Após críticas, Netflix insere mensagem de alerta em '13 Reasons Why'

Abordagem gráfica de suicídio será reforçada em avisos prévios na produção original

por Diário de Pernambuco 02/05/2017 17:56
Netflix/Reprodução
Cena do suicídio da protagonista Hanna Baker levantou ampla discussão sobre seriado (foto: Netflix/Reprodução)
Após a repercussão mundial e críticas sobre a abordagem explícita em torno do suicídio, a Netflix decidiu fazer algumas mudanças nos alertas da série 13 reasons why. Com o objetivo de amenizar a preocupação de expectadores e profissionais da saúde, a empresa de streaming anunciou que colocará uma nova advertência sobre o conteúdo da série antes do primeiro episódio, além de alterar as que precedem os capítulos com as cenas de violência para inserir o site 13reasonswhy.info, com caminhos pelos quais as pessoas com depressão ou outros problemas capazes de impulsionar o suicídio possam buscar ajuda.

Desde o lançamento, 13 reasons why tem levantado discussões em torno das cenas de estupro e suicídio retratadas na narração da história da jovem Hannah Baker, cujas razões para se matar foram narradas em fiftas endereçadas a pessoas envolvidas com ela. Internautas, psicólogos e os próprios realizadores da produção iniciaram um amplo debate sobre a abordagem e a necessidade de tratar dos temas. Na Nova Zelândia, a produção original da Netflix foi restringida à classificação indicativa de "apenas para maiores de 18". A decisão tomou como base consultas a espectadores, organizações de prevenção ao abuso sexual e de amparo aos pacientes de doenças mentais no país.

As críticas negativas veem na "glamorização" do suicídio, na utilização do autoextermínio como instrumento de vingança e fatores de propensão ao chamado efeito Werther - termo científico pelo qual a publicidade de um caso notável serve de estímulo a novas ocorrências. Pessoas fragilizadas psicologicamente seriam mais inclinadas a vivenciar de forma negativa a forma como o suicídio é representado em 13 reasons why.

O psiquiatra, professor-doutor do Departamento de Psicologia Médica e psiquiatra da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luís Fernando Tófoli chegou a elaborar e divulgar na internet um texto com 13 parágrafos de alerta sobre a série. A atriz Shannon Purser, que interpreta Barb no seriado Stranger things (também da Netflix), utilizou o seu perfil nos Twitter para avisar os seguidores sobre possíveis riscos que algumas cenas mais fortes da série podem oferecer.

"Devo avisar que não recomendo assistir 13 reasons why caso você tenha pensamentos suicidas ou tenha sido vítima de violência sexual. Há algumas cenas muito gráficas que podem facilmente puxar gatilhos para memórias e sentimentos dolorosos. Por favor, protejam-se. Há muitas coisas boas sobre a série e não tenho dúvidas que ela é importante e pode ajudar muita gente. Apenas tenham cuidado", publicou Shannon.

Em recente entrevista ao E! News, o ator Ross Bulter (Zach Dempsey, na série) respondeu às críticas afirmando que "a maneira como abordamos é exatamente a maneira que precisava ser contada". Dylan Minnette, que interpreta Clay Jensen, também se pronunciou sobre o assunto durante participação no Ellen DeGeneres show: "O principal objetivo é, em geral, iniciar conversas que julgamos necessárias e mostrar essas questões de forma real". "Se as pessoas estão falando sobre isso, alcançamos nosso objetivo, porque as pessoas precisam falar sobre isso", disse Minnette.

Criador e roteirista da série, Brian Yorkey já havia defendido a abordagem realizada pela produção, principalmente na cena do suicídio da protagonista Hannah Baker. "Nós trabalhamos muito para não sermos gratuitos, mas queríamos que fosse doloroso de assistir, porque queríamos que fosse muito claro que não há nada, de qualquer forma, que valha a pena sobre o suicídio", declarou Yorkey.

A série parece ter exercido também um impacto positivo entre pessoas acometidas por angústias que as fazem pensar em interromper a vida. Em resposta à atriz Shannon Purser, uma usuária do Twitter revelou sofrer de depressão e ter sido ajudada pelo seriado, ao perceber o que o suicídio faria para as pessoas que a amam. "Ela me fez sentir melhor", comentou.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) registrou um aumento de aproximadamente 400% no número de mensagens de texto e ligações de pessoas dispostas a conversar sobre o suicídio. De acordo com a instituição, muitos desses relatos mencionam a trama. Quem deseja procurar ajuda pode solicitar atendimento pelo telefone 141 (24 horas), pessoalmente (nos 72 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br via chat, VoIP (Skype) e e-mail.

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