Nando Reis lança 'Jardim/Pomar', primeiro disco de inéditas em quatro anos

Um dos mais prolíficos compositores do pop nacional, ele alterna canções roqueiras e baladas pessoais. Lançamento será em CD, vinil e K7

por Mariana Peixoto 11/11/2016 09:00

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CAROL SIQUEIRA/DIVULGAÇÃO
(foto: CAROL SIQUEIRA/DIVULGAÇÃO)
Nas mãos, Jardim/pomar, novo álbum de Nando Reis – oitavo trabalho de estúdio, primeiro de inéditas em quatro anos – se abre como uma flor. Pelo menos no formato CD, já que ele está sendo lançado também em LP (são dois volumes, vendidos separadamente) e K7. Voltando ao CD, o encarte se desdobra em seis partes, mostrando as pinturas da artista plástica Vânia Mignone, além das letras das 13 canções.

“Sou um fazedor de discos. Acho um empobrecimento a maneira como o disco está sendo empurrado pela música digital, atendendo a uma ansiedade, urgência. Sou um resistente, não por nostalgia, mas por achar que um disco tem diferenças estruturais. Ele demanda tempo e atenção, e sua complexidade vai se revelando ao longo do tempo”, afirma o cantor e compositor de 53 anos.

Só para deixar claro: a despeito de tantos formatos físicos, Jardim/pomar, obviamente, também está disponível nas plataformas digitais. Nando Reis pode até não concordar com a maneira como a música está sendo lançada, mas tem consciência também de onde a maior parte de seu público está.

Quinze anos após deixar os Titãs, ele é um dos grandes cancionistas da música pop brasileira. Tanto pela qualidade quanto pela quantidade de sua produção, tanto para si quanto para os outros.

O novo trabalho, por sinal, traz só músicas dele. Das 13, uma só não é inédita (Concórdia, registrada há 10 anos por Elza Soares). E há também uma só parceria, Como somos, com letra dele e música de Samuel Rosa, hoje seu parceiro mais constante. A canção foi composta para Velocia (2014), do Skank, que a registrou somete como demo. Como não entrou no disco da banda, Nando a tomou para si.

Ele teve o tempo que quis para fazer o disco, independente e lançado pelo próprio selo, Relicário. A primeira metade foi gravada em julho de 2015, em Seattle, com a produção de Jack Endino (cuja credencial mais conhecida é a produção de Bleach, 1989, álbum de estreia do Nirvana). A segunda parte foi registrada em fevereiro, em São Paulo, com Barrett Martin (ex-baterista da banda Screaming Trees, também do cenário grunge de Seattle) como produtor.

“Esse processo (de gravação) não foi apenas uma escolha musical, mas decorrente desta independência. Hoje, sou eu que faço o planejamento de um disco, de acordo com a disponibilidade e o dinheiro. O disco, na verdade, está pronto desde abril”, acrescenta.

Repertório

Essa produção dividida gerou, inclusive, duas versões de uma mesma canção. Só posso dizer, o primeiro single, já bem executado nas rádios, tem uma gravação realizada em São Paulo e outra em Seattle (esta, mais lenta). O repertório é dividido por músicas mais pulsantes, com uma pegada roqueira – Infinito oito, Deus meu – e canções com letras pessoais, marca de sua obra.

Nando Reis compõe sobre o que conhece. “Claro que a minha composição mudou, porque eu mudei. Não deixa de ser uma expressão do que reflito no momento. Cada composição é uma, por outro lado, é quase uma acentuação da marca do autor. Então, as canções tendem a ser também semelhantes.”

Suas letras são sempre na primeira pessoa (“não tenho habilidade para inventar personagens”), ainda que ele não escreva necessariamente sobre o que viveu. Mas há no repertório de Jardim/pomar canções que calam fundo em sua própria história. A (disparado) melhor delas, 4 de março, foi escrita para sua mulher, Vânia, mãe de quatro dos cinco filhos. Juntos há mais de três décadas, os dois já viveram mais de uma separação. “Tanto tempo e ainda é muito pouco/Temos mais futuro que passado”, registra ele.

Outra faixa que chama a atenção é a swingada Azul de presunto, em que reuniu seus ex-colegas de Titãs Arnaldo Antunes e Paulo Miklos, que deixaram o grupo, e os ainda integrantes Branco Mello e Sérgio Britto, mais filhos e outros amigos. “Eu queria muitas vozes e essa música, que tem um certo nonsense, é muito próxima de algo que me agradava (na banda).”

Finalmente com o disco em mãos, Nando vai dar início à turnê de Jardim/pomar em março. Espera, até lá, ter encerrado a temporada de seu disco anterior, Voz e violão (2015). Questionado sobre sua prolífica produção ao vivo – são quatro registros lançados, dois nos últimos três anos –, ele se sai muito bem. “Às vezes, quando olho, acho que há um certo excesso. E é claro que estes discos têm a ver com mercado. (Discos ao vivo) servem para realimentar turnês, que passaram a ser muito importantes para a sobrevivência de um artista. Falar que é caça-níquel é uma imbecilidade para quem não está do lado de cá”, conclui.

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