Não existe uma única vitamina milagrosa capaz de resolver sozinha a queda de cabelo e o enfraquecimento das unhas. Mas três nutrientes se destacam quando o assunto é fortalecer fios e lâminas ungueais: a biotina, o ferro e a vitamina D.
Cada um desses nutrientes atua em uma etapa diferente do metabolismo capilar e ungueal, e a deficiência de qualquer um deles pode enfraquecer a estrutura da queratina. Antes de recorrer a suplementos, o caminho mais seguro é identificar por exame qual nutriente está realmente em falta.
Como a biotina participa da produção de queratina no cabelo e nas unhas?
A biotina, também chamada de vitamina B7, funciona como coenzima em reações químicas que produzem a queratina, proteína estrutural que forma fios de cabelo e unhas. Quando os níveis estão adequados, o cabelo tende a crescer mais resistente e as unhas ficam menos propensas a lascar.
A deficiência de biotina, porém, é considerada rara em pessoas com dieta equilibrada. Ela costuma aparecer associada a má absorção intestinal, uso prolongado de certos medicamentos ou consumo excessivo de clara de ovo crua, que contém uma proteína que bloqueia a absorção da vitamina.

Que sinais acompanham a queda de cabelo causada por deficiência de ferro?
O ferro é fundamental para o transporte de oxigênio até o folículo capilar, garantindo energia suficiente para as células responsáveis pelo crescimento do fio. Sua deficiência é uma das causas mais frequentes de queda difusa, principalmente em mulheres em idade fértil.
Quadros de anemia ferropriva costumam vir acompanhados de cansaço, palidez, unhas quebradiças e cabelo sem brilho. Esse conjunto de sinais reforça a importância de dosar a ferritina sérica antes de iniciar qualquer reposição de ferro por conta própria.
O que os estudos mostram sobre a suplementação de biotina para unhas quebradiças?
A evidência mais citada sobre biotina e unhas vem de um estudo suíço publicado no Journal of the American Academy of Dermatology. De acordo com a pesquisa de Colombo e colaboradores, indexada no PubMed, mulheres com unhas quebradiças que receberam biotina apresentaram aumento de 25% na espessura da lâmina ungueal, além de redução da descamação das bordas.
É importante contextualizar: o estudo avaliou apenas 32 pessoas e é de 1990, sem grupo placebo duplo-cego. Para queda de cabelo especificamente, um ensaio clínico brasileiro publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia em 2024 não encontrou resultado positivo com o uso isolado de biotina oral, reforçando que a evidência é mais sólida para unhas do que para o crescimento capilar.
Resultado observado em estudo suíço com mulheres com unhas quebradiças, publicado no JAAD em 1990.
Mede os estoques reais de ferro no organismo, essencial antes de suplementar contra a queda difusa.
Sinal de que a causa pode não ser só nutricional e exige avaliação de um dermatologista.
Por que a vitamina D também influencia o crescimento capilar?
A vitamina D atua na regulação do ciclo de crescimento do cabelo, estimulando os folículos a saírem da fase de repouso e entrarem novamente na fase de produção. Baixos níveis dessa vitamina foram associados a diferentes tipos de alopecia, incluindo o eflúvio telógeno.
Como é produzida majoritariamente pela exposição solar, a deficiência é comum em quem passa a maior parte do tempo em ambientes fechados. Nesses casos, a suplementação orientada por um médico pode ajudar a restabelecer o ciclo normal dos fios.

Quando a queda de cabelo e as unhas fracas exigem avaliação de um dermatologista?
Tomar vitaminas sem investigação prévia pode mascarar doenças mais sérias, como distúrbios da tireoide ou deficiências múltiplas. Doses elevadas de biotina, inclusive, podem interferir em exames laboratoriais e comprometer diagnósticos de tireoide e cardíacos.
Alguns exames simples ajudam a orientar a suplementação com segurança e devem ser solicitados por um profissional:
- Hemograma completo, para avaliar sinais de anemia
- Ferritina sérica, que mede os estoques reais de ferro no organismo
- Dosagem de 25-hidroxivitamina D, o marcador mais confiável dos níveis dessa vitamina
- TSH e T4 livre, para descartar disfunções da tireoide
- Dosagem de zinco e vitamina B12, quando há suspeita de carência associada
- Avaliação clínica com dermatologista, essencial para identificar o tipo de queda ou fragilidade
Leve à consulta o histórico de quando a queda começou, se há falhas localizadas no couro cabeludo e quais suplementos já foram usados por conta própria. Essas informações ajudam o dermatologista a direcionar os exames certos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um dermatologista ou nutricionista.

