Pedir viagem de trabalho à IA? Resposta depende de quantas agências ela vê

Estudo da Loupit aponta diferenças de 32% entre agências, o que torna o acesso a várias fontes decisivo para a recomendação da IA

Pedir a um assistente de inteligência artificial a melhor opção de voo ou hotel para uma viagem de trabalho já é possível, mas a qualidade da resposta tem um limite claro: a ferramenta só consegue recomendar o que enxerga. Se preço e disponibilidade mudam de uma agência para outra, uma IA conectada a poucas fontes pode deixar alternativas de fora.

É o que sugere um estudo da travel tech Loupit, feito entre 1º de agosto e 30 de setembro de 2026 com 153 empresas. O levantamento comparou cotações de passagens aéreas e hotéis entre agências e encontrou diferenças de preços de 32% entre elas.

Preço e disponibilidade mudam entre agências

Os números ajudam a entender por que a fonte importa. Em 39% das cotações analisadas, a agência com menor fee, a taxa cobrada pelo serviço, não era a que tinha o menor preço final. E em 17% das pesquisas, uma ou mais opções de passagens ou hotéis apareceram em apenas uma das agências comparadas.

Tem mais: em 83% das pesquisas, as agências mostravam exatamente os mesmos voos e hotéis, e a diferença estava só no preço. Encontrar as mesmas opções, portanto, não quer dizer receber propostas com o mesmo valor.

Ou seja: quem consulta um único canal pode não ver a proposta mais barata nem todas as opções disponíveis. Com a IA, a lógica é a mesma, porque a recomendação depende das opções às quais a ferramenta tem acesso.

A conta ajuda a visualizar. Uma passagem de R$ 1.100, com fee de R$ 10, totaliza R$ 1.110. Outra proposta, com passagem de R$ 1.000 e fee de R$ 20, custa R$ 1.020. A taxa maior, nesse exemplo, acompanha a compra mais barata. Os valores são ilustrativos e não fazem parte dos resultados do estudo.

A conversa virou o lugar da reserva

A Loupit integra sua plataforma a aplicativos de inteligência artificial como ChatGPT, Claude, Gemini e Copilot. Com isso, o usuário pode pedir opções em linguagem natural, comparar propostas e consultar as regras da empresa durante a própria conversa.

O diferencial está no que chega até a IA. Como a empresa funciona como marketplace de viagens corporativas, o cliente pode escolher até três agências e comparar as ofertas de todas elas, e cada agência consulta mais de 150 sites e fornecedores globais.

Com três agências, o alcance pode passar de 450 consultas a fontes de ofertas. Como as agências podem acessar fornecedores em comum, com negociações diferentes, o número representa o potencial de consultas combinadas, e não necessariamente 450 sites ou fornecedores distintos.

Para Patrick Tytgadt, CEO da Loupit e especialista em Travel Tech, a mudança está na forma como a ferramenta de reserva chega ao usuário.

“Invertemos a lógica: em vez de trazer a inteligência artificial para dentro do aplicativo do OBT, trouxemos o OBT para dentro do aplicativo de inteligência artificial”, afirma Tytgadt.

Mais fontes, mais chance de acertar

OBT é a sigla para Online Booking Tool, a ferramenta que as empresas usam para pesquisar e reservar viagens corporativas. Na proposta da Loupit, esses recursos passam a ser acessados durante uma conversa com a IA, com políticas e aprovações da empresa valendo normalmente.

Na prática, a recomendação da IA fica mais completa quando ela consegue comparar o que cada agência de viagens corporativas tem a oferecer, em vez de olhar um único cardápio de voos e hotéis.

Os resultados referem-se à amostra analisada e não devem ser interpretados como uma estimativa de todo o mercado brasileiro. Para quem pergunta à IA qual é a melhor opção de viagem de trabalho, o estudo indica que a resposta vale tanto quanto o número de agências que ela consegue consultar.