Corina Magalhães é indicada ao Grammy Latino na categoria melhor disco de samba/pagode

Trabalho tem o jeito leve e divertido da intérprete e reúne 13 composições de conterrâneos

por Walter Sebastião 30/10/2016 12:28

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Acervo pessoal/Divulgação
(foto: Acervo pessoal/Divulgação )
O samba feito em Minas Gerais ganha reverência no cenário musical internacional. Leva o nome de Tem mineira no samba (Tratore), disco da cantora Corina Magalhães, de 34 anos, natural de Cambuí (MG), que está entre os cinco indicados ao Grammy Latino na categoria de Melhor Disco de Samba/Pagode. Das 14 músicas do CD, 13 são de compositores mineiros: Ary Barroso, João Bosco, Geraldo Pereira, Vander Lee, Milton Nascimento e Fernando Brant, Ataulfo Alves, Affonsinho. A única exceção é Guerreira, dos cariocas Paulo César Pinheiro e João Nogueira, canção que faz perfil de outra das grandes estrelas da música mineira: Clara Nunes.

O disco, estreia de Corina Magalhães, concorre ao prêmio ao lado de bambas: De bem com a vida, Martinho da Vila; Notícias dum Brasil 4, Eugênio Gudin; Na veia, Rogê & Arlindo Cruz; Sambas para Mangueira (vários artistas). “Só a indicação já foi um prêmio. Se o Martinho da Vila ganhar, para mim já está bom”, garante, com bom humor, a intérprete. A mineira estará dia 17 de novembro em Las Vegas para a cerimônia de entrega do prêmio. Como o convite dá direito a acompanhante, ela vai levar o namorado. E, conta, vai aproveitar a viagem para passear um pouco. O disco é uma pequena joia, com a intérprete dando show de canto. Entroniza, inclusive, Vander Lee entre os grandes compositores que o Brasil já teve.

Tem mineira no samba saiu no final de 2015 e, até agora, foi lançado apenas na terra-natal de Corina. Foi a própria cantora que, ao saber que estavam abertas as inscrições para o Grammy Latino, decidiu enviar o disco para avaliação. “Tinha dúvidas se valia a pena, mas enviei. E esqueci do assunto”, conta a cantora. Uma amiga, algum tempo depois, mandou mensagem para ela, falando no assunto e pedindo dicas. “Li, mas fiquei quieta, podia ser mensagem para outra pessoa. Quando ela falou meu nome, dizendo que estava indicava ao Grammy, meu coração disparou. Foi uma surpresa gigante”, recorda. “É o samba que me toca”, afirma, avisando que ama os grandes clássicos do batuque.

Entre a decisão de fazer o disco e o trabalho pronto, foram dois anos de muito estudo. “O repertório até tem um lado B dos autores, mas é conhecido. E eu queria fazer algo diferente do que já existe sem sair da essência da música ou distorcer as composições. São músicas que respeito”, justifica. Ouviu muitas gravações das músicas, na dúvida se conseguiria ir além do existente. “Eu me perguntava como gravar músicas tão marcantes? Fazer isso com as composições de João Bosco eu considero impossível.”. Foi depurando o repertório até chegar àquelas que eram a cara dela. “E busquei interpretações que carregassem a minha identidade. Canto de modo brejeiro, brincalhona, leve. Joguei então isso nos arranjos”, explica.

“A elegância, tanto na harmonia quanto na melodia, é característica do samba feito em Minas Gerais. São autores elegantes”, enfatiza Corina Magalhães, frisando que há outros modos de compositor igualmente deliciosos. A indicação para o Grammy chegou quando a mineira já estava pensando em novo disco. O projeto, agora, é disco sobre Marilu (Maria de Lourdes Lopes, 1918-1940), uma chorona dos anos 1940, cujo jeito de cantar a mineira considera semelhante ao dela. “Gosto de desafios”, afirma. A curiosidade em torno dela adiou o projeto e obrigou a cantora a sair em busca de produtores para ajudar na realização de shows. “Adoro fazer show, mas ter de cuidar de tudo sozinha, sendo pouco conhecida, é complicado”, explica.

Perfil Corina Magalhães vive e trabalha em São Paulo há 14 anos. A iniciação na música foi em Cambuí mesmo. Aos 6 anos já estava estudando piano em casa. Aos 10, frequentava escola de música. Ela tem na ponta da língua nomes de professores que lhe apresentaram o caminho da música: os tecladistas Luciano Lambert e Homero Paiva, o violonista Célio Lopes, o percussionista Tota Moraes, o baterista Rafael Piava. Negão, o professor de canto, ao final das aulas, colocava Corina cantando fora da sala, ao ar livre, para todos ouvirem a voz dela. “Eles me ensinaram a vida na música. Apresentaram-me vivência, prática, experiência, minhas influências. Enquanto as crianças ouviam Xuxa, eu ouvia Elis Regina”, observa.

“Sempre cantei o repertório que está no disco. Minha mãe diz que eu nasci com 60 anos”, brinca. Adolescente, ela já estava atuando profissionalmente, primeiro com seus professores e depois cantando em grupos de baile nos clubes de Cambuí e, às vezes, em São Paulo.

Mudou-se, então, para a capital paulista para estudar e decidiu por curso de nutricionista, “apesar de meu pai querer que eu fizesse música”, observa. “Saí de casa cedo, queria ser independente, e o curso me oferecida essa possibilidade”, justifica. Na capital paulista frequentou escolas, atuou em coral, fez shows em bares, atividade só interrompida para gravar o disco. “Mas já estou com saudade dos bares”, avisa.

Além de declarado amor e respeito pelo samba clássico, Corina Magalhães gosta de música instrumental. É fã de Munir Hossn, um multi-instrumentista baiano que mora em Franca (SP). Cantoras que admira são Etta James, Nina Simone, Ella Fitzgerald, Rosa Passos. “São de tirar o fôlego”, afirma. “E, ouvindo-as, aprende-se canto”, observa. Quando começou, ouviu Gal Costa, Elis Regina, Nara Leão e Clara Nunes.


     Tem mineira no samba
     Tratore
     14 faixas
     R$ 28 (https://tratore.minhalojanouol.com.br)
     R$ 39 (Discoplay)


Grammy Latino

O disco Amanhecer, de Paula Fernandes, também está indicado ao Grammy Latino como Melhor Disco Sertanejo, categoria que existe desde 2000. A cantora e compositora mineira já participou do prêmio, em 2015, cantando ao lado do espanhol Alejandro Sanz. A 17ª edição do Grammy Latino será realizada em 17 de novembro, no T-Mobile Arena, em Las Vegas. Entre os artistas mineiros que foram premiados pelo Grammy Latino o recordista é Milton Nascimento. Ele foi o vencedor na categoria Melhor Canção Brasileira – com A festa, em 2004, e Tristesse, em 2003. Ganhou, ainda, como Crooner (2000), o prêmio de Melhor Disco Pop Contemporâneo. Alexandre Pires, com Eletro samba: ao vivo (2013), ficou com o prêmio de Melhor Disco Samba/Pagode. E o Jota Quest, com Ao vivo: Rock in Rio (2013), levou o prêmio de Melhor Disco de Rock.

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