Operada pela EMAE na Serra do Mar, a Usina Henry Borden possui grupos geradores capazes de partir sem tensão externa para recompor a rede estadual em emergências.
Como uma usina hidrelétrica consegue religar a si mesma sem receber eletricidade da rede?
Pense em um carro com a bateria totalmente descarregada: ele não liga a chave sozinho até receber energia externa de outro veículo. Em uma usina convencional ocorre o mesmo, pois os motores de lubrificação e compressores exigem corrente elétrica prévia para abrir os portões de água.
A Usina Henry Borden contorna esse problema utilizando bancos de baterias operando em corrente contínua e pequenos geradores a diesel de emergência para alimentar os atuadores hidráulicos. Esse processo de partida autônoma sem tensão de referência da rede externa é chamado tecnicamente de black start.

Quais são as especificações e capacidades de partida da Usina Henry Borden?
O sistema de recomposição emergencial mantido pela EMAE atende aos requisitos rigorosos do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para religamento rápido da malha de alta tensão.
Capacidade instalada total de 889 MW: o complexo reúne 14 unidades geradoras do tipo Pelton operando sob queda bruta de 720 metros na Serra do Mar.
- Tempo de resposta para sincronização: as turbinas entram em rotação nominal de 450 rpm e geram tensão de linha em menos de 15 minutos após o comando.
- Banco de baterias de emergência: autonomia para manter sistemas de proteção, telecontrole e abertura de válvulas operacionais por várias horas sem recarga.
- Tensão dos geradores auxiliares: grupos geradores a diesel de partida rápida fornecem 440 V para acionar as bombas de óleo dos mancais das turbinas.
- Pressão do sistema hidráulico de governo: acumuladores oleoidráulicos operam a 4 MPa para movimentar as agulhas dos injetores Pelton sem depender de bombas elétricas.
Como funciona o processo passo a passo de religamento do sistema elétrico após um apagão?
Após a confirmação do colapso no sistema interligado, os operadores isolam a usina da rede desenergizada e ligam os geradores a diesel a partir das baterias locais. Com os painéis auxiliares energizados, as válvulas borboleta são abertas para dar passagem à água acumulada no topo da serra.
A água desce pelo conduto forçado sob 720 metros de coluna d’água e atinge a primeira turbina Pelton, gerando energia local para acionar as demais unidades. A partir dessa “ilha de energia”, os engenheiros energizam gradualmente as linhas de transmissão de 138 kV e 230 kV para alimentar usinas térmicas e grandes subestações vizinhas.
Quer ver como a usina centenária garante a segurança do sistema elétrico?
Acompanhar a infraestrutura de uma usina centenária encravada na rocha revela a importância de manter sistemas mecânicos e hidráulicos operacionais para momentos de crise energética.
O vídeo técnico do canal especializado analisa a confiabilidade dos equipamentos da Henry Borden e seu papel estratégico para a estabilidade de São Paulo.
Abaixo, um vídeo do MegaWhat que aprofunda o tema:
Quais normas e procedimentos do setor elétrico exigem o teste de arranque autônomo?
A operação e os ensaios periódicos de recomposição do sistema elétrico são regidos pelos Procedimentos de Rede do ONS, em especial o Módulo 10, que estabelece os requisitos técnicos para prestação de serviços ancilares de autorrestabelecimento.
A manutenção das estruturas civis e galerias hidráulicas segue as diretrizes da ABNT NBR 12655 para durabilidade do concreto estrutural e da ABNT NBR 6118 para resistência sob altas pressões. O cumprimento estrito desses padrões garante que a usina responda instantaneamente quando acionada.

Quando é necessário contratar um engenheiro eletricista e um engenheiro de automação?
O dimensionamento de sistemas de energia ininterrupta e no-breaks industriais com capacidade de partida autônoma exige a consultoria direta de um engenheiro eletricista e de um engenheiro de automação.
Projetar arranjos de emergência para plantas industriais ou infraestruturas críticas não deve ser feito de forma improvisada, pois falhas na coordenação de relés ou no banco de baterias podem travar o religamento durante uma pane. Apenas especialistas habilitados garantem a segurança do sistema.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos de infraestrutura elétrica e sistemas de emergência industriais, recomenda-se avaliação de engenheiro eletricista e engenheiro de automação, especialmente em contextos de risco de surto elétrico, falha de isolamento ou colapso de fornecimento.

