma trajetória em que as fronteiras entre Brasil e América Latina são tratadas mais como convite do que como limite. Desde 2019, mantém uma colaboração com o BaianaSystem, atuando como segunda vocalista e participando também como cantora e compositora dos dois últimos álbuns da banda.

No Rango y Rolé, ela apresenta El Baile da Claudia Manzo, espetáculo concebido como uma celebração da música e da cultura andina e latino-americana. Cumbia, reggaeton, bachata, salsa, canções autorais e clássicos latinos se encontram em um baile que parte de uma ideia simples e poderosa descrita pela própria artista: uma mistura que &ldquosó é possível quando o norte é o sul&rdquo.

Augusta Barna representa outra dobra da música produzida em Minas. Cantora e compositora, ela trabalha a música popular brasileira sem tratá-la como peça de museu, atravessando diferentes ritmos em uma linguagem contemporânea marcada também pelas produções musicais dos anos 1970.

Depois do EP Cantora de Ruídos, de 2021, lançou Sangria Desatada em 2022 e chegou a Na Miúda em 2024, aprofundando uma trajetória construída entre experimentação, delicadeza e canção.

E então aparece Sarah Sampp, levando o rap e a música urbana de Belo Horizonte para essa conversa.

Rapper, cantora e compositora, Sarah começou sua trajetória na poesia, dentro do Coletivo Pretas Poetas, antes de transformar vivências, identidade e autoestima em música. Em 2026 lançou sua primeira mixtape, Visão Piranha, trabalho de sete faixas que olha para a música preta dos anos 1980 e para a cultura pop para construir uma narrativa própria, com participações de Djonga e Mac Julia.

O projeto marca uma nova fase de uma artista que já passou pela Virada Cultural de Belo Horizonte, Rap Game e pela turnê Demotape Inocente, de Djonga, além de ter sido selecionada pelo Women's Music Event.

São quatro artistas bastante diferentes entre si. E é justamente esse o ponto.

Nem toda música precisa de palco

No Rango y Rolé, parte da música desce do palco e ocupa o chão.

O Havayanas Usadas, um dos blocos que ajudaram a construir a identidade do Carnaval de rua contemporâneo de Belo Horizonte, leva ao Parque Municipal um ensaio carregado de axé, percussão e referências da cultura afro-brasileira.

Criado em 2017, o bloco constrói seu repertório a partir do axé dos anos 1980 e 1990 e da influência de blocos afro como Olodum e Ilê Aiyê.

E samba não poderia ficar de fora dessa rua imaginária. 

A Roda de Samba do Gugu chega comandada pelo cantor, compositor e produtor Gugu de Souza, músico cuja relação com o ritmo começou cedo. Aos oito anos, Gugu já tocava percussão nos tradicionais blocos caricatos de Belo Horizonte. Passou pelo pop, rock e gospel antes de encontrar no samba, no pagode e na MPB o território onde construiria sua identidade artística.

Foram quase 18 anos à frente do Nascidos do Samba, grupo com o qual lançou três CDs e assinou cerca de 90% das faixas. Depois, seguiu carreira solo, gravou o DVD Voz do Samba, circulou pelo país e consolidou-se também como compositor e produtor musical.

Agora, Gugu leva essa bagagem para uma roda feita do jeito que samba gosta: perto do público, sem muita cerimônia e com a música acontecendo no meio das pessoas.

Entre uma coisa e outra, DJ Aída, MC Sandrinha e DJ Black Josie assumem as pickups.

É menos uma sequência convencional de atrações e mais uma trilha sonora espalhada pelo parque.

Tem rango. E tem rolé.

A gastronomia continua sendo um dos eixos centrais do festival.

Barracas e cozinhas ocupam o Parque Municipal oferecendo comida de rua com preços acessíveis e diferentes sabores. Aqui, gastronomia não aparece como cenário gourmetizado nem como acessório da programação musical.

Comida é cultura, memória, trabalho e uma das formas mais antigas de reunir pessoas em torno de uma mesa. Mesmo quando a mesa é o meio-fio.

&ldquoDesde o começo, o Rango y Rolé foi pensado como um encontro. A comida abre uma porta muito poderosa para isso porque ela derruba barreiras. Você pode chegar por causa de um artista e descobrir um prato. Pode vir para comer e acabar vendo um show. Pode trazer uma criança para brincar e terminar numa roda de samba. Quando essas coisas começam a se misturar, o festival ganha vida própria&rdquo, explica Leonardo Beltrão, realizador do evento.

E o rolé vai além da música.

O Circo Gamarra realiza espetáculos e intervenções ao longo do dia, enquanto a programação infantil oferece brinquedos e pintura de rosto. O desenho é deliberadamente plural: crianças, jovens, adultos e idosos dividindo o mesmo espaço e podendo construir seus próprios percursos pelo festival.

&ldquoQuando pensamos a programação, não queremos criar pequenos eventos isolados acontecendo ao mesmo tempo. Queremos criar uma experiência de cidade. O circo cruza com a música, a gastronomia cruza com a infância, uma conversa sobre sustentabilidade acontece no mesmo território da festa. O público não precisa escolher uma caixinha. Ele pode circular&rdquo, afirma André Mimiza, da realização do Rango y Rolé.

E quando a festa acaba?

A segunda edição também decide fazer uma pergunta menos confortável: O que fica depois que todo mundo vai embora?

Dentro da programação, o Rango y Rolé realiza o workshop &ldquoQue cultura de futuro estamos produzindo quando realizamos um evento?&rdquo, que nesta edição tem como tema &ldquoResíduo, economia circular e futuros possíveis&rdquo.

A atividade será mediada por Fina Nicolai, da Fina Fazedoria, com participação de Vilma, da Cooperativa Leste, e Juliana Gonçalves, do Recicla Belô.

A proposta é aproximar quem produz cultura de quem conhece, na prática, os caminhos percorridos pelos materiais depois que a festa termina.

Durante 50 minutos, redução, triagem, reciclagem, ressignificação, geração de renda e responsabilidade compartilhada entram na conversa. Mas a provocação vai além de descobrir em qual lixeira colocar cada coisa.

A questão é pensar o resíduo antes mesmo que ele exista.

Os próprios materiais produzidos, utilizados e descartados pelo Rango y Rolé nesta edição servirão como ponto de partida para imaginar como uma próxima edição pode incorporar ainda mais princípios da economia circular desde sua concepção.

Porque não existe muita lógica em celebrar o futuro da cultura sem discutir o futuro da cidade onde essa cultura acontece.

A rua como lugar de encontro

Por trás da mistura de rango, música, circo e conversa existe uma convicção que atravessa o projeto: cultura não deveria ser privilégio de quem pode pagar ingresso. E o espaço público não deveria servir apenas como caminho entre um lugar e outro.

Durante um sábado inteiro, o Parque Municipal vira destino.

Um lugar para chegar às dez da manhã e não ter muita pressa para descobrir a hora de ir embora.

O Festival Rango y Rolé 2026 acontece no dia 26 de setembro, sábado, a partir das 10h, no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em Belo Horizonte. A entrada é gratuita.

O evento tem patrocínio da Sympla, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, e apoio cultural do Uni-BH.

Realização: Através Gestão Cultural, DRZ e PIRA Cultural.


Serviço

Festival Rango y Rolé . 2ª edição

Data: 26 de setembro de 2026, sábado
Horário: a partir das 10h
Local: Parque Municipal Américo Renné Giannetti (Av. Afonso Pena, 1.377, Centro, Belo Horizonte/MG)
Entrada: gratuita

Palco: Zelu Braga, Claudia Manzo, Augusta Barna e Sarah Sampp
Música no chão: ensaio do Bloco Havayanas Usadas e Roda de Samba do Gugu
Pickups: DJ Aída, MC Sandrinha e DJ Black Josie
Circo: Circo Gamarra
Programação infantil: brinquedos e pintura de rosto

Workshop: &ldquoQue cultura de futuro estamos produzindo quando realizamos um evento?&rdquo
Tema: &ldquoResíduo, economia circular e futuros possíveis&rdquo
Mediação: Fina Nicolai . Fina Fazedoria
Convidadas: Vilma . Cooperativa Leste Juliana Gonçalves . Recicla Belô

Programação:

10h: Início do evento

10 às 16h: Recreação

10h às 11h30: Ensaio da bateria do bloco Havayanas Usadas

11h às 11h50: Workshop &ldquoQue cultura de futuro estamos produzindo quando realizamos um evento?&rdquo

11h30 às 12h: Circo Gamarra

12h às 13h: Cozinha ao vivo com Beth Coutinho prova do prato

13h às 14h30: Roda de samba com Gugu de Souza

14h às 14h30: Circo Gamarra

14h30 às 15h30: Zelu Braga

16h às 16h30: Circo Gamarra

16h às 17h: Claudia Manzo

17h30 às 18h30: Augusta Barna

19h às 20h: Sarah Sampp

20h às 20h30: Circo Gamarra (cortejo dispersão)

Djs Aída e Black Josie nos intervalos.

Horários sujeitos a alteração.


Patrocínio: Sympla, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte
Apoio cultural: Uni-BH
Realização: Através Gestão Cultural, DRZ e PIRA Cultural

 

https://www.instagram.com/festivalrole/

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