Adolescentes e crianças estão se suicidando mais e é preciso ajudá-los

De 2002 a 2012, o número de suicídios entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos aumentou 40%. Na faixa etária de 15 a 19 anos, a incidência também cresceu em 33%. No Dia Mundial de Combate ao Suicídio, comemorado neste sábado, é preciso romper o tabu, o preconceito e falar de prevenção

por Valéria Mendes 10/09/2016 08:30

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Soraia Piva / EM / D.A Press
Um dos grandes equívocos que rondam o suicídio é a ideia de que a pessoa que quer se matar, não avisa, não fala. Isso é mentira (Soraia Piva / EM / D.A Press) (foto: Soraia Piva / EM / D.A Press)
Quando perdemos alguém por morte natural, ou mesmo acidental, sentimos dor. Quando alguém próximo a nós se suicida, sentimos culpa, vergonha, raiva. Troca de acusações são comuns. A dor fica para depois e dificulta o luto de quem perdeu uma pessoa que tirou a própria vida. O suicídio não é escolha, mas resultado de doenças mentais e, portanto, tem tratamento. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), nove em cada dez suicídios cometidos no mundo poderiam ser evitados. Mesmo assim, ainda continuamos a perder anualmente 804 mil pessoas. O suicídio está fortemente associado à desesperança, à falta de apoio social e à solidão. O tabu que ainda envolve o tema não facilita que a informação circule e alcance quem precisa. E, infelizmente, o preconceito contra pessoas que tentam suicídio e suas famílias ainda é uma realidade.

Clara*, 20 anos, é estudante de enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela está no segundo período da faculdade e perdeu o namorado há um mês. Carlos*, também um jovem de 20 anos, matriculado no curso de biologia da mesma universidade se suicidou em Belo Horizonte. A cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo. “Ele não tinha diagnóstico de depressão ou de qualquer outro transtorno mental. Eu sabia que ele era uma pessoa descontente com o mundo e ele já tinha me dito que pensava em tirar a própria vida. Mas eu achava que estava conseguindo contornar a situação. Mas, de abril para cá, vi que ele estava sofrendo de um jeito que eu não sabia mais como ajudar. Ele falava que as coisas boas da vida não compensavam as ruins e que não valia a pena viver”, relata a estudante.

A jovem viu o namorado pela última vez quando ele foi esperar com ela o ônibus que a levaria para casa naquele dia. Clara conta que, naquela noite, ele disse para ela “você é a pessoa que mais me faz feliz, a mais especial, nunca duvide disso”. Ela entrou no ônibus e ele foi para o shopping. No dia seguinte, ela e a família de Carlos foram à Delegacia de Pessoas Desaparecidas dar queixa de desaparecimento, mas o corpo do jovem já estava no Instituto Médico Legal. Carlos tinha se suicidado. “Eu perdi meu chão, fiquei em choque, parada, olhando para o nada. É uma tristeza profunda que parece que a minha vida acabou. Você constrói coisas com a pessoa, faz planos e em questões de segundos você perde quem você ama. Eu me senti culpada. Senti raiva. Senti vergonha. Todos esses sentimentos permeados pela tristeza. A gente estava planejando as comemorações do meu aniversário, mas ele se foi três dias antes. No dia que ele se matou, lembro que estávamos no quarto dele e comecei a juntar algumas coisas para jogar no lixo, mas ele falou “não precisa, quando voltar eu arrumo”. Ele não estava pensando em se matar nessa hora, mas pouco tempo depois, se foi”, recorda-se.

A garota diz que o enterro de Carlos foi numa quinta-feira e, no sábado, ela já foi a um psicólogo. Segundo ela, o acompanhamento especializado está sendo fundamental nesse momento de dor. “A dor de perder alguém por suicídio é tão forte que a gente pensa em ir junto. Mas tenho muita vida para ser vivida”, diz.

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Pedido de socorro

Um dos grandes equívocos que rondam o suicídio é a ideia de que a pessoa que quer se matar, não avisa, não fala. Isso é mentira. Presidente da Associação Latinoamericana de Suicidologia, presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS) e professor da UFMG, Humberto Correa reforça a importância de estar atento aos sinais que as pessoas em sofrimento mental expressam. “Quem está pensando em se suicidar, avisa. Isso tem que ser levado a sério. Nunca deve ser encarado como uma estratégia de manipulação ou uma forma de chamar a atenção”, alerta.

O Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios: são 32 mortes por dia. Não temos políticas públicas específicas de prevenção ao suicídio e temos assistido a um aumento no número de suicídios entre crianças, adolescentes e jovens brasileiros. Dados do Mapa da Violência, organizado pelo Ministério da Saúde, mostra que de 2002 a 2012, o número de suicídios entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos aumentou 40%. Na faixa etária de 15 a 19 anos, a incidência também cresceu em 33% e, dados globais, mostram que triplicou no mundo inteiro o suicídio de pessoas entre 15 e 29 anos. Suicídio é questão de saúde pública.

Humberto Correa diz que as causas do suicídio são multifatoriais e é complexa a tentativa de explicar o aumento do suicídio entre jovens não apenas no Brasil, mas ao redor do mundo. “Sabemos que quanto mais laços sociais as pessoas têm, menor é o risco de suicídio. É uma realidade mundial que as famílias estão menos numerosas. Além disso, existe uma expectativa social, fundamentada no consumo, da necessidade de ser bem-sucedido na vida. Isso gera competição e individualidade. Também é um fato, no mundo e no Brasil, que o consumo de álcool e drogas têm começado cada vez mais cedo e o excesso é cada vez maior. Além disso, até 21 anos, o cérebro é imaturo. Hoje sabemos que o córtex pré-frontal é a última parte do cérebro a ser formada. Portanto, o adolescente, por natureza, é mais impulsivo, imediatista e agressivo. Todos esses fatores contribuem para as tentativas de suicídio e também para as autolesões”, elucida o especialista. É importante ressaltar, porém, que todas essas variáveis precisam estar em um contexto de transtorno mental para serem consideradas fatores de risco. A depressão é a principal causa de suicídio no mundo.

Membro da Associação de Suicidologia da América Latina e Caribe (ASULAC) e da ABEPS, especialista em psicoterapias cognitivas pela UFMG, psicóloga clínica e suicidóloga, Vivian Zicker reforça que os adolescentes ainda não possuem plena maturidade emocional e são muito mais propensos ao imediatismo e à impulsividade. “Por causa disso, eles têm maior dificuldade em lidar com episódios de estresses como fracasso escolar, perda de um ente querido, término de um relacionamento, situações que provocam vergonha ou humilhação, rejeição do grupo social. Todos esses acontecimentos podem funcionar como desencadeantes de atos suicidas”, alerta.

"É importante compartilhar a dor", afirma a diretora de documentário brasileiro que aborda o suicídio

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Considerando todas as faixas etárias, para cada dez tentativas de suicídio uma é concluída. No caso de idosos, para cada quatro tentativas, uma acontece. Ao se considerar apenas os adolescentes, esse número sobe para 100 tentativas para cada suicídio consumado (foto: EM / D.A Press)

Fatores de risco
Entre os sinais de que algo não vai bem com meninos e meninas, a especialista aponta mudanças marcantes na personalidade ou nos hábitos, afastamento da família e de amigos, descuido com a aparência, comportamento ansioso - muito agitado ou muito triste -, perda ou ganho de peso inusitado, dormir muito ou ter insônia, piora no rendimento escolar, abandono das atividades que antes tinha prazer, comentários autodepreciativos frequentes, expressão de desesperança em relação ao futuro, comentários persistentes sobre morte e pessoas que morreram, grandes oscilações entre tristeza e irritabilidade com acessos de raiva, doação de alguns pertences que lhe eram caros anteriormente e a expressão clara ou velada de que deseja morrer.

Pessoas que têm história familiar de primeiro grau de tentativa de suicídio e quem já tentou suicídio também necessita de um olhar atento. No caso de adolescentes, a automutilação também é fator de risco. “O isolamento social também pode ser um sintoma de sofrimento mental. Quem é casado suicida menos e quem trabalha suicida menos. É importante observar se o jovem está ficando isolado porque temos visto muito adolescente substituindo a vida real pela virtual”, reforça Humberto Correa.

Por isso, é preciso ter cuidado ao generalizar a adolescência como uma fase da vida em que meninos e meninas se afastam mesmo da família. “Existem jovens bastantes expansivos, bem socializados e produtivos que conseguem passar pelas adversidades da adolescência com sucesso”, pontua Vivian Zicker.

Além disso, abuso de álcool e drogas, separação dos pais, morte do pai, da mãe ou de ambos, abusos físicos e sexuais, ambiente familiar de muitas brigas, perfeccionismo e casos de suicídio de ídolos também influenciam adolescentes mais vulneráveis.

Como agravante temos ainda os grupos na internet de incentivo ao suicídio e salas de bate-papo que encorajam pactos suicidas e estimulam que o ato seja transmitido ao vivo pela web. “Meninas que enviam fotos nuas e têm expostas essas imagens, além de adolescentes homossexuais, bissexuais e transgêneros também têm risco aumentado de tentativa de suicídio”, salienta a especialista.

Números são maiores
Em média, ou seja, considerando todas as faixas etárias, para cada dez tentativas de suicídio uma é concluída. No caso de idosos, para cada quatro tentativas, uma acontece. Ao se considerar apenas os adolescentes, esse número sobe para 100 tentativas para cada suicídio consumado.

Assim, a tentativa de suicídio na adolescência deve ser um marco na vida do jovem para que se iniciem ações para sua proteção e qualidade de vida, mas, infelizmente, a grande maioria volta para casa sem nenhum amparo em favor da saúde mental.“Mesmo uma tentativa de suicídio com baixa intenção letal como cortes superficiais na pele e a ingestão de medicamentos leves não podem ser desqualificadas como "somente quis chamar a atenção". Se alguém precisa utilizar esse métodos nada saudáveis para ser notado, isso é motivo de cuidados e, futuramente, pode ocorrer tentativas com uma letalidade mais pronunciada. Não podemos nos esquecer que existe um risco maior de suicídio quando já houve uma tentativa anterior”, alerta Vivian Zicker.

Segundo a especialista, os transtornos mentais e o número de suicídios em todas as faixas etárias são subnotificados no país. “Muitas tentativas de suicídio em crianças e adolescentes podem ser encarados como "acidente" como, por exemplo, crianças que tomam produtos químicos ou overdose em adolescentes. Temos os chamados ‘autocídios’, que são suicídios mascarados como acidentes de trânsito. Sabe aquelas pessoas que estão de madrugada sozinhas e batem exatamente em um poste? Ou pessoas que se “distraem” ou "dormem" ao volante e mudam de pista exatamente quando uma carreta está passando na outra pista? Não há como ter uma estatística disso. Nos atestados de óbito somente constam o motivo pelo qual se morreu, mas não a causa. Por exemplo, que se morreu de politraumatismo e não que a pessoa pulou de um edifício. A investigação da causa cabe às autoridades policiais e não ao médico legista. As autoridades é que ficam encarregadas de dizer se foi um homicídio, um suicídio ou um acidente”, observa.

Além disso, ainda de acordo com Vivian Zicker, muitas famílias têm seu próprio médico particular que atestam uma "morte súbita" por vergonha de a família admitir o suicídio. “Há também planos de saúde que não cobrem as despesas quando é tentativa de suicídio ou seguradores que não pagam se for suicídio também”, salienta.

A psicóloga reforça que a adolescência é uma época de grandes mudanças físicas e emocionais e, por isso, pensamentos suicidas são frequentes nessa fase da vida. “Tudo é superdimensionado e mais dramático para eles pela dificuldade em lidar com problemas agudos. No entanto, na maioria das vezes são pensamentos passageiros, não são indicativos de transtorno mental e não há necessidade de intervenção. “Diferenciar os adolescentes em plena saúde mental dos que estão com algum transtorno pode ser muito difícil em alguns momentos, exatamente por causa das peculiaridades da fase em si”, alerta.

Humberto Correa diz ainda que a depressão em crianças e adolescentes é mais difícil de diagnosticar do que no adulto. “O adulto consegue expressar o sentimento e o descontentamento. No caso de crianças e adolescentes, é o comportamento – muito mais que a verbalização – que vai dar sinais de depressão como, por exemplo, se afastar dos amigos”, afirma o presidente da ABEPS.

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Falar sobre tentativa de suicídio na infância é ainda mais difícil porque o ato pode ser facilmente mascarado como acidente (Soraia Piva / EM / D.A Press) (foto: Soraia Piva / EM / D.A Press)

O suicídio e as crianças
Falar sobre tentativa de suicídio na infância é ainda mais difícil porque o ato pode ser facilmente mascarado como acidente. No entanto, o que vai diferenciar um de outro é a intencionalidade, saber se a criança tinha como objetivo se ferir propositadamente ou cometer o suicídio. “Na dúvida é importante conversar com a criança para entender o que aconteceu”, afirma Karen Scavacini, autora do livro ‘E agora? Um livro para crianças lidando com o luto por suicídio’. No caso das crianças, a cada 300 tentativas de suicídio uma se completa.

A psicóloga reforça que um dos maiores fatores de risco do suicídio na infância é a criança não ser levada a sério quando fala de sua vontade ou intenção de tirar a própria vida e ressalta que meninos e meninas têm acesso a métodos como remédios e janelas sem proteção. “Tentativas de suicídio anteriores são um dos maiores fatores de risco para o comportamento suicida. É importante ressaltar que não é por que alguém tentou cometer suicídio que essa pessoa não possa ficar bem de novo. No caso de acidentes com crianças, o médico deve fazer perguntas para verificar o que ocorreu. Se caracterizada a tentativa de suicídio, o Conselho Tutelar precisa ser avisado, o que faz com que, em alguns casos, essa tentativa não seja notificada justamente para não envolver o conselho”, pondera.

Karen Scavacini afirma que toda política de prevenção de saúde mental evita suicídios. “Se as crianças aprendessem, por exemplo, sobre tolerância à frustração e resiliência, isso poderia ajudar na prevenção do suicídio a longo prazo”, acredita.

A especialista lembra que 90% dos casos de suicídio têm relação com a depressão e cita estimativa da OMS que mostra um aumento de 4,5% a 8% no número de diagnósticos de depressão em crianças de 6 a 12 anos. “A depressão em crianças tem sintomas diferentes das de adulto e às vezes é até confundida com TDAH. Choro constante, agressividade, raiva, falta de vontade em fazer as coisas, irritabilidade, medo excessivo, culpabilização, tristeza, alterações de sono e/ou apetite, mau humor, mudanças de comportamento, baixo rendimento escolar são sinais de que é importante procurar ajuda”, avalia. Segundo ela, a duração (pelo menos por 2 semanas) e intensidade desses sintomas também são importantes de serem avaliadas.

Além da depressão, diversos outros fatores como abusos físicos e sexuais, dificuldade de tolerância à frustração, abandono, negligência, baixa autoestima, acesso a meios, período estressor recente como luto, perdas, separações, pressões e cobranças exageradas, bullying e cyberbulling são fatores de risco. “O suicídio é, na maior parte das vezes, uma resposta ao sofrimento, ao desespero e à desesperança. A criança não é capaz de medir qual é a extensão dessa “decisão”. Ela quer escapar de algo que não vê outra saída”, salienta.

A criança com menos de 6 anos não tem um conceito claro do que é a morte. “A partir dessa idade, ela pode até entender que vai morrer. O que acontece muitas vezes - inclusive com adolescentes -, é a falta de entendimento que a morte é para sempre e de que ela não voltará”, explica Scavacini. Para a psicóloga, é muito importante informar pais e mães sobre o suicídio na infância e sensibilizar os profissionais da saúde e de educação para o assunto. “A tentativa de suicídio e suicídio infantil são um dos maiores tabus da sociedade”, afirma.

Diante de uma tentativa real de suicídio na infância, o atendimento psicológico individual e familiar, a avaliação psiquiátrica e o acompanhamento psiquiátrico (se necessário) são importantíssimos. “Assim como uma criança com altas taxas de açúcar precisa de acompanhamento, uma criança ou adolescente que tentou o suicídio também precisa. Não quer dizer que ele vai precisar de terapia a vida toda, mas que em momentos de estresse ou mudanças significativas de comportamento, vale a pena verificar como ele está lidando com a situação. Não devemos jamais rotular uma criança e achar que ela será uma “suicida” a vida toda, porém devemos ser mais cuidadosos em relação a sua saúde mental”, pondera. Em relação à família, Karen defende o acompanhamento especializado. “Não devemos confundir essa intervenção com “culpabilizar” a família e sim, dar um atendimento mais integral para aquela criança e família”, conclui.

http://www.setembroamarelo.org.br/ / Reprodução Internet
Campanha Setembro Amarelo ilumina o Cristo Redentor (foto: http://www.setembroamarelo.org.br/ / Reprodução Internet )

Prevenção
A prevenção ao suicídio consiste na capacitação de profissionais da área de saúde em urgências psiquiátricas e suicidologia, investir em campanhas para romper preconceitos, derrubar mitos e disseminar informações qualificadas sobre o tema. “O suicídio é cercado de tabu e preconceito, mas temos que começar a falar e discutir de forma clara sobre o tema. Todos nós conhecemos alguém que já tentou ou se suicidou, diminuindo o tabu também estamos prevenindo”, acredita Humberto Correa.

Vivian Zicker acredita que o Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre o suicídio, é uma conquista em termos de políticas públicas. “Todos os principais monumentos e edifícios públicos do país estarão com a luz amarela neste mês, chamando a atenção para o tema. Além disso, várias atividades sobre a prevenção de suicídio estarão ocorrendo no mundo todo em 10 de Setembro, Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. Creio que a melhor forma de prevenção é a informação e a educação. Falando do assunto, damos a oportunidade para as pessoas tentarem buscar ajuda especializada. O suicídio é hoje considerado uma epidemia mundial”, conclui.

Voluntários pela vida
Há 54 anos, o Centro de Valorização da Vida (CVV) vem desenvolvendo um trabalho de prevenção ao suicídio. Espalhados pelo Brasil, já são mais de 2 mil voluntários treinados para fazer o atendimento das pessoas que estão em sofrimento mental e pedem ajuda. Além do atendimento por telefone, em Belo Horizonte, o atendimento presencial pode ser feito das 14h às 17h na Rua Desembargador Barcelos, 1286.

Klênia Batista, 43 anos, é treinadora de desenvolvimento pessoal e, há seis anos, atua como voluntária do CVV. Segundo ela, o trabalho envolve uma escuta muito profunda e é um exercício constante de empatia. “O que nos deixa próximos um dos outros são os sentimentos e não o que é dito. Alguém pode me contar uma história que me cause mal-estar, mas se eu sou capaz de me ater aos sentimentos da pessoa, quando a escuta é amorosa, aí sim, estamos exercitando a empatia e nos colocando, de fato, no lugar do outro. O nosso trabalho é auxiliar as pessoas a aceitar a história emocional pela qual estão passando. É um exercício de autoamor, de ter um olhar bom para consigo. Muitas pessoas que chegam ao CVV estão vivendo exclusivamente a doença delas e não conseguem enxergar que, na verdade, é um estágio temporal daquela existência e que vai passar”, diz. Quer saber mais? Acesse www.cvv.org.br.


* Nomes fictícios a pedido da entrevistada.

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