Equipamento permite que sequelas decorrentes de AVC sejam tratadas em casa

97% dos voluntários submetidos ao procedimento relataram melhoras na destreza manual

por Paloma Oliveto 27/09/2016 10:00

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Valdo Virgo / CB / D.A Press
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Os sobreviventes de um derrame cerebral quase sempre precisam lidar com uma sequela que impacta significativamente a qualidade de vida: a paralisia motora. Em maior ou em menor grau, o problema costuma afetar um lado do corpo — aquele onde aconteceu o acidente vascular. Consequentemente, eles têm dificuldade de abrir a mão e devem fazer reabilitação em clínicas especializadas. Um estudo publicado na revista Stroke, da Associação Americana do Coração, mostrou que um aparelho simples, usado em casa, é mais eficiente que o tratamento convencional.

O equipamento, ainda experimental, consiste em uma pequena caixa, uma luva e dois eletrodos. O paciente veste a mão saudável, enquanto os eletrodos são posicionados na paralisada. A abertura manual da mão é comandada pelo cérebro, que envia a ordem para os músculos do órgão. A luva tem sensores flexíveis, que captam esse movimento, e enviam os sinais para a caixa. Ela promove a estimulação elétrica da mão paralisada — mesmo que o comando do lado do cérebro afetado pelo derrame seja fraco, o paciente consegue abri-la porque “aproveita” a sinalização enviada pela outra mão.

A consequência do treino é o fortalecimento muscular progressivo. “Apesar de serem descritos em sequência, esses passos acontecem todos simultaneamente”, esclarece Jayme S. Knutson, principal autor do estudo e professor de reabilitação da Universidade da Reserva de Case Western, nos Estados Unidos.

Oitenta pessoas participaram do experimento descrito na Stroke. Durante três meses, metade delas usou a luva, enquanto as demais receberam a terapia tradicional, na qual fisioterapeutas aplicavam choques de baixa intensidade na mão afetada para estimular sua abertura. Independentemente do tipo de tratamento, todos os voluntários receberam um estimulador elétrico para utilizar em casa por 10 horas semanais, além de terem de passar três horas por semana com um terapeuta ocupacional para praticar tarefas orientadas. Antes e depois do estudo, os participantes fizeram um teste de destreza padrão para medir o número de pinos de madeira que conseguiam pegar, levantar e colocar em outra parte da mesa em um período de 60 segundos.

“Os pacientes do grupo da nova terapia tiveram melhora significativamente maior”, conta Knuston. Eles manipularam 4,6 pinos por minuto, enquanto que o desempenho, entre os demais, foi de 1,8 pino. Aqueles que haviam sofrido o derrame até dois anos antes dos testes foram os que mais se beneficiaram das luvas, com média de 9,6 pinos. No fim, 97% das pessoas que experimentaram a técnica afirmaram que usavam as mãos melhor do que antes e mesmo aqueles sem movimento nos dedos observaram melhoras no movimento dos braços, relata o pesquisador.

Novos testes
Knuston lembra, porém, que ainda se trata de uma tecnologia experimental e destaca que o teste foi feito com um número reduzido de pacientes. “Para sabermos se esses resultados são válidos para uma quantidade maior de pessoas afetadas por derrame cerebral, pretendemos realizar um estudo maior, em diversas partes dos Estados Unidos. Também é importante saber o quanto isso impactou na qualidade de vida dessas pessoas, no dia a dia”, afirma.

De acordo com o coautor do artigo, Douglas D. Gunzler, pesquisador do Centro Médico MetroHealth da Universidade da Reserva de Case Western, testes futuros também devem investigar se houve alterações nas conexões neurais do cérebro que controlam a destreza das mãos. “Nós acreditamos que sim, mas precisamos de exames de imagem para mapear possíveis efeitos da tecnologia no sistema nervoso central dos pacientes”, afirma.

Segundo Jayme S. Knutson, uma vantagem do trabalho publicado na revista Stroke é a demonstração de que sobreviventes de derrames podem usar a tecnologia para autoadministrar o tratamento em casa. “A terapia feita em casa está se tornando cada vez mais importante para contornar os altos gastos de saúde. É muito importante que os pacientes tenham à disposição um equipamento que eles mesmos controlam, ao mesmo tempo em que sabemos que esse equipamento trouxe um benefício ainda maior que as terapias convencionais”, diz.

Risco de derrame comum é maior em obesas
Um estudo publicado na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia, mostrou que mulheres com sobrepeso e obesidade têm risco aumentado para o tipo mais comum de derrame, o isquêmico. Porém, ao mesmo tempo, a ocorrência do hemorrágico, o mais letal, é mais baixo nesse público. “Nossa descoberta acrescenta mais uma evidência de que diferentes tipos de derrames têm perfis distintos de risco”, observa Gillian Reeves, principal autora do estudo e pesquisadora da Universidade de Oxford.

O estudo avaliou dados de 1,3 milhão de mulheres da Inglaterra com média de idade de 57 anos, acompanhadas por 12 anos. Nesse tempo, 20.549 sofreram algum tipo de derrame. Entre as com IMC saudável (22,5 a 25), 0,7% teve o isquêmico e 0,5%, o hemorrágico. Das 228.274 com obesidade (IMC acima de 30), 1% teve derrame isquêmico, e 0,4%, hemorrágico. Para cada cinco unidades a mais no IMC, o risco para o tipo isquêmico aumentou 21%. Contudo, no caso do hemorrágico, cada cinco unidades a mais decresceu o risco em 12%.

Kathryn Rexrode, do Hospital da Mulher de Boston, que comenta o trabalho em um editorial da revista, destaca que o resultado não significa que obesidade e sobrepeso diminuem o risco de derrame em geral. “Um alto índice de massa corporal foi associado a um aumento do risco geral em cada perfil. Portanto, ter IMC alto não protege nem reduz. Ao contrário, a obesidade é um fator de risco substancial para derrame em todas as idades, e ainda mais alarmante entre jovens adultos.”

21%
Aumento nas chances de uma mulher ser acometida por um derrame isquêmico se o seu índice de massa corporal subir cinco pontos

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