Você instala o ar-condicionado e, meses depois, sente cheiro de plástico queimado perto da tomada. O cabo está quente, e o disjuntor desarma com frequência. A bitola de fio para ar-condicionado inferior à exigida pela potência do aparelho faz a corrente encontrar resistência no condutor. O cabo aquece além do limite, o isolamento derrete e o risco de curto-circuito se torna real.
Por que o fio fino aquece com a corrente do ar-condicionado?
Todo condutor elétrico oferece uma resistência natural à passagem da corrente. Essa resistência é inversamente proporcional à área da seção transversal do fio, ou seja, quanto mais fino o cabo, maior a resistência. Quando a corrente do ar-condicionado passa por um fio subdimensionado, o atrito dos elétrons gera calor em excesso.
O cabo tem um limite de temperatura que o isolamento suporta. Em cabos com isolamento de PVC, esse limite é de 70 °C. Quando a corrente ultrapassa a capacidade de condução da bitola instalada, a temperatura sobe além desse valor, o PVC amolece, derrete e carboniza.

O que acontece quando a bitola é insuficiente?
O superaquecimento é progressivo e silencioso. No início, o cabo apenas esquenta mais que o normal. Com o tempo, o isolamento perde a flexibilidade e começa a rachar. A exposição do cobre cria condições para curtos-circuitos e incêndios.
Os três estágios do dano são:
Quais sinais mostram que a fiação está sobrecarregada?
O problema avisa antes do incêndio. Os sinais aparecem no comportamento do disjuntor e no estado do cabo. Reconhecê-los cedo evita o pior.
Os principais indícios de bitola insuficiente são:
- Disjuntor que desarma com frequência, principalmente na partida do ar.
- Cheiro de plástico queimado perto da tomada ou do quadro.
- Cabo quente ao toque depois de algum tempo de uso.
- Isolamento rachado ou escurecido na saída do disjuntor.
- Queda de tensão perceptível, com o ar perdendo força.

Qual é a bitola correta para cada potência?
O dimensionamento depende da corrente do aparelho, da tensão e do comprimento do percurso. A NBR 5410 limita a queda de tensão a 4% nos circuitos terminais. A tabela abaixo resume as bitolas recomendadas para 220 V em percursos de até 20 metros:
| Capacidade (BTU) | Bitola mínima (220 V) | Disjuntor sugerido |
|---|---|---|
| 9.000 a 12.000 Split comum ou inverter | 2,5 mm² | 16 A a 20 A |
| 18.000 Uso residencial médio | 4,0 mm² | 25 A |
| 24.000 Salas grandes | 4,0 mm² a 6,0 mm² | 25 A a 32 A |
| 30.000 a 36.000 Alta capacidade | 6,0 mm² | 32 A ou mais |
Em 127 V, a corrente dobra para a mesma potência. Um aparelho de 12.000 BTU que usa 2,5 mm² em 220 V pode exigir 4,0 mm² em 127 V. Se o percurso for maior que 20 metros, a queda de tensão se torna o fator decisivo, e a bitola precisa subir uma categoria.
Como corrigir uma instalação com bitola insuficiente?
A correção exige substituir o cabo por outro com a bitola adequada. Não há como compensar o subdimensionamento com disjuntor maior, porque o disjuntor protege o cabo, não o aparelho. A tabela abaixo orienta a decisão:
| Situação | Sinal observado | Ação recomendada |
|---|---|---|
| Cabo com bitola menor Instalação recente | Aquecimento leve | Substituir o cabo |
| Isolamento derretido Cabo danificado | Cheiro de queimado | Parar de usar e trocar |
| Circuito compartilhado Tomadas e ar no mesmo disjuntor | Disjuntor desarma sempre | Criar circuito dedicado |
Por que o circuito dedicado é obrigatório?
A instalação elétrica do ar-condicionado exige circuito exclusivo. A NBR 5410 determina que equipamentos com corrente superior a 10 A tenham circuito dedicado, sem compartilhamento com tomadas de uso geral. A bitola correta é o que garante que o cabo suporte a corrente sem aquecer.
O disjuntor precisa ser compatível com a bitola, nunca maior. Um disjuntor de 32 A em um cabo de 2,5 mm² não protege o fio: ele permite que a corrente ultrapasse a capacidade do condutor antes de desarmar. A manutenção preventiva inclui verificar a temperatura dos cabos e o aperto dos terminais uma vez por ano. O dimensionamento correto é a diferença entre um ar-condicionado que funciona por anos e uma instalação que vira risco de incêndio.

