Escavado sob 2.300 metros de rocha pura nos Alpes, o túnel plano permite que trens de carga cruzem a Europa sem subir montanhas. Inaugurado em 2016 pela autoridade federal suíça AlpTransit Gotthard AG, o Túnel de Base de São Gotardo redefiniu o transporte ferroviário transalpino ao atravessar o coração dos Alpes sem aclives íngremes.
Por que escavar na base da montanha é melhor do que subir a serra?
Imagine tentar empurrar um carrinho de compras pesado subindo uma ladeira íngreme de paralelepípedos em comparação a empurrá-lo em um corredor totalmente plano. Trem de carga funciona da mesma forma quando enfrenta o atrito do aço dos trilhos.
Na rota histórica de montanha, as composições precisavam subir curvas sinuosas até 1.150 metros de altitude, exigindo locomotivas extras de empurrão. Ao perfurar a rocha na altura da base geográfica, a engenharia criou uma linha com inclinação máxima de apenas 6,7 milímetros por metro, funcionando como uma ferrovia de planície no meio das montanhas.

Quais são as dimensões reais e as especificações da obra subterrânea?
O projeto coordenado pelo Departamento Federal de Meio Ambiente, Transportes, Energia e Comunicação (DETEC) exigiu a remoção de 28,2 milhões de toneladas de rocha ao longo de 17 anos de escavações.
Comprimento do eixo principal: possui 57,1 quilômetros de extensão em cada um dos dois tubos paralelos, somando mais de 152 quilômetros de galerias e poços.
- Cobertura de rocha sobre o túnel: atinge até 2.300 metros de maciço rochoso acima da abóbada de concreto.
- Velocidade operacional de projeto: trens de passageiros trafegam a até 250 km/h, enquanto os de carga operam a 160 km/h.
- Diâmetro de escavação dos tubos: tuneladoras industriais (TBM) abriram seções circulares de cerca de 9,5 metros de diâmetro.
- Estações multifuncionais de emergência: duas centrais subterrâneas em Sedrun e Faido equipadas com trocas de via e sistemas de evacuação.
Como funciona a segurança e o resgate a mais de 50 quilômetros de distância das saídas?
Se um incêndio ou falha mecânica ocorre no meio do maciço, a fumaça e o calor não podem se espalhar para o tubo vizinho. Por isso, os dois túneis são totalmente independentes e mantidos sob pressões de ar diferenciadas.
A cada 325 metros, galerias transversais conectam os tubos. Em emergências, os passageiros caminham poucos metros até o tubo seguro oposto, onde trens de resgate e sistemas de ventilação com capacidade de soprar centenas de metros cúbicos de ar por segundo garantem a evacuação limpa.
Quais normas e padrões regulam a construção de túneis ferroviários longos?
A engenharia de túneis de grande extensão obedece aos parâmetros da International Tunnelling and Underground Space Association (ITA-AITES) e aos regulamentos de interoperabilidade europeus do Eurocode 7 para geotecnia e escavações.
No Brasil, obras subterrâneas e escavações de túneis urbanos ou rodoviários são regidas pelas normas ABNT NBR 15617 para suporte em concreto projetado e ABNT NBR 6122 para projetos de fundações e contenções profundas.

Quando é necessário consultar um engenheiro geotécnico especializado?
Projetar escavações subterrâneas, passagens inferiores ou túneis de drenagem exige a contratação de um engenheiro geotécnico e de um engenheiro especialista em estruturas subterrâneas.
O mapeamento das tensões da rocha e o controle da água de infiltração evitam desmoronamentos e deformaçoes na superfície. Intervenções em solo sem cálculo geotécnico adequado colocam em risco vidas e edificações vizinhas.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro geotécnico ou engenheiro especialista em estruturas subterrâneas, especialmente em contextos de risco de desmoronamento, instabilidade de maciço e infiltração de água.

