Medicina preventiva pode melhorar (e muito) a qualidade de vida das pessoas

Cercando-se de alguns cuidados, é possível levar uma existência mais feliz e saudável

por Zulmira Furbino 21/08/2015 15:00

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Você já se perguntou os motivos pelos quais uma pessoa que tem tendências hereditárias a desenvolver determinado problema de saúde fica de fato doente e outras não? Ou o que faz com que algumas sejam mais tranquilas e vivam mais felizes do que outras? Ou se é possível prevenir males que estão à espreita antes que eles se instalem de verdade? Especialistas em saúde concordam que, em vários aspectos, a saúde de uma pessoa tem muito a ver com seu estilo de vida. É por isso que a medicina preventiva, que, como o próprio nome indica, atua na prevenção das doenças, e a integrada, que leva em conta todos os aspectos do ser humano – como o corpo, a mente e o espírito –, podem melhorar, e muito, a qualidade de vida das pessoas. Com um olho no futuro e o outro fincado bem no aqui e agora é possível levar uma existência mais feliz e saudável.

Valf
Maior parte das doenças que levam uma pessoa à UTI poderia ser evitada. (foto: Valf)


“A maior parte das doenças não transmissíveis, como pressão alta, diabetes e problemas cardiovasculares está diretamente relacionada com os hábitos de alimentação, sedentarismo, privação do sono e ganho de peso. Tudo isso está associado ao adoecer”, explica a endocrinologista Maria de Fátima Diniz, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). De acordo com ela, os fatores genéticos são importantes, mas o estilo de vida e o ambiente no qual uma pessoa vive são determinantes no desenvolvimento de diversas doenças. Por isso mesmo, as orientações sobre uma vida saudável em todos os aspectos devem ser transmitidas desde a infância.

“A medicina preventiva existe há muito tempo, mas o que temos visto hoje são crianças com problemas de adultos, como obesidade, colesterol alto e hipertensão. Isso está ligado aos hábitos de vida desde a infância. Problemas que antes eram somente de adultos, como o diabetes tipo 2, hoje estão acometendo adolescentes”, observa Maria de Fátima. Ela explica que os maus hábitos podem funcionar como um gatilho que detona o aparecimento de doenças em pessoas que já têm predisposição para desenvolver determinado tipo de problema. Com isso, muitas dificuldades com a saúde, que deveriam aparecer na faixa dos 70 anos, surgem mais cedo, adoecendo os jovens.

Em sua rotina de trabalho, a intensivista, cardiologista e clínica Maria Aparecida Braga, integrante da Sociedade Mineira de Terapia Intensiva, convive diariamente com pacientes em situações graves de saúde, muitas das quais poderiam ser evitadas caso houvesse cuidado preventivo. “Essa é uma visão muito real da nossa falta de cultura no que se refere aos cuidados com a saúde. Na maior parte dos casos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) você recebe uma pessoa numa situação de urgência que poderia ter sido evitada. E isso não se limita a essa pessoa, mas a toda a sua família, que, naquele momento, concentra suas preocupações no doente, esquecendo-se de que também poderia estar ali”, observa.

CONFIANÇA
Segundo ela, a maior parte das doenças que levam uma pessoa à UTI poderia ser evitada. Na visão dela, a maior parte dos problemas graves de saúde poderiam ser prevenidos ou amenizados se, no Brasil, houvesse uma cultura de cuidados com a prevenção, o que envolve, inclusive, resolver questões emocionais decorrentes da forma como se lida com a família e de como as pessoas estão integradas em seu contexto.

“As coisas vão se acumulando e quando se olha para o problema ele já tomou uma proporção grande demais. Se abster de fumar e de beber, cuidar das questões emocionais, do carinho e da gentileza, fazer atividades físicas, tudo isso diz respeito à saúde da pessoa, da família, da comunidade”, sustenta a médica. Outro ponto importante, na visão dela, é o fato de os pacientes e as famílias ignorarem os medicamentos que estão sendo tomados. “A gente pede para a família preencher de próprio punho o que está ocorrendo com o doente, mas em geral ninguém sabe dizer quais são as doenças e os medicamentos usados”, revela. Nesse contexto, ela lamenta o fato de a referência de um médico da família ter sido perdida.

“É preciso ter um médico de confiança para acompanhar as doenças crônicas, as questões psicossociais, para orientar como proceder em caso de necessidade de cirurgias, em questões do fim da vida, onde é preciso ponderar o que é melhor, medidas de conforto ou o tratamento a qualquer preço”, observa Maria Aparecida. Para a oncologista pediátrica Denise Tieme, que integra o corpo clínico e é assistente de medicina integrativa do hospital paulista Albert Einstein, a relação entre o paciente e os profissionais de saúde é muito importante. Ela explica que a medicina integrativa faz uso de todas as abordagens e técnicas terapêuticas, englobando a medicina convencional, a tradicional e as técnicas complementares, com vistas à cura total, e não somente das doenças. “O foco é na pessoa, mas a gente precisa diferenciar o que é hereditário do que é genético, porque nem tudo que é genético é hereditário”, alerta. De acordo com ela, hoje, os estudos conseguem relacionar o estilo de vida, a dieta e a postura diante das dificuldades da vida com as influências no organismo, relacionando os mecanismos fisiológicos que o estresse acarreta e a facilidade de esses mecanismos levarem a alterações genéticas que podem facilitar o ambiente para que uma doença apareça”, explica.

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