Com 38,5 quilômetros de extensão, o túnel de transferência Polihali–Katse utiliza duas tuneladoras gigantescas operando simultaneamente em extremidades opostas. A escavação do túnel Polihali–Katse enfrenta um dos cenários geológicos mais complexos do sul da África, exigindo engenharia de precisão sob as montanhas Maluti. A obra conecta as represas do projeto hidráulico Lesotho Highlands para garantir o abastecimento hídrico de milhões de pessoas.
Como duas máquinas de 423 metros conseguem abrir um túnel de 38 km debaixo de montanhas?
Imagine uma broca gigante que perfura a montanha e constrói as paredes do túnel à medida que avança na rocha. Em vez de detonar explosivos que desestabilizam o terreno, os engenheiros utilizam tuneladoras do tipo TBM, que cortam a rocha dura com discos giratórios de alta pressão.
Cada máquina possui um cabeçote de corte com 5,38 metros de diâmetro e empuxo hidráulico suficiente para esmagar basalto denso. O processo contínuo instala anéis de concreto logo atrás da cabeça de corte, garantindo a sustentação imediata do teto contra colapsos.

Quais são as dimensões e métricas do túnel Polihali–Katse?
O projeto exige especificações rigorosas para resistir à pressão do maciço rochoso e garantir o fluxo de água contínuo sem bombeamento elétrico. A combinação de geotecnia e hidráulica pesada estabelece novos parâmetros operacionais.
Comprimento total da tubulação subterrânea: 38,5 quilômetros de extensão escavados diretamente através das formações de basalto das montanhas Maluti.
- Comprimento de cada tuneladora (TBM): cerca de 423 metros de extensão total por máquina, abrigando motores, sistemas de ventilação e eretores de aduelas.
- Diâmetro de corte da escavação: 5,38 metros de diâmetro nominal para a passagem da broca e montagem da estrutura interna.
- Capacidade de transferência hídrica: elevação da vazão hídrica de 780 para 1.270 milhões de metros cúbicos de água por ano.
- Revestimento em anéis de concreto: montagem simultânea de aduelas pré-moldadas intertravadas para conter a pressão da rocha e vedar o fluxo.
Como funciona o sistema de transferência por gravidade?
O túnel foi projetado com uma suave inclinação descendente que aproveita a diferença de altitude entre os reservatórios de Polihali e Katse. A água flui livremente pelo interior do tubo de concreto, eliminando a necessidade de usinas de bombeamento.
Enquanto as duas TBMs escavam de pontas opostas para se encontrarem no meio do percurso, equipes especializadas selam as juntas das aduelas com borrachas sintéticas. Essa vedação impede vazamentos para o maciço e protege a pureza da água potável.
Onde acompanhar a operação das tuneladoras no Lesoto?
A montagem e o lançamento da segunda máquina tuneladora marcaram uma etapa crucial do projeto hidráulico no Lesoto. As equipes governamentais da África do Sul e do Lesoto acompanham os trabalhos de perfuração no canteiro.
O registro audiovisual oficial documenta a montagem das peças do macaco hidráulico e a entrada da TBM na embocadura do túnel. O trabalho mobiliza centenas de engenheiros geotécnicos e técnicos especializados.
Abaixo, um vídeo do canal Lesotho Highlands Development Authority que aprofunda o tema:
Quais normas técnicas orientam o projeto e a segurança do túnel?
Escavações mecânicas subterrâneas deste porte seguem diretrizes internacionais da International Tunnelling and Underground Space Association (ITA) e recomendações da ASCE. No Brasil, o controle do concreto de revestimento obedece à ABNT NBR 12655 para garantir resistência química e estrutural.
A aplicação dessas normas garante que o concreto pré-moldado suporte deformações do maciço sem trincar. Assim, o túnel evita infiltrações indesejadas e garante vida útil operacional projetada para mais de 100 anos.

Quando é indispensável contratar um engenheiro geotécnico?
Qualquer obra que envolva escavações profundas ou alteração da estabilidade do solo requer a orientação direta de um engenheiro geotécnico. Este profissional analisa ensaios de sondagem e calcula as contenções necessárias para suportar as pressões da terra.
Não é um trabalho que você faz sem respaldo técnico porque a remoção incorreta de terra pode causar desabamentos e trincas em construções vizinhas. A consultoria especializada reduz riscos e garante a segurança do projeto.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais e obras subterrâneas locais, recomenda-se a avaliação de um engenheiro geotécnico habilitado, especialmente em contextos de risco de instabilidade de solo, infiltração ou comprometimento estrutural.

