Veja dez passos para a alimentação saudável da pessoa idosa

O avanço da idade requer atenção especial para fatores que promovem a saúde, entre eles a alimentação. Mas é alta a incidência de idosos desnutridos, principalmente os hospitalizados

por Carolina Cotta 09/08/2016 13:00

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Maria Tereza Correia/EM/D.A -  28/09/11
A prevalência de desnutrição em pacientes hospitalizados pode chegar a 48% (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A - 28/09/11)
O envelhecimento, apesar de ser um processo natural, submete o organismo a diversas alterações anatômicas e funcionais que repercutem nas condições de saúde e nutrição do idoso. Além de comprometimentos próprios a esta fase da vida, outros podem afetar o estado nutricional dessa população, como a situação social (pobreza, isolamento social), alterações psicológicas (demência, depressão), condição de saúde (doenças crônicas, dificuldade de deglutição, excesso de medicamentos, alterações na mastigação, perda da capacidade funcional e autonomia). As consequências disso estão muitas vezes associadas ao menor consumo alimentar, tornando os idosos vulneráveis do ponto de vista nutricional. E esse desequilíbrio nutricional está relacionado positivamente ao aumento da morbimortalidade, à susceptibilidade a infecções e à redução da qualidade de vida.

Nos últimos anos, vários estudos mostram alta prevalência de idosos desnutridos. Os valores oscilam de 15% a 60%, dependendo do local onde vivem – casa, asilo ou hospital – e da técnica para o diagnóstico de desnutrição. Estudo inédito da Nestlé Health Science, em parceria com faculdades de nutrição e hospitais públicos e privados nacionais, avaliou o perfil nutricional de 20 mil pacientes internados em 110 dessas instituições. O cenário é alarmante. O Brains (Brazilian Investigation of Nutritional Status in hospitalized patients), como foi chamado o estudo, revelou que a prevalência de desnutrição em pacientes hospitalizados pode chegar a 48%. O risco sobe para 69,2% quando se considera só a população idosa. Os dados revelaram que, entre os adultos, 24% apresentavam suspeita de desnutrição, 18,3% de desnutrição moderada e 5,7% de desnutrição grave. Entre os idosos, a grande maioria (69,2%) apresentou risco de desnutrição moderada (38,4%) ou grave (30,8%).

A análise de prontuários hospitalares mostrou que 90% dos hospitais tinham o indicador nutricional abaixo do adequado, que é de 80%. Após quatro meses de intervenção, constatou-se melhoria expressiva nos indicadores usados para mensurar a eficácia da terapia nutricional. Segundo Mônica Meale, nutricionista especialista em nutrição clínica e em nutrição parenteral e enteral, a terapia nutricional é toda terapia de nutrição oferecida ao paciente. A oral recorre a vitaminas e complexos, sendo usada por pacientes que passaram por uma cirurgia, por exemplo. A enteral usa sondas no nariz ou gastrectomia, quando a sonda vai direto ao estômago. Na parenteral, os nutrientes são colocados diretamente na veia, geralmente para corrigir ou tratar a desnutrição ou auxiliar no tratamento da doença. “Neste caso, são usados nutrientes mais simples, já que esses não passam pelo sistema digestório”, explica.

Para se adotar uma terapia nutricional é necessário um diagnóstico, uma avaliação do estado nutricional para verificar os riscos de desnutrição. “Se há risco de desnutrição já há indicação da terapia. Se o paciente tem condições ela será oral, se for um paciente inconsciente é preciso passar a sonda. A parenteral é o último recurso, já que a infusão direta na veia tem riscos maiores de contaminação. Recorremos a ela quando não se consegue mais usar o trato digestório, como por exemplo cirurgias que retiram grande parte do intestino, deixando com baixa capacidade de absorção”, explica a especialista. Segundo Meale, muitas vezes esse idoso já chega desnutrido ao hospital. “Se, pela doença, ele fica muito tempo internado, acaba piorando o quadro. A média de internação hoje não permite tempo suficiente para corrigir a desnutrição dentro da instituição. O idoso, então, acaba voltando para casa desnutrido. Faltam políticas públicas, mas também conscientização da família.”

DESÂNIMO

A desnutrição é comum no envelhecimento. Além de perder a vontade de comer, muitos idosos vivem sem companhia e desanimados em preparar uma refeição adequada. A relação causal entre depressão e desnutrição ainda é incerta. Alguns estudos mostram que os indivíduos deprimidos têm, frequentemente, maiores deficiências de algumas vitaminas, tais como ácido fólico ou piridoxina, e alguns minerais, como magnésio ou zinco, em comparação com indivíduos sem depressão. Além disso, a depressão tem sido identificada como uma das principais causas de perda de peso em idosos. Aqueles demenciados passam por diversas fases de alterações cognitivas e, conforme a evolução do quadro, muitas vezes as necessidades básicas passam despercebidas, tais como sede e fome. Pessoas com demência apresentam dificuldade para se alimentar: eles mantêm a boca fechada, têm atraso na deglutição e voltam a cabeça para trás durante a alimentação.

A associação do envelhecimento fisiológico com doenças crônico-degenerativas, bastante comuns em idosos, torna essa faixa etária muito vulnerável à deterioração físico-funcional, com consequente perda de autonomia e independência. É comum a perda dentária parcial e os distúrbios de deglutição, também fatores de risco para a condição nutricional do idoso em função de prejuízos no processo de mastigação. Eles dificultam a digestão e levam à restrição alimentar. Nesses casos, a dieta precisa ser adequada conforme a condição individual do idoso, tanto no aspecto da consistência dos alimentos quanto no modo de se alimentar. Eles precisam comer na postura ereta e devagar. No que se refere à capacidade funcional, idosos desnutridos apresentaram maior dependência nas atividades de vida diária, especialmente as relacionadas ao modo de se alimentar. Muitos não conseguem se alimentar sozinhos e precisavam de apoio no momento das refeições.

Ingestão adequada de proteínas
Independentemente da região do país, a alta incidência da desnutrição mostrou a necessidade de se aprimorarem processos de avaliação e acompanhamento nutricional como forma de evitar complicações de saúde e também minimizar o tempo de permanência durante as internações. Estudo da Health Economics apontou que o tratamento adequado pode reduzir em até três dias uma internação hospitalar. Para Meale, políticas públicas são necessárias, mas também uma maior preparação das famílias. Mas, afinal, como esse idoso pode ser ajudado a comer melhor para não ter desnutrição? Segundo Júlio Sérgio Marchini, da Divisão de Clínica Médica Geral e Geriatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/Universidade de São Paulo, o processo de envelhecimento afeta todas as células do organismo, podendo exercer efeito negativo sobre o consumo de alimentos e colocar os indivíduos em situação de risco nutricional.

“Podemos considerar que as células relacionadas com digestão, absorção e assimilação dos componentes sofrem com o envelhecimento. Portanto, a eficácia de aproveitamento dos nutrientes, provenientes dos diferentes alimentos consumidos, torna-se diminuída”, explica Marchini. Vários estudos demonstram que a desnutrição decorrente da baixa ingestão de proteínas e energia é comum nesta fase da vida, sendo apontada como uma das razões que levam os indivíduos na terceira idade a adquirirem redução de massa muscular e força. A ingestão adequada de proteínas e energia é essencial para a manutenção das condições vitais, assim como de cálcio e vitamina D, nutrientes associados à eficácia do metabolismo ósseo, de acordo com o especialista. A alimentação equilibrada é fator reconhecido como fundamental para melhorar a longevidade, manter a boa saúde e a qualidade de vida.

DEZ PASSOS PARA A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL DA PESSOA IDOSA

1) Faça três refeições ao dia (café da manhã, almoço e jantar). Caso necessite de mais, faça outras nos intervalos. Procure fazer as refeições principais em horários semelhantes todos os dias. Nos intervalos, prefira pequenas refeições saudáveis, com alimentos frescos. Alimente-se devagar e desfrute o que está comendo, em locais onde se sinta confortável.

2) Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural. Inclua nas principais refeições alimentos como arroz, milho, batata e mandioca. Esses alimentos são as mais importantes fontes de energia e, por isso, devem ser os principais componentes das principais refeições, devendo-se dar preferência às suas formas integrais.

3) Inclua frutas, legumes e verduras em todas as refeições ao longo do dia. Esses alimentos são ricos em vitaminas, minerais e fibras e devem estar presentes diariamente na sua alimentação. O consumo desses alimentos contribui para diminuir o risco de várias doenças e ajuda a evitar a prisão de ventre.

4) Coma feijão com arroz, de preferência no almoço ou no jantar. O prato brasileiro é uma combinação completa e nutritiva, sendo a base de uma alimentação saudável. Varie os tipos de feijões usados e use também outros tipos de leguminosas, como soja, grão-de-bico, ervilha, lentilha ou fava.

5) Inclua carnes, aves, peixes, ovos, leite e derivados em pelo menos uma refeição durante o dia. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis. Os leites e derivados são ricos em cálcio, ajudando no fortalecimento dos ossos. Já as carnes, as aves, os peixes e os ovos são ricos em proteínas e minerais.

6) Use pouca quantidade de óleos, gorduras, açúcar e sal no preparo dos alimentos. Esses ingredientes culinários devem ser usados com moderação para temperar alimentos e para criar preparações culinárias. Procure evitar o açúcar e o sal em excesso, substituindo-os por temperos naturais (como cheiro-verde, alho, cebola, manjericão, orégano, coentro e alecrim, entre outros).

7) Beba água mesmo sem sentir sede, de preferência nos intervalos das refeições. A quantidade de água de que precisamos depende de fatores como idade, peso, atividade física realizada e clima. Fique atento ao consumo diário de água para evitar casos de desidratação, principalmente em dias quentes. Bebidas como refrigerantes e sucos industrializados não devem substituir a água.

8) Evite produtos ultraprocessados como regra da alimentação. Biscoitos recheados, guloseimas, ‘salgadinhos’, refrigerantes, sucos e chás industrializados, sopa e macarrão ‘instantâneos’, ‘tempero pronto’, embutidos, produtos prontos para aquecer devem ser evitados ou consumidos apenas ocasionalmente.

9) Fique atento às informações nutricionais dos rótulos dos produtos processados e ultraprocessados. Os rótulos dos produtos processados e ultraprocessados são uma forma de comunicação com os consumidores e contêm informações importantes sobre a sua composição. Geralmente, as propagandas buscam aumentar a venda dos produtos, mas não informar.

10) Sempre que possível, coma acompanhado de alguém. A companhia de familiares, amigos ou vizinhos na hora das refeições colabora para o comer com regularidade e atenção, proporciona mais prazer com a alimentação e favorece o apetite. Escolha uma ou mais refeições na semana para desfrutar da alimentação na companhia de alguém.

Fonte: Ministério da Saúde

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