Iniciada em setembro de 2026, a demolição e reconstrução da travessia principal de São Luís substitui uma estrutura desgastada por 66 anos de tráfego pesado e maresia.
Por que a estrutura antiga perdeu a capacidade de sustentar veículos pesados?
Imagine dobrar um clipe de papel repetidamente até ele enfraquecer. Quando caminhões passam diariamente com cargas muito acima do limite previsto na década de 1960, o concreto interno sofre pequenas trincas e o aço perde a força. Esse fenômeno técnico é chamado de fadiga dos materiais.
A situação piora com a maresia do ambiente marinho, que penetra no concreto e oxida as armaduras de aço. Isso reduz a rigidez à flexão da estrutura, provocando deslocamentos visíveis nos pilares e tornando inviável manter apenas reforços com cabos de aço, como os instalados em 2017.

Quais são as dimensões e os números da reconstrução na BR-135?
O investimento executado pelo DNIT reestrutura o gargalo logístico por onde trafega todo o abastecimento da capital maranhense e o acesso ao porto de Itaqui.
Extensão da ponte a ser substituída: 459 metros de comprimento no sentido de entrada da capital São Luís.
- Valor global do contrato: R$ 176,7 milhões viabilizados pelo Regime Diferenciado de Contratações Públicas.
- Atualização de carga normativa: transição do trem-tipo de 24 toneladas para a classe moderna de 45 toneladas.
- Prazo de execução: trabalhos iniciados em 10 de setembro de 2026 com entrega final prevista para 2027.
- Capacidade da via paralela: estrutura de 465 metros opera em sentido duplo para evitar paralisação do tráfego.
Como funciona a demolição e a construção da nova ponte na prática?
A remoção do viaduto antigo não utiliza explosivos para evitar impactos no canal e na ponte vizinha. As equipes utilizam corte diamantado e hidrodemolição, fatiando os blocos de concreto armado antes de içá-los com guindastes de alta capacidade.
Na sequência, novas fundações profundas com estacas escavadas receberão vigas pré-moldadas de concreto protendido. Esse método acelera a montagem da pista e cria uma barreira impermeável contra o ataque de cloretos do mar, garantindo maior durabilidade.
Como fica o trânsito na BR-135 durante a execução dos trabalhos?
Para impedir o isolamento de São Luís, a Polícia Rodoviária Federal e os técnicos de trânsito moveram o tráfego de entrada e saída para a ponte paralela. Essa estrutura de 465 metros absorve os dois sentidos sem necessidade de bloqueios no sistema Pare e Siga.
Restrições de horários e dimensões para veículos superpesados ajudam a preservar a pista em operação durante a fase intensiva de obras na rodovia.
Abaixo, um vídeo da TV Cidade MA detalha o plano de interdição e as inspeções do órgão de infraestrutura no local:
Quais normas técnicas de engenharia regem o novo projeto de ponte?
O dimensionamento estrutural segue as diretrizes da norma ABNT NBR 7187, que estabelece os critérios para projetos de pontes de concreto armado e protendido. Além disso, os cálculos de durabilidade contra a agressividade ambiental do litoral cumprem a ABNT NBR 6118.
Ao projetar a travessia para o trem-tipo de 45 toneladas definido pela norma de cargas móveis, a engenharia garante que o tabuleiro suporte combinações pesadas de transporte por mais de 50 anos sem risco de deformações prematuras.

Quando um especialista em engenharia de pontes deve avaliar uma estrutura?
A verificação periódica por um engenheiro especialista em estruturas é indispensável assim que surgem fissuras oblíquas, deforma no pavimento ou exposição da armadura de aço. Em regiões litorâneas, ensaios de ultrassom e esclerometria identificam danos internos antes que ocorra a perda total de estabilidade.
Intervenções em obras de arte especiais exigem laudos fundamentados e cálculos de reavaliação de carga. Tratar sintomas superficiais sem corrigir a fadiga do concreto coloca em risco a segurança de milhares de motoristas.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos e diagnósticos estruturais em pontes e viadutos, recomenda-se a consultoria técnica de um engenheiro especialista em estruturas ou engenheiro geotécnico, prevenindo riscos de colapso e comprometimento da segurança viária.

