Marcelo Serrado se divide entre juiz no cinema e bandido na TV

Ator estará na próxima novela das sete da Globo e interpretará Sérgio Mouro nas telonas. Às voltas com a ética e a desonestidade, os personagens traduzem os impasses do Brasil

por Ana Clara Brant 31/05/2017 08:30

TV Globo/Divulgação
O golpista Malagueta (acima) era cidadão honesto até que decidiu roubar. (foto: TV Globo/Divulgação)

De juiz, considerado por muita gente um paladino da Justiça, a reles ladrão. Vão de uma ponta a outra os novos trabalhos do ator Marcelo Serrado, que interpreta Sérgio Moro no filme Polícia Federal – A lei é para todos e o concierge Malagueta, envolvido em um roubo milionário em Pega pega, a próxima novela das sete da Globo. ''O bacana dessa profissão é isto: a diversidade de papéis, as várias facetas'', afirma Serrado.


Um assalto dá o pontapé inicial na novela escrita por Claudia Souto, que estreia em 6 de junho e se passa no fictício cinco estrelas Carioca Palace. Ao descobrir que o hotel será vendido, Malagueta arma um roubo em parceria com o garçom Júlio (Thiago Martins), a camareira Sandra Helena (Nanda Costa) e o recepcionista Agnaldo (João Baldasserini) para ficar com o dinheiro.

''Ele é o líder da quadrilha. Todos são pessoas comuns, trabalhadores. Nunca pensaram em roubar, mas, movidos por diferentes razões, decidem dar o golpe. O Malagueta é um cara culto, que fala inglês, mas diante de uma determinada ação ele acaba optando pelo caminho do desvio. Quer mostrar ao pai, Timóteo (Cacá Amaral), um ladrão preso, que ele é mais esperto do que ele. Ou seja, quer provar que o Malagueta vai roubar, ninguém vai saber e ele ainda continuará trabalhando no hotel'', revela.

Marcelo Serrado acredita que o folhetim não deixa de ser um retrato bem-humorado do Brasil, pois aborda temas como ética, valores morais e roubalheira. ''Tem tudo a ver, sim. Mas de uma maneira mais divertida e leve. Até que ponto um pequeno delito vira um grande delito? Apesar de o nome verdadeiro dele ser Vítor Aguiar, o Malagueta é realmente essa figura apimentada, com várias nuances. É curioso'', explica o ator, que chegou a fazer laboratório no glamouroso Copacabana Palace.

O último papel de Marcelo na TV foi outro vilão: o deputado Carlos Eduardo, em Velho Chico. Apesar de não ser um primor de caráter, ele diz que o personagem carregava um toque de humor que chegou a cativar os telespectadores. ''Aquela loucura toda do Carlos Eduardo era engraçada, ele era divertido a certo modo. O vilão está sempre à margem, está sempre manipulando, e por isso é muito rico fazer (o papel). Quando une com essa coisa do humor, fica mais interessante ainda. Estou muito feliz de voltar a fazer uma novela das sete, pois ela tem essa coisa da comédia muito forte'', ressalta.

 

CINEMA 

Se na TV ele é o líder de uma quadrilha amadora, na telona Marcelo Serrado será visto em duas produções que vão dar o que falar. Um de seus personagens é o juiz Sérgio Moro no filme sobre os bastidores da Operação Lava-Jato. O outro é Crô, o mordomo Crodoaldo Valério, que ele volta a interpretar. O fiel escudeiro de Tereza Cristina (Christiane Torloni), que saiu da novela Fina estampa (2011-2012), de Aguinaldo Silva, e foi parar nos cinemas, vai estrelar o longa que começa a ser rodado no segundo semestre.

''O primeiro filme foi um sucesso, teve mais de 2 milhões de espectadores. O Crô é daqueles personagens que vão além de você. É impressionante como pessoas de todas as idades o amam, principalmente as crianças. Só posso adiantar que será uma comédia para deitar e rolar. A bicha vai voltar poderosíssima'', brinca.

Polícia Federal – A lei é para todos, do diretor Marcelo Antunez, que roda seu primeiro thriller depois de emplacar comédias de boa bilheteria (Até que a sorte nos separe 3 e Qualquer gato vira-lata 2), vai estrear em uma data icônica. ''Será no Dia da Independência, 7 de setembro. Bombástico, ele deve chegar com 950 cópias. O público poderá ver realmente tudo o que está sendo feito, apesar de a produção abordar um período específico'', explica o ator, referindo-se às investigações contadas de acordo com o ponto de vista da PF. A trama vai dos primórdios da operação ao depoimento do ex-presidente Lula, por condução coercitiva, no aeroporto de Congonhas.

Serrado é só elogios a Sérgio Moro. ''É uma honra interpretá-lo. É um cara incrível, que está fazendo um trabalho extremamente genial. Nada como o tempo para mostrar que ele estava no caminho certo, que não estava perseguindo um só partido. Porque, pelo que estamos constatando ultimamente, não sobra ninguém'', frisa.

 

 

VOTO
O ator, de 50 anos, sempre se posicionou publicamente. Declarou voto em Aécio Neves, pronunciou-se a favor do impeachment de Dilma Rousseff e foi a favor das Diretas-já. Em um de seus posts mais recentes, afirmou: ''Tínhamos que nos unir e tornar a corrupção crime hediondo. Votei no Lula duas vezes, e no Aécio também. Se eles fizeram coisas ilegais, que paguem por isso. Temos que parar de achar que há heróis na política. Eles não estão nem aí pra gente. Enquanto discutimos, eles riem da gente. Faça democracia no dia a dia na sua vida, já daremos um passo grande com isso. Entendeu? Faça democracia no dia a dia na sua vida, já daremos um passo grande com isso''.

Serrado prega gentileza e consideração, sobretudo nas redes sociais. ''Internet é esse terreno meio livre, terra de ninguém. Respeito a opinião dos outros, mas têm que respeitar a minha também. A palavra de ordem é esta: respeito'', conclui.

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